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SÃO PAULO – A relação dívida/PIB deve crescer ligeiramente em 2005 e, assim, não deve repetir a queda apresentada em 2004. Essa foi a conclusão da equipe de economistas do banco de investimentos Credit Suisse First Boston (CSFB) no relatório onde considerou os rumos das economias mundial e brasileira.
A relação dívida/PIB mede o montante da dívida do governo brasileiro em relação ao Produto Interno Bruto do país. Para o banco, quanto maior esta relação, maior é a probabilidade do país precisar conviver com juros elevados no futuro.
País pode dever mais em relação ao que produz
O banco acredita que a relação deve crescer ligeiramente para 52% em 2005, pois considera que os cenários projetados para as economias doméstica e internacional não farão com que a trajetória de queda continue. Vale lembrar ainda que, o indicador caiu de 57,2% em 2003 para 51,8% em 2004.
Para se ter uma idéia melhor sobre o que é o indicador, a relação apurada em 2004 indica que o Brasil tem dívidas equivalentes a 51,8% de tudo o que foi produzido no país em 2004, em termos monetários; ou seja, o valor somado de todos os automóveis, alimentos, serviços e outros bens e serviços produzidos.
Superávit primário, inflação, juro e câmbio
As perspectivas do CSFB são relativamente pessimistas, pois o Brasil reduziu sua meta de superávit primário em 2005 em 0,25% para 4,25%. Ou seja, o governo pretende arrecadar mais do que gasta, quando se exclui os pagamentos com juros, em 4,25% do Produto Interno Bruto.
Além disso, a taxa básica de juro média em 2005 deve ficar em 18,8%, acima dos 16,4% de 2004, bem como a inflação, que deve desacelerar, com o IGP-DI passando de 12,15 para 6,4% e o câmbio deve ficar em R$ 2,80, contra R$ 2,65 de 2004.
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Dados interessantes
Em seu relatório, o banco estimou que cada 1% de alta na taxa média da Selic eleva a relação dívida/PIB em 0,33%. Por sua vez, cada 1% de depreciação do câmbio eleva a relação em 0,10%. No entanto, cada 1% de elevação do PIB reduz o indicador em 0,44%.
Os economistas do banco estimam que o país cresça 3,7% em 2005, que o câmbio deprecie 5,7% e que a inflação, medida pelo IPCA, atinja 5,7%. Com estas variáveis, o banco estima que o superávit primário necessário para a manutenção da relação Dívida/PIB em 51,8% seja de 4,4%, acima das metas previstas.