Países em desenvolvimento aumentam sua participação nas exportações do país

Segundo a Iedi, a participação dos países menos desenvolvidos nas exportações brasileiras tem aumentado nos últimos anos

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SÃO PAULO – O mercado internacional tem aumentado cada vez mais sua importância para as empresas brasileiras. Nesse sentido, a fragilidade da economia nacional tem levado muitas empresas a venderem seus produtos no mercado externo. Com isso, tem sido notada também a diversificação dos destinos dos produtos nacionais.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), desde o início de 2002 até outubro de 2003, as exportações brasileiras apresentaram um crescimento de 11%, sendo que as vendas para países desenvolvidos aumentaram 9% e para os países em desenvolvimento a elevação foi de 13%.

Exportações para países em desenvolvimento aumentam

Dessa forma, enquanto a participação das economias mais desenvolvidas nos destinos das exportações brasileiras caiu de 61,5% do ano 2002 para 58,2% em outubro de 2003, a parcela dos países em desenvolvimento nas exportações do país passou de 36,7% para 40,2% nessa mesma comparação.

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Nesse sentido, as vendas para países africanos aumentaram 44% em 2001 e 27% em 2002, enquanto para o Oriente Médio e Turquia a alta foi de 38% e de 13% nesses mesmos anos.

Segundo o diretor-executivo do Iedi, Julio Sérgio Gomes de Almeida, essa mudança no destino dos produtos brasileiros começou com a crise do Mercosul em função dos problemas enfrentados pela Argentina, que levou muitos empresários a buscarem novos mercados.

Mercado potencial

Em 2003, a participação das exportações brasileiras no total de produtos comercializados no mercado internacional foi de 2,0%. Apesar do aumento das vendas para novos mercados, a região que mais compra produtos nacionais continua sendo a América Latina, em que os produtos nacionais representam 6,1% do total importado.

Vale destacar que nos países africanos os produtos brasileiros representam 1,7% das importações, no Oriente Médio e Turquia essa parcela é de 1,4% e nos países asiáticos as importações de produtos brasileiros correspondem a 0,9% do total. Com isso, pode-se notar que as exportações para esses países ainda possuem um grande potencial.

De acordo com o diretor do Iedi, os países em desenvolvimento têm se mostrado um bom mercado para o Brasil. Almeida explica que parte dos negócios feitos no Mercosul passou a ser realizada com outros países em desenvolvimento, já que algumas multinacionais que estavam na América Latina vieram para o Brasil, como as empresas automotivas e de celulares.

Isso acabou tornando o país uma base para a exportações dessas empresas. Além disso, as empresas do setor agrícola também tiveram que direcionar seus produtos para mercados alternativos em função do aumento da produção agrícola nacional e também do protecionismo das nações mais desenvolvidas.

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Ampliação de negócios

Com o aumento da importância dos países em desenvolvimento para a pauta de exportações do país, o executivo da Iedi acredita que a tendência é a ampliação dos negócios com esses mercados. Nesse sentido, o governo também estaria empenhado em realizar a promoção dos produtos nacionais.

Vale lembrar que, no ano passado, o governo realizou missões comerciais a países secundários na pauta de exportações do país, como os árabes. Em dezembro, o presidente Lula realizou a primeira visita oficial ao Oriente Médio e Norte da África, sendo que também foi organizada a maior feira de negócios do país no mundo árabe, a Semana do Brasil em Dubai, nos Emirados Árabes.

Oportunidade para empresas nacionais

Os dados levantados pelo estudo do Iedi mostram uma boa oportunidade para empresas nacionais, inclusive aquelas que possuem um menor porte. A abertura de negócios com países em desenvolvimento pode levar ao aumento das vendas desse tipo de empresa brasileira, já que as exigências para o fechamento de negócio com esse tipo de nação são relativamente menores.

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Cabe destacar que recentemente diversos países desenvolvidos ergueram barreiras protecionistas contra os produtos brasileiros. Além disso, as adequações pelas quais os produtos nacionais devem passar para entrar nesses países são maiores.

Apesar das boas possibilidades para as empresas iniciarem negócios com outros países em desenvolvimento, ainda são necessárias diversas negociações com as autoridades das diversas nações e os produtos brasileiros precisam comprovar sua qualidade e adequação às exigências dos vários países.