Pacotes do FMI não eliminam incertezas na Argentina e Turquia

Conteúdo do Portal InfoMoney – Editoria Mercados

Por  Equipe InfoMoney

16:30h – 11/12
InfoMoney
Os pacotes de emergência coordenados pelo FMI para a Argentina e a Turquia novamente mostram a disposição dos organismos internacionais em apoiar nações em desenvolvimento que passam por dificuldades. Os problemas enfrentado por estes dois países de uma certa forma completa o ciclo de crises que abalou os maiores “mercados emergentes” desde 1994. O México foi a primeira vítima, com a desvalorização do Peso e a forte recessão de 1995. A seguir tivemos a crise asiática de 1997, com grande repercussão internacional e a moratória “parcial” da Rússia em 1998. O capítulo que nos é mais familiar deste ciclo é a desvalorização brasileira no início de 1999. A questão a ser respondida agora é: serão estes novos pacotes suficientes para estabilizar a situação na Argentina e na Turquia e permitir um novo ciclo de crescimento das economias emergentes, agora que todos os principais mercados já passaram por ajustes ?

Diversos fatores causaram as crises nestes mercados, mas o estopim foi sempre o mesmo: a desconfiança dos investidores, tanto locais quanto internacionais, na estabilidade da moeda. Na maior parte dos casos acima os investidores acreditavam que uma desvalorização seria inevitável, o que acabou por acelerar o processo de desequilíbrio macroeconômico, levando todos esses países a baterem na porta do FMI e do Banco Mundial para evitar o pior.

No curto prazo, os organismos internacionais cumpriram sua tarefa de prover um balão de oxigênio para estas economias, substituindo os recursos que deixaram de fluir dos mercados de capitais e do sistema bancário internacional. Além disso, o FMI e o Banco Mundial impuseram, como condição básica para prover estes recursos, uma série de medidas visando atacar as causas dos desequilíbrios macroeconômicos, que na maior parte dos casos era a falta de disciplina fiscal do setor público.

Apesar da importância de atacar a raiz do problema, na maioria dos casos essas medidas só geram resultados no médio e longo prazos. Os pacotes de emergência foram responsáveis pela reversão das expectativas, o que permitiu a re-inserção destas economias no mercado internacional de capitais, possibilitando a retomada de crescimento por parte desses países – o que só seria sustentável com a injeção contínua de capital estrangeiro.

No entanto, os pacotes de ajuda e a criação de mecanismos que visam reduzir desequilíbrios fiscais no médio e longo prazo não são suficientes para trazer os investidores de volta. É preciso garantir que o principal fator dessas crises esteja equacionado: o temor de uma desvalorização cambial. O sucesso de países como México e Brasil em recuperar rapidamente a confiança dos investidores pode ser em boa parte atribuído à flexibilidade no regime cambial adotada pós-crise. Isso porque a taxa de câmbio passou a funcionar como um termômetro da capacidade das autoridades manterem o fluxo de investimento externo, que retorna ao país como resultado do sucesso de reformas estruturais ou da manutenção de taxas de juros elevadas.

Flexibilidade no regime cambial sempre fez parte do “receituário” do FMI, e tem se mostrado um dos elementos necessários para um plano de estabilização bem sucedido. No entanto, os recentes anúncios dos pacotes de emergência para Turquia e Argentina não parecem conter este elemento. A utilização da taxa de câmbio como “âncora” para a conter a inflação gera resultados positivos no curto prazo, mas a adoção deste modelo por períodos mais longos ocasiona sérias distorções macroeconômicas, como fica claro no caso argentino.

Resta saber se o mercado está convencido que os recentes aportes do FMI à Argentina e à Turquia serão suficientes para acalmar os ânimos. Apesar da importância das reformas estruturais propostas e dos efeitos que ocasionarão no médio e longo prazos, a possibilidade de crises de confiança periódicas nestas economias não deve ser descartada. O mercado, apesar dos pacotes organizados pelo FMI, ainda não parece estar convencido de que os níveis atuais de taxas de câmbio sejam adequados às realidades macroeconômicas destes dois países. Dentro do modus operandi do mercado, isto significa que existe grande possibilidade de que conjunto de medidas adotado não seja suficiente para restabelecer a confiança no curto e médio prazos. Afinal, como já dizia o fundador da macroeconomia moderna, Lorde Keynes, “no longo prazo estaremos todos mortos”.

Compartilhe