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A Dynegy anunciou nesta quarta-feira sua desistência do processo de fusão com a Enron, por conta da deterioração financeira ainda maior desta última, que teve sua classificação de risco rebaixada para junk bond. A Enron, um dos maiores negociadores de energia nos EUA, tinha na fusão uma de suas mais sólidas esperanças para evitar a falência. Entretanto, a Enron foi abalada por uma série de problemas, incluindo uma investigação sobre suas práticas financeiras por parte de organismos reguladores norte-americanos. Com o anúncio da desistência, as ações da empresa caíram para um patamar de 19 anos atrás.
Enron beira falência
A desistência da Dynegy reflete as preocupações do mercado com a saúde financeira da empresa, que além de uma redução das receitas de venda de energia ainda sofreu com a saída de investidores, rebaixamento de classificação de risco de crédito e reconhecimento de passivos antes inexistentes. As agências internacionais de classificação de risco de crédito rebaixaram o rating da empresa, para abaixo da linha de investiment grade. Com isso, a Enron teve de reconhecer uma dívida extra de US$ 690 milhões, com o pronto resgate.
Este foi apenas mais um sinal de que a empresa andava mal, que terminou agravando a dificuldade da Enron em encontrar financiamento para passivos de curto prazo. Sendo assim, com o reduzido acesso ao sistema financeiro, a empresa claramente indica que não tem condições financeiras para saldar os compromissos de sua dívida, que chega a US$ 15,4 bilhões.
A Enron possui forte presença no Brasil adquirida com as recentes privatizações brasileiras. A participação da empresa no mercado energético brasileiro se dá desde as distribuidoras de energia Elektro, em São Paulo, e de gás CEG e CEG-Rio, no Rio de Janeiro, passando pelas termelétricas Cuiabá e Eletrobolt, além da Gaspart; chegando até o gasoduto Brasil-Bolívia. Rumores dão conta de que a empresa estaria vendendo sua participação na CEG para a Petrobrás.
Dynegy comprará subsidiária da Enron
O acordo com a Dynegy estava estimado em US$ 23 bilhões, na data do anúncio da fusão, em 9 de novembro, mas chegou ao fim nesta quarta-feira. Além do anúncio da desistência, a Dynegy também declarou que irá exercer seu direito de preferência para a compra de uma subsidiária da Enron, a Northern Natural Gás, por US$ 1,5 bilhão. Esta operação será bancada com recursos da ChevronTexaco, que é a detentora de 26% da Dynergy.
Papéis da empresa apresentam forte queda
As ações da Enron registravam queda de 71% em relação ao fechamento anterior, sendo negociadas a US$ 1,20, o que é o mesmo patamar registrado em 1972. No mesmo sentido, debêntures emitidas pela empresa, com taxa de copom de 6,4% ao ano e com maturação em 2006, eram cotadas a US$ 0,20, o que gera um retorno de 57% ao ano, maior que o retorno dos títulos argentinos hoje em dia com a crise do país.