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SÃO PAULO – A atual tendência de baixa nos preços da celulose deve persistir no curto prazo, trazendo um período instável aos papéis das produtoras brasileiras da commodity, mas não deve ser um problema para o futuro. Na ótica de analistas, em geral os preços internacionais da matéria-prima devem seguir em patamares fortes pelo menos até 2011.
Em relação às ações, as produtoras brasileiras de celulose se beneficiam também do baixo custo de produção em comparação aos pares europeus e norte-americanos, o que alimenta as boas perspectivas para as companhias mesmo em meio ao clima negativo nos preços. “Os preços da celulose de fibra curta não devem ficar abaixo de US$ 800,00 por tonelada, um patamar bastante bom para as empresas brasileiras”, contextualizou o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos.
A crise e os preços
Para compreender o atual cenário que envolve as companhias do setor de celulose, é preciso voltar até 2008. “Na crise econômica de dois anos atrás, as empresas estavam produzindo muita celulose quando a demanda diminuiu. Com a oferta maior que a demanda, o movimento natural foi ver a baixa nos preços da celulose ao longo de 2008 e início de 2009”, avaliou o analista Leonardo Zanfelicio, da Concórdia Corretora. Para se ter uma ideia, em maio do ano passado, a celulose de fibra curta chegou a ser cotada abaixo dos US$ 500,00 por tonelada.
Mas, com a sinalização de que uma recuperação econômica ao menos parcial não demoraria a acontecer, os preços da celulose voltaram a subir em meados de 2009, quando, apoiados por uma série de medidas de estímulo, as importadoras voltaram a comprar a commodity, estimulando uma retomada nos preços. E eles subiram.
Apenas um ano depois, os preços da celulose de fibra curta atingiram os US$ 890,00 por tonelada, marcando um novo recorde histórico. “A alta nos preços foi influenciada também por eventos sazonais, como o terremoto no Chile e a greve dos portos na Finlândia, que restringiu a oferta do produto em meio à forte demanda, sustentado os fortes patamares dos preços da commodity”, completou Zanfelicio.
Essa forte demanda é a principal responsável pela alta dos preços no início do ano, segundo o analista Victor de Figueiredo, da Planner Corretora. “Quando olhamos de hoje para o passado, vemos que estamos em um momento totalmente diferente em um ciclo de alta da celulose, e o papel está indo junto, com um mercado bastante demandante. Houve uma recuperação da crise para cá bastante forte, basicamente baseado nos países emergentes. A demanda está norteando este aumento de preços”, disse.
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Nova baixa?
Em meio a cenário, os preços da celulose, no entanto, voltaram a cair nas últimas semanas. Mas, apesar das leves baixas, o consenso de mercado ainda se volta para um momento positivo e, em geral, a percepção é de que os preços deverão permanecer fortes até o próximo ano. Para explicar esse movimento, Airisto Martti, gerente sênior da empresa finlandesa Foex, que semanalmente compila os preços internacionais da celulose – índices acompanhados pelo mercado, revelou que houve um movimento “anormal’.
“O volume reduzido dos estoques de produtores da celulose, em conjunto com os menores níveis dos estoques dos portos e consumidores, bem como a nova desvalorização do dólar, deveriam normalmente contribuir para um aumento nos preços. Mas, a reentrada no mercado de volumes maiores de oferta da commodity ao final de junho e ao longo do mês de julho tornaram o mercado menos normal. Essa nova oferta teve de procurar por novos compradores, o que levou a uma redução nos preços”, explicou Martti em entrevista à InfoMoney.
Apenas um ajuste
Na visão do analista da Concórdia, Leonardo Zanfelicio, as quedas recentes auferidas no preço da celulose são um ajuste da forte alta que a commodity apresentou ao longo do final de 2009 e inicio deste ano. Em linha, o analista da Planner, Victor de Figueiredo, destacou que este movimento possui um horizonte limitado.
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“Eu não acredito que se inicie um novo ciclo de baixa. É possível que ainda mais uma redução na faixa dos US$ 50,00 a US$ 100,00 por tonelada, mas mesmo com os preços nesses níveis os preços ainda continuam muito remuneradores”, destacou Figueiredo. “Um crescimento menor em alguns índices pode se traduzir em alguma volatilidade, que é o que estamos vendo nos últimos dias, mas não é nada que possa afetar o bom momento que o setor vem presenciando”, completou.
O analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, manteve sua postura otimista com o setor. “Continuamos acreditando que essas quedas não são tão preocupantes, uma vez que não devemos ter um aumento significativo de oferta de celulose nos próximos anos”, avaliou. A Link manteve sua recomendação de desempenho acima da média do mercado para a Suzano (SUZB5), e de desempenho em linha com o mercado para a Klabin (KLBN4) e para a Fibria (FIBR3).