Para analistas, decisão do Copom tem como destaques unanimidade e perspectivas

Aumento do juro foi em geral bem recebido pelo mercado, que avalia possibilidade de novas elevações do juro básico

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SÃO PAULO – A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar o juro básico em 0,25 ponto percentual, anunciada na véspera, em geral foi bem recebida pelos analistas do mercado, que destacam a unanimidade entre os membros do comitê e a perspectiva de nova elevação do juro básico em julho.

Segundo os consultores da LCA, “com essa decisão, o Banco Central reitera seu compromisso de trazer a inflação para a trajetória de metas no ano que vem”. Já os analistas da Ativa destacam que a decisão “aponta para um ciclo de ajuste mais prolongado”.

Os economistas do banco Fator, por sua vez, destacam que o comunicado da decisão frisou o peso que comitê dá para a “evolução da atividade doméstica e à complexidade da economia mundial”. Desta forma, avaliam que a decisão de setembro do comitê deverá ser delineada por esses dois pontos.

Encerramento do ciclo de aumento em julho?
A equipe de consultores da LCA destaca que a decisão do Copom na véspera contou com a unanimidade dos membros do comitê e foi amplamente antecipada pelo mercado. A avaliação é que esse aumento do juro básico reforça o comprometimento do BC em trazer a inflação para a trajetória de metas no próximo ano, fato que poderia melhorar as expectativas inflacionárias.

Sobre o comunicado da decisão, os consultores consideram que desta vez, o BC não somente se mostrou mais seguro do seu plano de aperto monetário para controlar a inflação, mas também aumentou “marginalmente a chance do ajuste continuar além de julho”.

Desta forma, a avaliação é que “é mais provável o encerramento do ciclo de aperto em julho, com a Selic em 12,50%”. Para os consultores, a possibilidade de que ocorram mais apertos além dessa próxima reunião do comitê “parecem vir diminuindo”, embora ainda não possam ser descartadas.

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Alta na próxima reunião
Na mesma linha, os analistas da Ativa também destacam a unanimidade da decisão entre os membros do comitê e a decisão em linha com as expectativas dos analistas.

“Tendo em vista a sinalização da última ata, considerando o risco de uma alta na inflação e o ritmo incerto de atividade, o Copom aponta para um ciclo de ajuste mais prolongado, então esperamos mais uma alta de 25 pontos base na reunião de julho”, afirmam os analistas.

Troca de palavras
Os economistas do banco Fator, liderados por José Francisco de Lima, também destacam o fato da decisão ter ficado em linha com as expectativas e a unanimidade entre os membros do comitê. Além disso, avaliam ainda que no comunicado da decisão “o comitê deixa claro que a intenção é repetir o movimento na sua próxima reunião, em julho”.

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Ainda sobre o comunicado, a inclusão e a exclusão de alguns termos usados pelo comitê mereceu destaque especial dos economistas. Primeiro, a inclusão da palavra “gradual”, que qualificaria o ajuste monetário promovido pelo Copom.

Depois, a exclusão da expressão “neste momento”, que denotaria a avaliação dos riscos pelo comitê. Outro termo novo do comunicado que foi destacado é a referência “continua sendo”, relacionada a estratégia adotada na reunião de abril. Por fim, a manutenção da expressão “período suficientemente prolongado” seria a “grande referência para a comunicação sobre a extensão do ajuste total”.

Assim, os economistas do Fator entendem que a alta do juro básico em julho já estaria sinalizada. Para setembro, a decisão seria pautada na evolução da atividade doméstica e na complexidade da economia mundial.