Para Goldman Sachs, 2011 poderá ser o ano em que os EUA voltarão ao normal

Segundo análise, país deve ser destaque na recuperação, mas emergentes despontam no cenário internacional

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SÃO PAULO – O ano de 2010 mostrou ao mundo, de maneira ainda mais sensível, a divisão que vem sendo traçada: EUA, União Europeia e emergentes. Ainda sob o impacto da crise de 2008, a economia global vem repercutindo lógicas distintas, enquanto algumas economias crescem vigorosamente, outras ainda estão pressionadas, buscando estímulos para impulsionar a atividade econômica de seus países. 

Além disso, os países periféricos da zona do euro, como Irlanda, Grécia, Portugal, Itália e Espanha, também chamaram a atenção com a fragilidade fiscal de suas economias, algumas afundadas em uma crise de dívida soberana com efeitos adversos para toda a EMU (Economic and Monetary Union), sigla em inglês para União Monetária e Econômica.

Se 2010 foi um ano vibrante no que diz respeito aos riscos e aos acontecimentos econômicos, 2011 prepara ainda mais emoções, segundo Jim O’Neill, chairman do GSAM (Goldman Sachs Asset Management), em que a recuperação dos Estados Unidos será um dos principais temas de investimento.

Retrospectiva 2010
Segundo Jim, a maior surpresa do ano, ao menos no que diz respeito ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), foi a Alemanha. Permanecendo com um forte ritmo na exportação, a economia alemã também se destacou no fortalecimento do emprego e no aumento da expansão econômica, evidenciada pela demanda doméstica.

No que diz respeito aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e outras economias em crescimento, o resultado foi dentro do esperado, porém com destaque para a expansão de países como Indonésia e Turquia, que não compõem o BRIC. 

Para o diretor executivo, as três dinâmicas recorrentes de 2010 que serão lembradas serão as consequências ainda desconhecidas da política monetária adotada pelo Fed, denominada como QE (Quantitative Easing) para estimular a economia note-americana, incluindo a sua extensão para o QE2, a ameaça e, em alguns casos, a realidade dos controles de capitais e, por fim, os problemas relacionados à zona do euro, que segundo Jim, relacionam-se muito mais a questões de estrutura e governança do que à crise da dívida propriamente dita.

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EUA: A bola da vez
O próximo ano parece mesmo ser dos EUA, na visão do GSAM. O ano de 2010 deve terminar evidenciando certa recuperação econômica no país, aumento nos rendimentos de títulos norte-americanos e previsões otimistas para o PIB do país no próximo ano. A previsão da equipe do Goldman Sachs é de crescimento de 3,4% do PIB norte-americano em 2011 e 3,8% em 2012.

Ainda segundo Jim, esse aumento deve ser robusto o bastante para permitir a queda do desemprego, que tem assolado a atividade econômica no país, permitindo que a as consequências sociais da crise comecem a dar sinais de melhora. A economia americana não pode sobreviver com níveis de endividamento elevados, uma baixa taxa de poupança pessoal e um grande déficit em conta corrente e, segundo Jim, não vai.

Assim, os EUA poderão voltar ao “normal”, com aumento no mercado de ações americano. Vale ressaltar que isso não significa que a situação voltará à realidade pré-crise. “Eu acho que 2011, a este respeito, será o início de uma nova fase na qual os EUA terão forte crescimento do PIB, mas será liderada pelas exportações e pelo investimento”, afirmou o diretor executivo. 

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No mercado cambial, o dólar pode enfrentar um rali, embora os políticos dos EUA estejam dispostos a resistir a um aumento significativo. Dentre as alternativas, o iene deve aparecer como a moeda mais vulnerável no cenário externo.

Assim, as perspectivas para 2011 estão lançadas. O ano de 2010 prendeu a atenção do mercado e dos investidores em relação aos rumos da economia mundial e, seguindo a tendência, 2011 deve guardar ainda mais emoções e pontos de análise, evidenciando um mundo de contrastes econômicos e de objetivos distintos.

2011: Crescimento versus Emergentes
Deixando os Estados Unidos um pouco de lado, o mundo deve crescer 5% em 2011, segundo as estimativas do GSAM. Ainda segundo Jim, o próximo ano será um divisor de águas para o entendimento do que são as economias que já apresentam um efetivo crescimento e aquelas que ainda são emergentes. Para ele, os BRICs e também México, Indonésia, Coréia do Sul e Turquia são economias que apresentam um crescimento efetivo, correspondendo a mais de 1% do PIB mundial, podendo crescer ainda mais e atraindo a atenção dos investiodres.

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Outros países, como Nigéria, Filipinas e até mesmo Irã poderão aderir a esse grupo, com crescimento no futuro. Outras, ainda, podem ser consideradas as verdadeiras “emergentes”, pois apesar de um potencial de crescimento considerável, permanecem mais vulneráveis e dependentes das economias citadas acima.

Europa: segue o dilema em 2011
Os problemas relacionados à situação fiscal de alguns países da zona do euro estão longe de chegarem ao fim, segundo Jim. Para ele, a situação vivida por esses países, muito mais do que um crise de dívida, está relacionada à falta de liderança e governança. Segundo sua comparação, os EUA enfrentam a mesma posição fiscal de Portugal, mas não estão afogados nos mesmo dilemas e complicações. Isso se deve ao fato de que os investidores confiam na estrutura de governo norte-americana e na liderança econômica do país, diferentemente do que ocorre em muitas nações europeias.

Será que todas as lideranças econômicas e os formuladores de políticas públicas da Europa apoiarão as nações endividadas? Para Jim, a resposta é difícil de ser dada. Ainda que haja um suporte, contando também com a Alemanha, a situação deve permanecer complicada. 

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