Papel e celulose: ações devem ser pressionadas com vendas do BNDES

Segundo analistas do Citi, a instituição diminuiu sua participação na Fibria e na Klabin; Suzano é recomendação do setor

Por  Roberto Hiroshi Nogata Júnior

SÃO PAULO – As recentes modificações no portfólio de ativos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) sugerem que o suporte da instituição ao setor de papel e celulose pode estar próximo do fim, gerando pressão nos papéis de algumas empresas. Esse é o tema da análise mensal do setor feita pelo Citigroup e divulgada na última sexta-feira (19).

Segundo os analistas Juan Tavarez e Felipe Koh, que assinam o relatório, neste ano o BNDESPar vendeu aproximadamente R$ 400 milhões em ações do setor de papel e celulose, pressionando os papéis da Fibria (FIBR3) e da Klabin (KLBN4).

Mudança de setores
Segundo dados recentes, o BNDES teria vendido R$ 900 milhões em posições dentro de vários setores, ao mesmo tempo em que incrementa sua participação em outros.

Dentro do segmento de papel e celulose, a instituição de fomento reduziu de 20% para 16%, durante o terceiro trimestre, sua participação na Klabin, e de 34% para 30%, no primeiro trimestre, sua participação na Fibria.

Impacto nas ações
No curto prazo, pode ocorrer clara pressão e limitado desempenho positivo nas ações da Klabin e da Fibria se o BNDESPar continuar a vender seus ativos dessas empresas no mercado, segundo os analistas do Citi.

Porém, eles afirmam que no longo prazo, as ações dessas empresas podem se beneficiar da melhora na liquidez que representaria a saída da posição por parte do BNDESPar.

Klabin
Segundo a dupla de analistas, as ações da Klabin têm maior probabilidade de sofrerem pressão no curto prazo, já que o BNDES procura sair de sua posição há vários anos. O banco pode diminuir sua participação para 10% ainda no curto prazo, de acordo com as projeções do Citi.

Entretanto, a empresa pode compensar parte dessa pressão recomprando ações. Já em relação ao longo prazo, a empresa deve beneficiar-se com a melhora na liquidez dos papéis.

Com recomendação de manutenção, o preço-alvo das ações é de R$ 6,20, upside (potencial teórico de valorização) de 33,62% em relação ao último fechamento.

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Fibria
A pressão no curto prazo para os papéis da Fibria deve ser menor, segundo os analistas, com a participação do BNDES atrelada a um acordo com cinco anos de duração – o banco pode vender somente 9,6% de suas ações no mercado nos próximos dois anos.

Adicionalmente, as vendas no primeiro trimestre deste ano aconteceram quando as ADRs (American Depositary Receipts) estavam acima de US$ 20,60, ao passo que a cotação no fechamento do último pregão foi de US$ 16,58. O preço-alvo para as ADRs é de US$ 21,00, upside de 26,65% em relação ao último fechamento, enquanto a recomendação é de compra.

Recomendação no setor
Dentro de um cenário onde há pressão de venda do BNDESPar para os papéis da Klabin e da Fibria, os analistas do Citi recomendam as ações da Suzano (SUZB5). “Estamos comprados em Suzano dado o atrativo valuation e a recuperação do mercado de papel no Brasil”, declaram.

O preço-alvo para esses papéis é de R$ 20,50, upside de 31,41% em relação ao último fechamento. Os analistas afirmam ainda que esse valor pode ter um incremento de R$ 3,00 com o projeto Maranhão.

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