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SÃO PAULO – Passados dois anos após a aguda recessão causada pela crise financeira mundial, a LCA continua a acreditar que a economia global segue desbalanceada entre os países desenvolvidos, que ainda buscam se recuperar, e os emergentes, que estão sob ameaça de superaquecimento.
A consultoria lembra que todas as economias emergentes se recuperaram, mas apenas Estados Unidos e Alemanha esboçaram uma retomada entre as nações desenvolvidas. Países abalados por dificuldades fiscais – como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha – apresentam ainda maiores dificuldades.
Fortalecimento dos emergentes
A LCA lembra que a crise fez com que as economias emergentes saíssem fortalecidas – com fluxos de capitais atingindo níveis extraordinários e causando forte pressão de apreciação cambial nessas economias.
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Esse cenário, aponta a consultoria, fez com que esses governos retirassem os estímulos fiscais e monetários da época de crise, para evitar bolhas e inflação. A LCA nota que a elevação de juros tem sido maior em países que adotaram metas explicitas para a inflação, um problema em 20 dos 25 países que tem esse tipo de estratégia.
Porém, 10 deles ainda não iniciaram o ciclo de aumento de juros, ou por que foram muito prejudicadas pela crise, ou por que a recuperação tem sido lenta, ou ainda por estarem sofrendo de intensa pressão de apreciação em suas moedas.
Desaceleração
Todavia, essas economias emergentes estão desacelerando, graças a essas medidas de maior restrição. A perspectiva, porém, continua positiva, mas pode se tornar negativa caso pressões de custos associadas às commodities piorem e exijam mais aperto das condições monetárias.
Porém, lembra a LCA, o principal risco é decorrente da vulnerabilidade das contas públicas em várias economias avançadas, embora o cenário base não preveja danos maiores ao sistema financeiro e à atividade econômica mundial, já que economias de maior importância, como Estados Unidos, Alemanha e França, vêm “atravessando um processo de fortalecimento de fundamentos econômicos”.
O prolongamento da situação grega – resultando numa reestruturação desordenada da dívida da Grécia e na alimentação das dificuldades de Irlanda e Portugal – pode provocar instabilidade financeira globalmente, avalia a consultoria.
Um cenário adverso, afirma a LCA, resultaria numa correção importante dos mercados globais, com prejuízos relevantes para a economia mundial mas uma crise financeira seria evitada pela coordenação das autoridades nas principais economias mundiais, desenvolvidas e emergentes.