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Para o Bank of America (BofA), o Banco Central do Brasil pode começar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic, ainda em dezembro deste ano (em 0,5 ponto, para 14,5% ao ano), antes do que o mercado projeta, e isso tende a beneficiar as chamadas bond proxies, ou seja, ações que se comportam de forma semelhante a títulos de renda fixa.
O relatório de empregos dos Estados Unidos, conhecido como payroll, indica que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, deve promover um corte de juros em setembro, enquanto variáveis domésticas como atividade econômica, inflação e expectativas de preços se moveram em direção favorável para uma política monetária mais branda.
Analistas do Bank of America (BofA) avaliam que o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou o último aumento de juros deste ciclo e que a Selic deve chegar a 11,25% até o final de 2026, enquanto o mercado projeta juros próximos de 13%. O consenso do mercado também projeta que a Selic cairá, mas apenas ano que vem.
Viva do lucro de grandes empresas
O BofA acredita que uma compressão nas taxas deve continuar beneficiando ações proxies de títulos, mesmo que as avaliações atuais não estejam tão descontadas como estavam há um mês, quando as taxas nominais de dez anos se comprimiram em 100 pontos-base e o Ibovespa avançou 9%.
No relatório divulgado pelo BofA, os estrategistas observam que cortes de juros podem se estender a outros países da América Latina, como Colômbia e México, nos próximos anos. Entre os fatores que sustentam essa visão estão a expectativa de um dólar americano mais fraco, a desaceleração das economias dos Estados Unidos e da China e a ausência de pressões de alta nos preços do petróleo. Produtos chineses mais baratos nos mercados emergentes ajudam a segurar a inflação global. A equipe de economia do BofA projeta cortes de 125 pontos-base no Fed até o final de 2026.
No Brasil, com a Selic em 15%, descontada a inflação prevista para o final de 2026, a taxa real chega a 11%. Na Colômbia, a taxa é de 9,25% (6,25% real) e no México, de 7,75% (4,25% real), valores acima das estimativas de taxas neutras dos bancos centrais, que indicam o ponto de equilíbrio entre estímulo à economia e controle da inflação.
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Para o BofA, esses números indicam espaço para reduções relevantes nos próximos anos, com trajetória controlada da inflação, atividade econômica estável e valorização do real. Políticas fiscais mais flexíveis e possíveis depreciações da moeda por tensões comerciais aparecem como riscos.
Setores preferidos e prêmios de risco
No setor de utilities, que inclui empresas de concessão de energia e saneamento, as preferências do BofA são Sabesp (SBSP3), com aproximadamente 30% da taxa de crescimento anual composta (CAGR) do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em três anos e negociando a 1,05x a relação entre o valor total da empresa e o valor dos ativos regulatórios utilizados para gerar receita (Ev/RAB) em projeções para 2026.

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Há ainda a Copel (CPLE6), com cerca de 15% de CAGR do Ebitda e dividendos recorrentes de dois dígitos. A Eneva é citada como beneficiária das necessidades de capacidade térmica do sistema, enquanto a Eletrobras aparece como a mais exposta ao aumento do hydro premium no Brasil, ou seja, o prêmio associado à geração hidrelétrica.
No setor de transporte, Ecorodovias (ECOR3) apresenta melhor relação risco-retorno, com taxa interna de retorno (TIR) de 11,3% em termos reais, chegando a 14,4% caso a empresa não faça uma emissão subsequente de ações (follow-on). Isso porque um follow-on aumenta o número de ações em circulação, o que pode diluir o retorno por ação e reduzir a TIR projetada para os investidores atuais.
A ação da Rumo (RAIL3), avaliada como compra pelo BofA, caiu 12% em agosto, por causa da redução das expectativas de retorno para 2026. Motiva (MOTV3), com rating Neutro, apresenta valuation mais esticado, com TIR de 9,0%.
Shoppings continuam sendo atraentes para os analistas, com spreads de TIR em relação a juros 200 pontos-base acima do período pré-covid. No setor de shoppings, Iguatemi (IGTI11) é citada como preferida. A empresa apresenta desconto de 15% na relação entre o preço da ação e os fundos provenientes da operação (P/FFO) em relação à Multiplan.
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O spread de yield FFO, que indica a diferença entre o retorno do fluxo de caixa operacional da Iguatemi e o retorno da Multiplan, segundo cálculos dos analistas, está em 230 pontos-base, aproveitando a exposição da empresa ao consumidor de alta renda.
No setor de telecomunicações, Vivo (VIVT3) segue como destaque, com crescimento de 8% no mês passado, enquanto TIM (TIMS3) avançou 10%. A preferência se mantém devido à diversificação de receitas, menor exposição a pré-pago e potencial para revisão de lucro com migração de concessão. O fluxo de caixa para o acionista (FCFE) projetado para 2026/27 chega a 10% e 11%.
Quando se observa o custo de capital próprio, o prêmio de risco é muito maior para investidores estrangeiros, observa o banco. Considerando a taxa livre de risco sob a perspectiva deles, que inclui a taxa dos Estados Unidos, diferencial de inflação e seguro de crédito (CDS) do Brasil, o prêmio mediano é de 9% para ações bond-proxy.
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Para investidores locais, utilizando o rendimento dos títulos públicos brasileiros de dez anos como taxa livre de risco, o prêmio cai para 1,5%.