Para LCA, cotação do dólar estaria próxima de R$ 1,50 sem medidas do Governo

Consultores acrescentam que tendência de alta do real deve voltar; cenário adverso pouco afetou a moeda brasileira

Publicidade

SÃO PAULO – Os consultores da LCA estimam que, na ausência das medidas promovidas pelo Governo para o mercado de câmbio e mantidas as condições macroeconômicas vigentes, a cotação do dólar já estaria num patamar próximo de R$ 1,50.

Esse valor foi obtido através de um modelo que “avalia o impacto de algumas variáveis de curto prazo sobre a taxa de câmbio” e leva em conta o saldo do movimento de câmbio, o apetite por risco do mercado e a exposição dos investidores estrangeiros no mercado futuro de câmbio, além de um índice de força calculado entre a maior posição comprada e a maior posição vendida também no mercado futuro.

Levando em consideração o atual cenário macroeconômico, os consultores concluem que “a tendência de apreciação do real tem seus fundamentos preservados e deverá ser retomada tão logo as avaliações de risco cedam”. Assim, com essa projeção de nova alta do real frente ao dólar, a expectativa da equipe da LCA é de que o Governo anuncie novas medidas para o câmbio.

Real não segue tendência
A avaliação dos consultores foi motivada pelo comportamento do real em meio aos recentes desenvolvimentos do cenário internacional, com o impulso na cotação do petróleo proveniente da crise no norte da África e Oriente Médio e o desastre natural que atingiu o Japão na semana passada.

Segundo os consultores da LCA, que lembram que “em momentos de forte alta da percepção de risco, aumenta a dificuldade de mensurar o impacto dos movimentos resultantes”, a busca dos investidores por ativos que forneçam maior segurança apreciou o dólar.

Na outra ponta, aparecem as moedas de países exportadores de commodities, com depreciação média de 2,5% em relação ao dólar desde a última sexta-feira. Como exceção a esse movimento, surge o real, que teve perda acumulada de apenas 0,5% desde o dia do terremoto no Japão até a última quarta-feira.

Continua depois da publicidade

Condição macroeconômica
A explicação para esse aumento da percepção do risco entre os investidores não ter atingido o real da mesma forma que outras moedas estaria na manutenção das condições macroeconômicas por aqui: “diferencial de juros atrativo e crescente, atividade aquecida e risco fiscal relativamente baixo”.

Os consultores destacam que tais condições teriam propiciado uma elevada entrada líquida de recursos no Brasil no início deste ano. “Até a segunda semana de março os ingressos líquidos superaram em 25% o total registrado no ano passado e em quase 75% o primeiro trimestre de 2007, ano em que foi registrado o maior saldo positivo da série histórica”, segundo a equipe da LCA.