Para Bob Doll, correções no mercado são “parte normal do processo de recuperação”

Para chefe de investimentos da BlackRock, retomada econômica virá "em algum ponto no segundo semestre do ano"

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SÃO PAULO – Aos olhos do CIO (Chief Investiment Officer) da gestora de fundos BlackRock, Bob Doll, atualmente existe um forte debate entre investidores com visões bullish e bearish no mercado acionário.

Os primeiros estão convencidos de que os consumidores estão sobrecarregados de dívida e não serão capazes de gastar. Além disso, acreditam que o sistema bancário está desregulado e os preços no mercado imobiliário continuam em queda livre. Os segundos, por outro lado, acreditam que uma retomada na economia global está começando e que o mercado imobiliário está melhorando. A recuperação dos mercados emergentes vai impulsionar o crescimento mundial e o sentimento de cautela já foi precificado pelo mercado.

Para Doll, ambos os lados tem sua validade. Olhando para a correção da última semana, o gestor espera que a volatilidade permaneça elevada. “Correções no mercado são parte normal do processo de recuperação, mas nós não esperamos ver uma repetição das condições de mercado existentes em janeiro e fevereiro”. Naquela época, as dúvidas quanto a eficácias das ações públicas de combate à crise, temores de nacionalização de bancos e uma série de indicadores econômicos negativos pressionavam os mercados.

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“Está claro para nós que as condições melhoraram desde então, e nós reiteramos que nossa visão de preço-alvo para o S&P 500 de 1.000 pontos parece razoável, embora nós também saibamos que o índice pode novamente ver o patamar de 800 pontos primeiro”, conclui o CIO da BlackRock.

Recuperação no segundo semestre

Alguns indicadores piores que o previsto combinados a um movimento de realização de lucros causaram, na última semana, o primeiro declínio semanal significativo nos mercados em aproximadamente dois meses.

Diante desta tendência negativa, Doll crê que alguns investidores estão questionando se a economia está de fato se recuperando. O gestor continua acreditando que ocorrerá uma retomada lenta e desigual, além do fato de que a economia ainda enfrenta problemas significativos com o crédito e também questões preocupantes relacionas à desalavangem.

Formadores de política monetária nos Estados Unidos e ao redor do mundo estão trabalhando pesado em sua missão de recuperação, que está longe de ter acabado. “Em suma, a nossa opinião é que uma recuperação econômica global vai surgir em algum ponto no segundo semestre do ano”.

Doll continua surpreso com o número de investidores preocupados com pressões inflacionárias. Em sua opinião, estas pressões não devem ser um problema durante os próximos anos, e persiste com a visão de que a deflação deve ser a maior preocupação.