Será?

Para David Weiner, compra da NYSE pela ICE mostra “a morte das ações”

Empresas que operam sistemas de derivativos e commodities eram os compradores naturais das operadoras de mercados de ações

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SÃO PAULO – A compra da NYSE Euronext pela ICE (Intercontinental Exchange) foi vista como uma surpresa para muitos, tanto no Brasil quanto no próprio Estados Unidos. Para David Weiner, colunista do MarketWatch, essa aquisição representa a “morte” do mercado de ações. Com os resultados ruins dos mercados acionários desde o início da crise de 2008 e com o desenvolvimento de plataformas de negociação de derivativos como o da ICE, o negócio não seria surpreendente, segundo ele. 

A queda do preço das ações, a concorrência entre as bolsas e as novas regulações do mercado derrubaram as margens de lucros das plataformas de negociação de ações. A única forma de lucrar seria com a listagem de novas empresas. Com a crise de 2008, o mercado de IPOs (Initial Public Offerings) diminuiu o bastante a ponto de zerar os lucros de algumas bolsas – e as fizeram buscar por parcerias no exterior para compensar essa situação. 

Enquanto isso, salienta Weiner, empresas que operavam sistemas de derivativos e commodities tiveram crescimento espetacular – é o caso da CME (Chicago Mercantile Exchange), da CBOE (Chicago Board Options Exchange) e da própria ICE. “Sempre houve a especulação de que essas empresas comprariam as bolsas de ações. Mas os executivos dos mercados de derivativos sempre tiveram uma postura de perguntar ‘por que a gente precisaria deles?'”, afirma. 

Neste momento, a ICE resolveu agir e e adquiriu a NYSE. Em um negócio de US$ 8,2 bilhões, a ICE conseguiu comprar a marca mais forte entre todas as operações de bolsas de ações. O prêmio pago em relação às cotações da Nyse Euronext poderá ser amortizado com oportunidades de sinergias com tecnologias e outras eficiências naturais do mercado.