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SÃO PAULO – A entrada da polícia e das tropas do exercíto brasileiro nas favelas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pode representar uma virada no programa de redução das perdas de energia da Light (LIGT3), avaliou o Itaú BBA. De acordo com os analistas Marcos Severine, Mariana Coelho e Marcel Shiomi, a “guerra contra o tráfico” traz oportunidades de incremento no lucro e Ebitda (geração operacional de caixa) da companhia.
“Nós temos sido céticos em relação ao programa da Light de redução das perdas de energia em sua ‘complicada’ área de concessão”, disseram os analistas. “Pela primeira vez, porém, nós vemos uma oportunidade verdadeira de que ele dê certo depois dos recentes eventos no Rio. De acordo com a companhia, ela já atingiu um notável progresso em algumas comunidades. Na favela Santa Marta, por exemplo, a companhia registrava perdas de 90% de energia antes da entrada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora); este número caiu dramaticamente para 3% depois que a unidade se estabeleceu lá”, completaram.
De acordo com o Itaú, a redução das perdas de energia nas chamadas “áreas de risco” onde a Light possui concessões de distribuição fornecem um potencial de adicionar em torno de R$ 381 milhões ao Ebitda da empresa. Neste sentido, o banco destacou que, em termos de valuation, considerando um incremento na geração operacional de caixa mais conservador, de aproximadamente R$ 250 milhões por ano, há um potencial de crescimento de R$ 8,70 por ação no preço-alvo do Itaú para a Light.
Cabe destacar que o atual target do banco aos ativos da distribuidora de energia é de R$ 30,30 para 2011. O Itaú BBA lembrou, porém, que estas perspectivas têm como base a continuidade do sucesso da polícia carioca na guerra contra os traficantes. “O ritmo em que novas áreas são atingidas pelos serviços de eletricidade da companhia deverá ser monitorado”, disseram os analistas.
Forte Compra
Em meio a este cenário de boas perspectivas para a Light, o Itaú BBA reforçou sua recomendação de forte compra das ações da distribuidora de energia, principalmente por conta do elevado potencial de valorização que a atual cotação dos papéis oferece em relação ao target do banco, bem como das projeções de redução nas perdas de energia e o fato de que uma revisão nas tarifas cobradas pela empresa não acontecerá antes de novembro de 2013.
“Nós também prevemos uma revisão para cima em nossas estimativas para o resultado da Light, não apenas a fim de incorporar o potencial sucesso no programa de redução das perdas de energia, mas, o mais importante, para considerar as perspectivas positivas para o controle operacional, sinais que já foram evidentes no balanço do terceiro trimestre deste ano”, completaram os analistas do banco.