Para MCM, crise mundial de crédito e bancária é possível, mas improvável

Default por parte dos países periféricos europeus engatilharia recessão nos Estados Unidos e redução do crescimento chinês

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SÃO PAULO – A economia mundial pode passar por uma nova crise bancária e de crédito, afirma a MCM Consultores Associados, que ressalta que embora possível, esse cenário é menos provável do que a manutenção de uma crise morna – como tem se desenrolado nos dias atuais.

A MCM lembra que os dados recentes tem mostrado desaceleração do crescimento das economias mais desenvolvidas, como os Estados Unidos e a Europa, mais precisamente a Alemanha, que outrora apresentava forte ritmo. Assim, essas economias não apresentam boas perspectivas de crescimento, já que as exportações e a confiança de empresários estão abaladas. 

Forte atuação melhora situação
A forte atuação do BCE (Banco Central Europeu) foi ressaltada pela consultoria, que chamou a atuação da instituição de “elemento- chave” para que se evite uma crise de liquidez dos títulos de dívida italianos e espanhóis, que poderia se tornar em uma crise insolvência.

Em troca dessa atuação, os governos desses países concordaram em adotar novas medidas de austeridade e para ganhos de eficiência econômica, o que para a MCM deverá resultar em uma melhoria no médio prazo, provocando, no curto prazo, mais estagnação na economia.

Além disso, um possível rebaixamento da França, desmentido por agências de classificação de risco também preocupa. “Isso jogaria uma pá de cal nos planos de utilizar o EFSF (European Financial Stability Facility) como veículo de normalização dos mercados financeiros”, afirmou a consultoria. 

EUA não parecem bom
A maior economia mundial também se mostra em um ritmo fraco, e até o Fomc (Federal Open Market Comitte) já admitiu. Para corrigir essa situação, novas medidas de estímulo monetário foram discutidos e a possibilidade de um novo Quantative Easing por parte do Federal Reserve não agrada a consultoria. “Não é uma estratégia livre de risco, e possui eficácia duvidosa”, disse a MCM.

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Eles lembram que o setor privado ainda está em processo de desalavancagem, particularmente as famílias, que possuem consumo reprimido por conta do elevado desemprego e da erosão de seu patrimônio líquido. A economia norte-americana, nesse cenário, deverá crescer apenas 1,7% nesse ano e 1,5% em 2012.

A piora da perspectiva para a economia dos EUA deverá levar a China à uma redução de seu crescimento, também influenciada pelas medidas do governo chinês para desacelerar a sua economia. Isso fará com que o crescimento convergirá para 8,5% anualizado no quarto trimestre de 2011, o que deverá afetar o preço das commodities.

Double Dip?
Contudo, há chances de algo pior – lembra a MCM, embora menos provável (25% de chances). Um cenário pessimista incluiria default de países periféricos na Zona do Euro, com uma crise bancária e de crédito aparecendo em sequência. O atraso em um resgate grego contaria Itália e Espanha poderia ser um gatilho para essa situação, assim como a recusa do BCE em agir.

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Isso levaria a economia mundial a um Double Dip, a volta da recessão após um período de recuperação. Os Estados Unidos retrocederiam 2% em seu PIB (Produto Interno Bruto) em 2012 e o mundo ficaria estagnado, ressaltando-se a China, que desaceleraria para 7% e 7,5% em 2012.