Por Dentro dos Resultados

Pague Menos (PGMN3): o que esperar da compra da Extrafarma e quando a empresa vai pagar dividendos?

CFO Luiz Novais participou de live do InfoMoney e destacou que o setor continuará crescendo dois dígitos com respaldo no envelhecimento da população

Por  Renan Crema -

A piora dos indicadores macroeconômicos, com a perda de renda da população afetando o consumo, além da inflação e do aumento da taxa básica de juros, não devem impedir o setor de varejo farmacêutico de crescer duplo dígito em 2022 — e a Pague Menos (PGMN3) vai continuar se beneficiando desse movimento, segundo o CFO da companhia, Luiz Novais.

Em live do InfoMoney, o executivo ressaltou que os gastos com remédios são os últimos a serem cortados pela população em períodos de crise e que a empresa continua com um caixa robusto para fazer frente ao seu plano de expansão — foram 80 novas unidades em 2021 e o guidance de abertura de lojas para este ano é de 120.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do quarto trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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“Apesar desse ambiente macro bastante turbulento e com esses eventos todos [como a guerra na Ucrânia e a pandemia de Covid-19] que sem dúvida impactam a economia como um todo, o varejo farmacêutico tem uma característica de muita resiliência. O Credit Suisse soltou recentemente um relatório dizendo que o varejo farmacêutico é um oásis no meio de um deserto desse ambiente macroeconômico turbulento”, disse Novais.

“O varejo farmacêutico vem crescendo em média 10% ao ano ao longo dos últimos 20 anos e ele tende a crescer ainda mais no futuro porque a população brasileira está envelhecendo num ritmo muito mais rápido do que outros países. A cada ano que passa, em média, 1,5 milhão de pessoas rompem a barreira dos 50 anos de idade. E essa população consome em média três vezes mais produtos de saúde do que a população mais jovem”, completou.

Além do crescimento orgânico, o CFO da companhia destacou também as iniciativas de crescimento inorgânico da rede, como a recém compra da Extrafarma por R$ 700 milhões, que ainda depende da aprovação de órgãos reguladores. São cerca de 400 lojas Extrafarma que serão integradas às operações da Pague Menos. “Ainda estamos estudando se vamos manter marcas separadas ou se vamos unificar tudo em Pague Menos.”

O executivo disse que a compra será paga em três parcelas, sendo a primeira no momento do closing do negócio, quando ele for aprovado pelos reguladores, e o restante em duas parcelas anuais nos dois anos seguintes à operação. “A empresa já possui dinheiro em caixa para a primeira parcela, que é de 50% do valor total. Devemos também buscar captação junto a bancos”, disse.

Por ainda estar em um momento de expansão e investimentos, Novais disse que a companhia não pretende focar na distribuição de dividendos no curto prazo. “Todo o movimento de caixa será reinvestido na própria companhia. Neste ano, não teremos pagamento de dividendos por conta dos investimentos que estão previstos.”

Segundo o diretor financeiro, a aquisição da Extrafarma é uma estratégia para intensificar a presença da Pague Menos nas regiões Norte e Nordeste do país. A maioria das lojas que serão abertas pela rede neste ano, inclusive, estarão nessas duas regiões. Ele ressaltou, no entanto, que a empresa também olha para outros mercados, como o de São Paulo, por exemplo. “Não tem como ignorar, cerca de um terço do mercado de varejo farmacêutico nacional está em São Paulo”, disse.

O CFO falou ainda que o reajuste nos preços de medicamentos regulado pelo governo e com data definida é importante ao setor, uma vez que possibilita que as empresas reabasteçam seus estoques antes da revisão de preços e aumentem suas margens de lucro, principalmente no mês subsequente, um movimento que vem sendo feito pela Pague Menos ao longo dos últimos anos e será replicado em 2022.

“A fórmula do cálculo de reajuste de medicamentos leva em conta a inflação como um todo e vários outros elementos. Então, o setor tem a possibilidade de corrigir suas receitas num patamar equivalente”, disse.

Novais comentou ainda sobre os ganhos previstos com as vendas de medicamentos relacionados à Covid-19, incluindo os autotestes recém-aprovados pela Anvisa, além das parcerias que a companhia tem feito com diversas outras empresas, além da ferramenta disponibilizada via Alexa para agendamento de Covid por comando de voz. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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