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SÃO PAULO – A OGX Petróleo (OGXP3) era, até pouquíssimo tempo atrás, a terceira empresa com maior peso no Ibovespa, principal índice de ações da BM&FBovespa. Nas últimas carteiras do índice, a petrolífera de Eike Batista representava cerca de 5% de participação e em diversos pregões chegou a ser o principal fator para a movimentação do benchmark da bolsa por conta das fortes oscilações percentuais apresentadas.
Por trás disso, a ação negociava um enorme volume diário, chegando a ter uma média diária de R$ 750 milhões de giro financeiro em 2011 – calculada com base em 5 pregões consecutivos. Toda essa liquidez, no entanto, foi embora com o pedido de recuperação judicial da empresa: hoje, o volume médio é de apenas R$ 4,4 milhões – bem abaixo de todas as outras empresas do Grupo EBX listadas na Bovespa. Na última sessão, o volume foi de apenas R$ 1,97 milhão.
Isso também se traduziu no número de negócios: a empresa chegou a ter 137 mil negócios em um único dia, mas na última terça-feira (12) foram apenas 638 negociações concluídas com os papéis da petrolífera de Eike. A média dos últimos cinco pregões, que costumava ser de cerca 65 mil negócios e cresceu conforme a empresa perdia valor, é de 1.365 negócios.
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Motivos
Tudo isso pode ser explicado basicamente pela exclusão das ações do Ibovespa – a metodologia do índice não permite a participação de empresas que estão em pedido de recuperação judicial. Com isso, os fundos de ações cujo objetivo é replicar a carteira do benchmark não precisavam mais ter OGXP3 em seus portfólios, tirando assim uma maciça participação de investidores da empresa. Segundo dados da Anbima, havia até 7 de novembro R$ 37 bilhões em ativos sob gestão distribuídos em fundos que precisam superar (fundo ativo) ou replicar (fundo passivo) o Ibovespa ou o IBrX. Com a saída da OGX dos índices da bolsa, a empresa acabou “perdendo” esses investidores.
Além disso, o baixíssimo valor de face que a ação da empresa possui, de R$ 0,15, “travou” o book de ofertas da empresa e faz com que a empresa termine cada pregão estável. Outras empresas “pequenas” da Bovespa, cotadas a poucos centavos, apresentam cenários bastante similares. Há centenas ofertas de compra e venda – que juntas negociariam mais de 15 milhões em cada ponta, mas a maioria dos compradores não aceitam pagar os R$ 0,15 atuais. Por sua vez, poucos vendedores querem baixar o preço – já que cada centavo de variação representa uma oscilação de 6%.
A menor das X
Chama bastante a atenção que, neste momento, as ações da OGX, carro-chefe do grupo EBX, são as que menos negociam na Bovespa – em termos de volume e negócios. Isso inclui as ações da CCX Carvão (CCXC3), a “caçula” do grupo de Eike Batista. A única exceção fica com os títulos híbridos da MMX Mineração (MMXM3), listados com o código MMXM11.
Para escapar dessa situação, a empresa deverá fazer um grupamento de ações no dia 26 deste mês, o que pode aumentar o número de negócios e o volume da empresa novamente – a razão do grupamento ainda não foi revelada pela empresa. Resta saber se isso funcionará para transformar a OGX em uma ação popular entre os traders ou não – e também se os acionistas aprovarão a proposta.
| Empresa | Cotação da ação |
Volume diário* |
Negócios por dia* |
| OGX Petróleo | R$ 0,15 | R$ 4,39 milhões | 1.365 |
| MMX Mineração (ação) | R$ 0,67 | R$ 24,86 milhões | 7.951 |
| MMX Mineração (títulos híbridos) |
R$ 2,58 | R$ 2,69 milhões | 159 |
| OSX Brasil | R$ 0,61 | R$ 6,56 milhões | 2.137 |
| LLX Logística | R$ 1,19 | R$ 6,62 milhões | 4.055 |
| CCX Carvão | R$ 1,11 | R$ 4,66 milhões | 1.245 |
| Eneva (ex-MPX Energia) |
R$ 3,50 | R$ 12,14 milhões | 5.806 |
| *Média dos últimos cinco dias | |||