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SÃO PAULO – A Merrill Lynch divulgou relatório assinado pelo analista Francisco Blanch, contendo suas perspectivas para os preços do petróleo e comentários a respeito das oscilações nas últimas semanas. Segundo o analista, a recente alta nos preços é reflexo das expectativas acerca da oferta e demanda no longo prazo.
O atual cenário, em que os preços do barril de petróleo com vencimento no próximo mês estão bem abaixo dos preços para vencimento no mês seguinte, configurando o maior desconto em 20 anos, é reflexo de uma situação temporária de excesso de oferta da commodity.
De acordo com os analistas, esta situação tem encorajado um aumento substancial dos estoques de petróleo no mundo e tem contribuído para pressionar os preços nas duas últimas semanas.
Crescimento da demanda deve desacelerar
O aumento da demanda pelo petróleo deverá perder fôlego, seguindo o menor crescimento econômico global, mas os preços nos mercados futuros, aliados a gargalos de infra-estrutura, devem impulsionar os preços da commodity no curto prazo.
Com esse cenário, a Merrill Lynch espera que a média de preços para o WTI, petróleo negociado em Nova York, deve ficar em US$ 52,50 o barril no segundo trimestre, US$ 51,25 no terceiro trimestre e US$ 53,50 nos últimos três meses do ano.
OPEP pode reduzir a produção
O principal risco para estas previsões é a possibilidade do quadro econômico global piorar, levando a uma rápida desaceleração do crescimento da demanda pela commodity. Com isso, a oferta de petróleo continuaria excessiva, o que facilitaria um forte avanço dos estoques. Posteriormente, este quadro elevaria ainda mais a diferença de preços entre os contratos com vencimento próximo e seguinte a este.
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Entretanto, neste cenário, as expectativas são de que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) possa ser forçada a reduzir a produção do petróleo para prevenir um colapso de preços no curto prazo, como aconteceu em dezembro de 2004 quando os estoques estavam em seus níveis máximos
Mercado à vista e mercado futuro
Um fator amplamente citado pelo analista é a diferença de preços entre os períodos de vencimento dos contratos. Mais do que as flutuações de estoques, a Merrill Lynch acredita que o fator principal do aumento nos preços no mercado à vista é o preço da commodity no mercado futuro.
Portanto, além das flutuações nos estoques, os temores acerca da quantidade ofertada de petróleo no médio e no longo prazo e as condições da demanda nestes períodos têm elevado a cotação do petróleo no mercado à vista.
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No ultimo ano, a correlação entre os preços à vista e longo prazo eram baixas, indicando uma fraca relação entre as entregas imediatas e as de períodos mais longos. Contudo, com a redução da infra-estrutura de oferta, essa correlação tem aumentado.
No longo prazo barril deverá custar no mínimo US$ 45
Os analistas acreditam que a cotação do barril no longo prazo deverá ficar em linha com os preços atuais ou acima deles, para atrair capital para o setor, que atualmente possui baixos investimentos.
Desta maneira, a recente escalada dos preços nos mercados futuros é necessária para encorajar investimentos em projetos no setor. Para o longo prazo, a expectativa de preço dos analistas é de no mínimo US$ 45 dólares o barril, ou acima disso.