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SÃO PAULO – Quão sensível a balança comercial brasileira é às variações de preços das commodities? Para os analistas do Bank of America Merrill Lynch, bem menos do que se imagina. Segundo eles, a melhora da balança comercial brasileira tem muito pouca ligação com a dinâmica dos preços das commodities – seu avanço pode ser explicado, principalmente, pela queda mais acelerada das importações frente ao volume de exportações.
“Enquanto os preços das commodities veem uma queda de mais de 45% desde seu pico em junho do ano passado, a balança comercial brasileira vem melhorando constantemente em 2009”, afirmam os analistas. Os últimos dados, divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) na manhã desta terça-feira (8), apontam que a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 480 milhões na primeira semana de setembro, levando o saldo acumulado no ano para US$ 20,4 bilhões.
Para o BofA, as preocupações a respeito da ligação entre a balança comercial brasileira e as commodities já eram visíveis há um ano – e na época, os analistas do banco norte-americano já acreditavam que a relação não era tão direta. “Os investidores estão certos em se preocupar com a queda em curto prazo relacionada ao recuo das commodities – fortemente relacionadas ao mercado de renda variável local – mas é preciso reconhecer que uma ausência de impacto na economia real do País mantém a tese de macro investimento brasileira intacta”.
Volumes, não preços
Para explicar esse movimento, os analistas do banco avaliam os volumes de exportações e importações. Desde 2006, o volume de exportações girava em torno de 5% – até 2008, quando o ritmo de crescimento do volume de exportação começou a decair de maneira consistente. Esse processo, segundo o BoA, foi acelerado pela crise e atualmente a contração de volume é de aproximadamente 10%.
Já as importações, que viram seu volume aumentar no ano passado, atingindo, em seu pico, avanço de mais de 25%, sofreram forte desaceleração, e atualmente também têm contração de volume em torno de 10%.
“O mais interessante é avaliar como esses movimentos são próximos”, afirmam os analistas. Segundo eles, isso se deve ao fato – subestimado – de que as importações brasileiras também são sensíveis aos preços de commodities, em especial as de energia, que também pode ser comprovado pelas mínimas variações nas normas de comércio externo brasileiras. “Como normalmente é o caso no Brasil, os termos de comércio têm se mantido relativamente durante a crise, período no qual preços de importação recuaram consideravelmente”.
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Depois do início da crise, tanto as importações quanto as exportações passaram a crescer menos, e atualmente apresentam uma contração de 14% em base de comparação de 12 meses. “Como as importações desaceleraram de um ritmo muito mais rápido, o superávit da balança comercial avançou”, explicam.
Dessa maneira, a melhora do resultado tem pouca ligação com a dinâmica de preços das commodities. “A aceleração marginal da demanda doméstica (em especial por bens de capital) foi maior do que a desaceleração da demanda externa”, afirmam os analistas, que ressaltam que isso não significa, necessariamente, que o Brasil tenha sido mais impactado pela recessão”, afirmam os analistas.
China
Segundo a instituição, a China se tornou o principal destino das exportações brasileiras. No total, o país é responsável por 14,8% das exportações, avanço de 6% – e ultrapassou a Argentina, que até antes da crise era o país com maior participação nas exportações brasileiras.
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Os demais países asiáticos, por sua vez, também aumentaram sua participação nas exportações brasileiras e hoje representam 12,1% da demanda – compensando a queda nas exportações para Estados Unidos, Europa e Argentina.