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SÃO PAULO – O movimento do dólar comercial impressiona. Depois de bater em R$ 2,50 em dezembro do ano passado, a divisa gradativamente foi perdendo força, até chegar ao atual patamar, em torno de R$ 1,73. Considerando apenas o acumulado dos últimos trinta dias, o real já avançou pouco mais de 5% frente à divisa norte-americana. E a tendência do dólar parece continuar ladeira abaixo.
Essa impressão fica pelo fluxo de investimentos estrangeiros no Brasil. O mercado local que parecia atrativo pela resistência que a economia demonstrou diante da crise entra ainda mais em evidência com questões como o investment grade concedido pela Moody’s algumas semanas atrás e a perspectiva de novos investimentos que eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas trazem.
Há ainda um novo fator para esta percepção: as ofertas de ações. O mercado reaquecido atrai cada vez mais o capital estrangeiro e consequentemente as ofertas. Na semana passada, o Santander movimentou R$ 14,1 bilhões com a estreia de suas units na BM&F Bovespa.
“A princípio a leitura do mercado é que já está lá, mas o câmbio está mesmo pressionado e como ainda temos mais emissões à frente, o estrangeiro está vendo isso, então o câmbio tem uma pressão de queda ainda”, comentou Maurício Saldanha, diretor de renda variável da Queluz Asset Management.
Mais fluxo
A depender do cenário para as ofertas públicas na bolsa, a tendência é mesmo de mais dólares entrando na economia brasileira. Na última quinta-feira (7), o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, declarou que dois IPOs (Initial Public Offerings) ainda devem ocorrer em breve.
Por outro lado, Sidnei Nehme, NGO Corretora de Câmbio, acredita que o dinheiro entrou, mas o Banco Central comprou. Em sua opinião, a pressão sobre a divisa norte-americana vem do fato dos bancos terem se antecipado e ficado vendidos, “então eles estrategicamente jogam a taxa para baixo para que o ingresso dessa moeda aconteça a preço bem baixo e eles se cubram”.
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Segundo os últimos dados do fluxo cambial, o Banco Central comprou em setembro um total de US$ 3,481 bilhões – a maior quantia desde o início deste ciclo de intervenção, em maio deste ano.
“Se entrou e o BC compra, o impacto da oferta no mercado é mínimo. Até que se prove o contrário, até o dado conhecido, os bancos ainda estão vendidos em torno de US$ 2 bilhões, então enquanto eles não resolverem isto eles vão jogar a taxa para baixo”, reforça.
Intervenções contínuas
Esta rotina de intervenções do Banco Central tende a continuar, o que deve ser levado em conta em qualquer projeções para futuros patamares do dólar. Os esforços da autoridade ao longo deste ano sugerem relativa preocupação com os atuais patamares da divisa. Grosso modo, a perspectiva de entrada intensa da moeda norte-americana não parece o bastante para determinar projeções de real ainda mais apreciado no final deste ano.
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O próprio diretor-executivo da NGO acredita nesta possibilidade. Para Sidnei Nehme, depois que os bancos se cobrirem, a tendência é do dólar comercial voltar para algo mais próximo de R$ 1,80. Neste ambiente, o BC vai continuar comprando.
“É uma operação bastante cara para o BC, porque você tem uma diferença de taxas de juros interna para externa, mas não tem muito o que fazer, pois na realidade, a grande massa de nossa reserva cambial está sendo feita com esta estratégia, de aumento da dívida pública interna em reais e aumento das reservas cambiais em dólares. É uma operação útil, mas é cara”, conclui.