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SÃO PAULO – Um comunista está no comando do Vaticano? O papa Francisco, após a controvérsia com os religiosos sobre sua fala “quem sou eu para julgar?”, quando tratou sobre a homossexualidade, está novamente no radar em meio às críticas ao capitalismo.
No início do mês de dezembro, o economista James Glassman, do JPMorgan, rebateu as críticas do Papa ao capitalismo sem limites, ressaltando que a “pobreza não é um fenômeno contemporâneo”. As declarações do papa indignaram também alguns conservadores , como o radialista Rush Limbaugh, que descreveu as palavras que saíram da “boca do papa como puro marxismo”.
Porém, em entrevista no último sábado para o jornal italiano La Stampa, o pontífice defendeu a sua recente “exortação apostólica”, em que contestou o sistema financeiro global e acusou as pessoas ricas de não partilhar a riqueza com os mais pobres. Em documento, o Papa denunciou as ideologias que defendem a autonomia absoluta do mercado e da especulação financeira.
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Durante a entrevista ao jornal italiano, o papa assegurou que não é marxista, mas afirmou que não se sente ofendido quando o classificam como tal. “A ideologia marxista está equivocada, mas na minha vida conheci muitos marxistas que eram boas pessoas, por isso não me sinto ofendido”, ressaltou.
E afirmou que a maior preocupação é com a tragédia decorrente da fome do mundo, defendo uma solução conjunta para a resolução dos problemas. O pontífice ressalta que, com todos os alimentos desperdiçados diariamente, é possível fornecer alimentos para muitas pessoas. E ressalta ainda que esse ponto de vista reflete a doutrina social da igreja, não significando ser marxista.
Contudo, é interessante notar, conforme ressalta o site da revista Bloomberg Businessweek, que o Papa Francisco não é o primeiro pontifíce a criticar o capitalismo. Em janeiro de 1999, o Papa João Paulo II escreveu uma exortação, destacando que “cada vez mais, em muitos países da América, um sistema conhecido como neoliberalismo prevalece, com base em uma concepção puramente econômica do homem, em que se considera o lucro e as leis do mercado como parâmetros absolutos em detrimento à dignidade e ao respeito às pessoas e ao povo”.
“Às vezes, este sistema tornou-se uma justificativa ideológica para algumas atitudes e comportamentos nas esferas sociais e políticas que levam à negligência dos membros mais fracos da sociedade. De fato, os pobres são cada vez mais numerosos, vítimas de políticas e estruturas específicas que muitas vezes são injustas”, ressaltou o Papa João Paulo II.
E a Bloomberg Businessweek ressalta: ninguém acusou o papa polonês em ser um simpatizante marxista.