Opinião CoinDesk

Para consultores financeiros, o Bitcoin é a próxima Nasdaq

A oportunidade de investimento em Bitcoin era de uma única empresa, mas agora está mais para uma classe inteira de ativos

Por  CoinDesk -

*Por Andy Edstrom

Consultores financeiros gostam de dizer que o Bitcoin (BTC) é apenas uma cópia da Nasdaq, por conta da volatilidade do preço e da alta correlação com as ações de tecnologia.

Eles estão mais certos do que pensam, mas pelos motivos errados. Nos anos 2020, o BTC deve provar que vai conduzir os retornos de investimentos aos portfólios dos investidores, assim como as empresas no topo da lista da Nasdaq fizeram na década passada. Cabe a esses consultores posicionarem seus clientes adequadamente.

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No final de 2020, eu defendi que o Bitcoin era a próxima Amazon. Tanta coisa mudou desde então que essa perspectiva precisa ser revista. Embora eu ainda acredite que os retornos de porcentagem de futuro do BTC estejam no mesmo nível dos da Amazon (AMZN) uma década atrás, colocar o potencial de investimento do Bitcoin nos termos de uma única empresa é hoje bastante limitante.

Hoje em dia, é melhor compará-lo com a elite da Nasdaq. Com capitalização total de mercado de mais de US$ 20 trilhões, esse índice e seus primeiros constituintes foram os primeiros criadores de riqueza para investidores de ações na última década. As sete maiores companhias do índice – Apple (AAPL), Microsoft (MSFT), Alphabet (GOOG), Amazon, Tesla (TSLA), Nvidia (NVDA) e Meta (FB) – acumularam aproximadamente US$ 11 trilhões de valor total – destes, cerca de US$ 10 trilhões destes (90%) foram gerados na última década.

Mas as circunstâncias mudaram para esse grupo extraordinário de empresas bem-sucedidas. Elas estão enfrentando mais obstáculos, especialmente regulatórios e de aumento de inflação (e, portanto, de taxas de juros).

Os obstáculos dos queridinhos da Nasdaq

Antes da eleição americana de novembro de 2020, eu julguei que os riscos regulatórios do Bitcoin já eram mais baixos que os dos gigantes da Nasdaq. A opinião pública já se virou contra esses titãs da indústria de dados, incitada pelas preocupações quanto à corrupção e manipulação das eleições. Expressões como “capitalismo de vigilância” passaram a fazer parte do vocabulário.

O Congresso americano estava aumentando a vigilância da indústria à medida que o povo percebia que essas empresas nos enganam ao:

  1. providenciar serviços cuja produção tem um custo marginal quase inexistente e que valem muito menos do que os dados que lhes fornecemos;
  2. destruir nossa privacidade, pegando nossos dados e vendendo a terceiros;
  3. efetivamente hackear a porção primitiva do nosso cérebro e fornecer serotonina com “likes” e interações que são, por natureza, viciantes e nos deixam infelizes no geral;
  4. reduzir nossa habilidade de concentração e raciocínio devido à constante estimulação;
  5. criar ecos polarizantes que semeiam o ódio;
  6. espalhar informações falsas que podem resultar em um enfraquecimento da democracia;
  7. transformar o jornalismo em um modelo de negócios dominado pelo clickbait;
  8. possivelmente até destruir empregos e sustentos ao acelerar a automação da economia americana.

Isso foi antes da criação de um regulador de concorrência que parece estar disposto a controlar os monopolistas da internet e intensificar medidas de reguladores europeus, que já estavam nesse caminho. Basta dizer que o caminho regulatório para os membros da elite da Nasdaq ficou ainda mais cheio de percalços, e agora é mais difícil eles repetirem, nesta década, o retorno de 10 vezes que conseguiram na década passada.

A grande inflação dos anos 2020

Para entender a importância do Bitcoin para a próxima década, você deve começar com a inflação. Ela é impossível de prever, já que incorpora um grande componente social e psicológico. Pode levar algum tempo até a população mudar suas expectativas para o futuro, pedir por maiores salários hoje, negociar futuros aumentos de salário fixos e completar a espiral inflacionária do salário/preço.

No entanto, há vários agentes inflacionários que não dependem da imprevisível psicologia humana e eles estão implorando por uma maior inflação sustentada. Alguns dos maiores fatores inflacionários são:

  • A desglobalização (retorno de cadeias produtivas ao país de origem) por conta da pandemia e dos crescentes conflitos geopolíticos entre grandes poderes (cujo exemplo mais recente é a guerra na Ucrânia) reduz o acesso global tanto a commodities baratas quanto à mão de obra barata;
  • A queda na quantidade de trabalhadores americanos impulsionada pela saída dos boomers (segunda maior geração da história) do mercado de trabalho não pode ser compensada por novos trabalhadores, porque a geração Y é muito menor. Isso aumenta os custos de produção de bens e serviços. Esse cenário demográfico é parecido no mundo inteiro. As quedas na taxa de natalidade das últimas décadas têm criado cada vez menos grupos de jovens adultos entrando no mercado de trabalho. Menos trabalhadores significa maior inflação;
  • O elevado déficit orçamental do governo, devido a inúmeros fatores — incluindo pagamentos de benefícios —, precisa de maiores empréstimos e maior monetização da dívida governamental. Isso aumenta a quantidade de dinheiro por trás de bens e serviços.

Por conta desses fatores inflacionários, analistas inteligentes dos anos 2020 traçaram comparações tanto com os anos 1940 quanto com os 1970. Ambos os períodos tiveram alta inflação de preço do consumidor que ultrapassou significativamente as taxas de juros, o que ajudou a economia a manter sua dívida. Além disso, hoje em dia, o nível total de dívida, comparado à produção econômica total, é muito mais alto do que naqueles períodos, o que torna a inflação potencial ainda maior.

Nos anos 1940, ter ouro como investimento era proibido. Isso não impediu os americanos de deter o metal precioso para proteger seu poder de compra. Nos anos 1970, o ouro era o ativo de melhor performance. Investidores do ouro ganharam, anualmente, 30%. Em comparação, o retorno de ações foi de apenas 5% no ano. Com a inflação a 7% anuais, ações perderam cerca de 2% do seu poder de compra por ano naquela década. Títulos públicos perderam 4% anuais em termos reais.

Tudo isso nos leva ao ouro digital: o Bitcoin. Com valor total de cerca de US$ 600 bilhões, o BTC tem, em termos nominais, aproximadamente o mesmo valor dos sete maiores membros da Nasdaq uma década atrás. E a criptomoeda pode facilmente acumular outros US$ 10 trilhões de valor nesta década, como fizeram essas empresas há 10 anos.

A última década foi muito boa para a Nasdaq, mas o mercado está sugerindo que isso está prestes a acabar. Recentemente, o preço do Bitcoin também sofreu. No entanto, visto que ele é o maior ativo monetário já inventado e as forças da inflação parecem ter vindo para ficar, eu acredito que o Bitcoin vai ser o ativo essencial dos anos 2020.

*Andy Edstrom é consultor financeiro e diretor da Swan Bitcoin. Ele é autor de “Why Buy Bitcoin” e contribui para a Crypto for Advisors, newsletter do CoinDesk

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