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SÃO PAULO – Os países desenvolvidos podem recorrer ao protecionismo e a depreciação de suas moedas para tentar registrar crescimento em suas economias, afirma o Standard Bank. Porém, medidas como essas podem vir a diminuir o crescimento da economia global, inclusive desses próprios países.
De acordo com Steven Barrow, analista do banco sul-africano, com a ausência da recuperação “natural” dessas nações, além da falha dos estímulos fiscais e monetários, só resta duas formas em que países desenvolvidos podem voltar a registrar aumentos em suas atividades econômicas: tentando “roubar” crescimento de outras nações ou através de mudanças nos preços dos produtos.
Protecionismo pode atrapalhar economia
Esse roubo poderia ser feito de duas formas. “Isso vem primariamente de depreciação na moeda ou protecionismo”, destaca Barrow. A primeira opção já foi realizada por países como o Japão e Suíça, que tentam manter suas divisas depreciadas o suficiente para estimular a competitividade seus produtos e garantir que haja produção. Ela pode ser adotada, junto com formas de criar reservas de mercado, por outros países desenvolvidos.
Isso seria efetivo? Não, já que o protecionismo pode diminuir a força da economia global, diminuindo as chances de que os países desenvolvidos “roubem” o crescimento de outros efetivamente. “Temo que se o crescimento não retome através dessas formas, esse tipo de ‘solução’ se torne mais comum entre os principais países desenvolvidos”, afirma o analista.
Sobe ou desce?
Porém, uma retomada por conta das alterações nos preços ainda é objeto de discussão: existe uma falta de consenso se a necessidade seria de deflação ou de inflação. De acordo com Barrow, uma guinada tem ocorrido, especialmente nos preços dos commodities. “Parece um ajuste natural, já que o fraco nível de atividade de econômica não consegue sustentar preços-altos de matérias-primas”, lembra Barrow. Assim, conforme há queda nesse tipo de preço, a renda volta a subir e o crescimento retornaria.
“A situação, porém, é muito complicada pelo fato de que as dívidas estão altas, assim como a liquidez”, destaca o analista. A forte liquidez faria com que investidores continuassem a investir em commodities, continuando a manter os preços elevados e não permitindo que o mundo retomasse a condição necessária para o retorno de crescimento.
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Contudo, isso pode vir a ser bom, já que uma inflação mais agressiva pode também ser necessária, pois redistribuiria os recursos entre credores e endividados. A dívida cresce conforme as taxas de juros excedem o crescimento nominal, uma equação que pode ajudar o pagamento das dívidas se a inflação é grande – trazendo os juros para o campo negativo.