Para Merrill Lynch , real forte não deve comprometer exportações brasileiras

Instituição estima que exportações são mais sensíveis à flutuação na renda estrangeiro do que à taxa de câmbio

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SÃO PAULO – Em relatório divulgado nesta sexta-feira o banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch afirmou que, apesar do real ter valorizado de maneira significativa, tanto em termos nominais quanto em termos reais, a balança comercial brasileira deve se manter superavitária. A instituição também acredita na manutenção da tendência de superávits crescentes em conta corrente.

A divulgação do relatório acontece em meio a pressões por parte dos exportadores por uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio. Recentemente, os exportadores receberam o apoio tácito do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que chegou a cogitar que talvez fosse necessário intervir no mercado de câmbio.

Dois momentos na conta corrente

No que refere ao resultado em conta corrente, a instituição destaca dois momentos distintos. O primeiro deles ao final de janeiro de 1999, quando o país abandonou o sistema de câmbio fixo, e o segundo pouco antes das eleições presidenciais de 2002, quando uma maior aversão ao risco fez o Real alcançar a cotação de R$ 4,00.

O ano de 1999, segundo a instituição teria marcado o fim da tendência de crescimento dos déficits em conta corrente do país, que desde então, sobretudo, após a forte desvalorização de 2002, teria caído até se transformar no início do ano passado em superávit.

Na visão da Merrill Lynch, também vêem contribuindo para o crescimento do superávit em conta corrente a redução do serviço da dívida, o que contribui para a menor percepção de risco país, assim como a valorização do Real.

Balança comercial deve manter tendência

Apesar da valorização do Real frente ao dólar norte-americano, o relatório enfatiza que as exportações brasileiras devem manter a tendência de crescimento.

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Dentre os fatores que estariam contribuindo para a sustentação das exportações está o forte crescimento econômico global e o aumento da demanda por commodities agrícolas, sobretudo, por parte da China e outros mercados emergentes. A maior demanda por esses produtos teria sustentado a alta do preço das commodities no mercado internacional.

A instituição conclui seu relatório afirmando que, apesar da valorização do Real, o Brasil não perdeu sua competitividade na exportação, pois a sensibilidade das exportações à renda estrangeira é maior do que aquela relacionada à taxa cambial.