Economia dos EUA

Para El-Erian, Fed se deparará com uma das situações mais difíceis da história

Com reaquecimento da economia dos Estados Unidos, autoridade monetária venderá cerca de centenas de bilhões de dólares de ativos; a dúvida é: como o mercado reagirá a esse processo?

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – Eventualmente, o Federal Reserve terá que vender as centenas de bilhões de dólares de ativos adquiridas nos momentos mais difíceis, com o objetivo de manter a economia aquecida. Entretanto, quando a situação econômica dos Estados Unidos melhorar, como o mercado acionário reagirá a esse processo?

De acordo com o fundador da maior gestora de renda fixa do mundo, a Pimco, Mohamed El-Erian, esta saída será uma das mais desafiadoras para a autoridade monetária norte-americana, assim como é para qualquer banco central.

Em entrevista à CNBC, El-Erian destacou três hipóteses que o mercado está condicionado a acreditar, dizendo que concorda com eles. A primeira é a de que o Fed não irá tolerar uma grande liquidação em ativos de risco, a segunda é de que a autoridade monetária vem forçando os outros bancos centrais a serem mais agressivos. Já a terceira e última envolve a crença de que os investidores podem passar ilesos pelas questões políticas enfrentadas atualmente nos EUA. 

Com a política acomodatícia e pouco convencional, o Federal Reserve tem sido levado a alterar os preços artificialmente, mudando o comportamento dos investidores, acrescentou.

De acordo com ele, ainda não é o momento para o Fed reverter a sua política de flexibilização monetária, com as taxas de juro ficando perto de zero por um bom tempo. Mas, quando isso acontecer, aponta o gestor, o cenário a ser instalado será “incrivelmente complexo”. 

Economia comprometida
Segundo ele, ao contrário dos períodos anteriores, a economia norte-americana é estruturalmente comprometida. Caso tire o estímulo, avalia, a atividade do país não será a mesma.

Entretanto, enquanto os estímulos ainda são válidos, ele ressalta que a economia dos EUA está se recuperando, tendo como reflexo a recuperação no mercado de trabalho, imobiliário e, principalmente no resultado das empresas.

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