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SÃO PAULO – A nota que acompanhou a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de manter a Selic em 11,25% ao ano foi breve, mas suficiente para levar o banco de investimentos JP Morgan a elevar suas projeções para o juro básico brasileiro ao final de 2008.
A exclusão da palavra “pausa” na referência à flexibilização da política monetária, contida no comunicado anterior, sugere que o período de manutenção da taxa pode ser mais longo do que o anteriormente estimado. Assim, o JP revisou sua projeção de retomada dos cortes no juro, que passou de abril para outubro de 2008.
O novo cenário esperado pelo banco de investimentos estima cortes de 25 pontos-base nas duas últimas reuniões do comitê, o que levaria a Selic a encerrar 2008 em 10,75% ao ano. Para 2009, a redução esperada ao longo do ano é de 75 pontos-base.
Cenário econômico
A priori, a expectativa do JP Morgan de retomada da flexibilização da política monetária em outubro de 2008 se baseia no comunicado do Copom e nos dados macroeconômicos até o momento conhecidos. O banco não deixa de mencionar, no entanto, que a ata da última reunião do colegiado, que será divulgada na próxima quinta-feira (13), pode mexer com tais estimativas.
A pressão sobre os preços e a aceleração da atividade econômica respaldaram a decisão da autoridade monetária, na visão do JP. A elevada utilização do capital e do trabalho se apresenta em taxas históricas, assim como as mínimas dos estoques. No mesmo compasso, a demanda está aquecida e a cessão de crédito no país não mostra qualquer abalo com a crise subprime.
Em conjunto, estes dados trazem a perspectiva de continuidade do forte ritmo de crescimento no primeiro semestre de 2008, o que, na leitura do banco de investimentos, minimiza as chances de que o Copom opte por novos cortes na Selic nos seis primeiros meses do próximo ano.
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O banco ainda lembra que, a despeito das recentes pressões inflacionárias, o nível de preços ainda se encontra dentro da meta governamental. A apreciação do real tem permitido uma gradual desaceleração da inflação pelo lado do produto, porém, a alta utilização da força de trabalho levou à interrupção de queda nos preços no setor de serviços vista nos dois últimos anos.
Investimentos em alta
Mesmo depois do forte resultado registrado no terceiro trimestre de 2007, a formação bruta de capital fixo deve manter o vigor até o final de 2008, lastreada principalmente pelo avanço na produção de bens de capital e na importação de máquinas e equipamentos.
Todavia, ao menos nos primeiros meses de 2008 a elevada utilização da capacidade produtiva deve prevalecer, com arrefecimento gradual acompanhado pela maturação dos investimentos já feitos e leve moderação no crescimento da formação de capital.