Para consultoria, 2009 será ano recorde para indústria global de fundos

Fundos de ações europeus podem ter primeiro fluxo anual positivo desde 2002; já fundos de ações dos EUA devem ter seu pior ano

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SÃO PAULO – Para a EPFR Global, que monitora o mercado global de fundos, 2009 entrará para a história como um bom ano para os fundos de maneira geral, com algumas categorias conseguindo performances excelentes e atraindo investimentos recordes.

A semana terminada em 16 de dezembro não foi muito diferente das tendências apresentadas recentemente. “Faltando duas semanas até o final do ano, os dados apontam para entradas de capital recordes nos fundos de mercados globais emergentes, asiáticos (exceto Japão) e fundos de ações da América Latina”, afirma a consultoria. O mesmo vale para fundos de commodities, bonds globais, bonds norte-americanos e bonds de alto retorno.

Já os fundos do chamado “money market”, que investem em ativos de dívida de curto prazo – ou seja, tem um perfil de menor risco -, viram saídas de capital de US$ 37,5 bilhões, levando o total de retiradas do ano para mais de US$ 500 bilhões. Os fundos de ações norte-americanos também caminham para encerrar 2009 com saídas recordes de investimentos.

Emergentes
Apesar de um resultado mais modesto na última semana, marcada por expectativas sobre a decisão do Fed – com entrada líquida de US$ 571,4 milhões -, a alocação de capital em fundos de ações de mercados emergentes ultrapassou os US$ 75 bilhões na metade de dezembro, superando o recorde anterior de US$ 54 bilhões, estabelecido em 2007.

Os fundos de ações de mercados globais emergentes e os fundos de ações asiáticos (exceto Japão) também tiveram fluxo positivo de US$ 404 milhões e US$ 301 milhões, respectivamente, e também têm resultados acumulados no ano acima de seus recordes anteriores – com US$ 39 bilhões e US$ 24,7 bilhões, na mesma ordem.

Já os fundos de ações da América Latina tiveram retiradas de capital pela segunda vez nos últimos três meses, em meio a preocupações geradas pelo corte no rating do México. O grupo, contudo, já ultrapassou no ano os recordes estabelecidos em 2007.

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Os fundos de ações brasileiros tiveram fluxo positivo pela 13ª vez em 14 semanas, também estabelecendo um ano recorde. O mesmo ocorreu nos demais fundos dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Europa e Estados Unidos
O resultado positivo se estende também para os fundos de ações europeus, que apesar da captação modesta na última semana, devem terminar o ano com superávit pela primeira vez em mais de sete anos. “Entretanto, com indicadores não tão positivos da Alemanha em novembro, as agências de classificação de risco atentas e a nacionalização de um dos grandes bancos na Áustria, a situação pode se inverter”, afirma a EPFR.

Os fundos de ações norte-americanos, por sua vez, tiveram o primeiro resultado positivo depois de três semanas de saídas de capital. Apesar disso, segundo a consultoria, isso não deve impedir que a categoria tenha o pior ano em termos de fluxo de capital – até o dia 16, as saídas acumulavam US$ 84,7 bilhões.

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Setores
Os fundos de commodities acompanhados pela EPFR conseguiram se recuperar na segunda semana de dezembro, captando US$ 683 milhões e levando o total do ano para US$ 17 bilhões.

O destaque da semana, contudo, fica com o setor de energia e saneamento, que teve a melhor semana do ano, com entradas de capital de US$ 525 milhões. O setor foi beneficiado pela percepção de que o encontro dos países em Copenhague não resultará em novas regras.

Renda Fixa
Os fundos de bonds seguem em um bom momento. Os fundos de bonds globais absorveram US$ 1,85 bilhão, em sua 36ª semana consecutiva no campo positivo, e a 14ª em que captam mais de US$ 1 bilhão.

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Os bonds norte-americanos, por sua vez, captaram US$ 2,48 bilhões na semana, levando o acumulado do ano para mais de US$ 140 bilhões. Os fundos de títulos do governo de alto retorno também seguem no caminho para um ano recorde, com US$ 30 bilhões no acumulado de 2009.

Por outro lado, os fundos de bonds de mercados emergentes não devem ter um ano recorde em 2009, apesar do bom desempenho.