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SÃO PAULO – O mercado esperava outra atitude do Banco Central, diferente da que foi sinalizada na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 10 de março. Essa foi a conclusão a que o economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Rubens Sardenberg, chegou após a Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado. Sardenberg concedeu coletiva nesta terça-feira (15).
De acordo com as perspectivas do mercado, a inflação não deve dar trégua em 2011 e 2012. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve fechar este ano em 5,8% e 2012 em 4,8%, ambos acima do centro da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), que é de 4,5%. Mesmo diante desse quadro, o BC parece ter uma visão mais benigna para a evolução de preços, o que ficou sinalizado na Ata do Comitê. Para o economista-chefe da Federação, o comportamento surpreendeu.
Destaques
Segundo Sardenberg, foram três os principais destaques após a Pesquisa realizada pela Febraban. O primeiro fato que chamou a atenção dos entrevistados foi o tom da ata. Em geral, este veio mais moderado do que se esperava, o que significa que o BC fez uma abordagem mais favorável do comportamento da inflação do que aquela que o mercado estava aguardando. A análise mais benigna do Comitê se refletiu no documento, causando certa surpresa entre os entes de mercado.
Além disso, a autoridade monetária passou a dar indicações mais claras de um ciclo menor para o aumento de juros. Esperava-se que a Selic fechasse 2011 em 12,50% ao ano, mas o mercado passou a considerar a possibilidade de um encurtamento no ciclo. “Se houver outro aumento adicional na taxa de juros, devem vir antes novas medidas macroprudenciais para restringir o crédito, isso ficou evidente”, destacou o economista-chefe.
Lado fiscal ganha presença
O segundo ponto que pode ser destacado da Ata é a importância que foi dada ao lado fiscal. O BC sinalizou que o comportamento das contas do governo deve desempenhar um papel importantíssimo para ajudar a condução da política monetária. Para Sandenberg, o mercado irá acompanhar a execução fiscal mês a mês para ver se está em linha com o esperado, pois criou-se uma expectativa muito grande em relação a isso. Segundo a pesquisa realizada pela Febraban, o governo não terá dificuldades em cumprir o resultado primário que foi estabelecido.
Por fim, a Ata deixou claro que os membros do Copom estão muito mais preocupados com o efeito da alta do petróleo na inflação do que na atividade econômica. O risco de um declínio no ritmo de expansão econômica mundial não foi incorporado como um grande risco, mas a pressão inflacionária que essa situação pode causar, sim.
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De acordo com o ponto de vista da Febraban, o ponto positivo para o País nesse cenário é que as condições externas continuarão favoráveis para o Brasil, mantendo o preço das commodities em um patamar elevado e favorecendo as contas externas nacionais.
Impactos financeiros
O economista também comentou o impacto financeiro dos eventos recentes na economia brasileira. Segundo ele, é certo que o terremoto do Japão trará consequências mundiais, que chegarão até o Brasil, porém também avaliou que ainda é muito cedo para traçar qualquer cenário e perspectiva. “Certamente haverá impactos, mas eu não saberia antecipar, pois ainda é cedo”, afirmou.
Na análise de Sandenberg, normalmente há um efeito muito grande no mercado financeiro, mas em geral são impactos de curto prazo. Com o passar do tempo, inicia-se um processo de recuperação econômica e as coisas tendem a se estabilizar. “Esse efeito não será suficiente para jogar a economia mundial em uma retração”, acrescentou.
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Ainda em sua visão, o Brasil sofrerá esses impactos, mesmo porque o Japão teve uma parcela significativa nos investimentos diretos no Brasil no ano passado, o que revela que o país é um player relevante. Todavia, esses efeitos não serão suficientes para reverter as boas tendências do País. “Os impactos serão marginais”, finalizou o economista da Federação.