Ouro retoma a liderança e termina agosto como melhor investimento

Com aumento da desconfiança do risco global, metal lidera a rentabilidade no mês. No ano, a commodity já sobe 16,79%

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SÃO PAULO – Retomando a liderança perdida em julho, ouro bateu recorde histórico no mercado doméstico e despontou como o ativo de maior rentabilidade no mês, com alta de 4,67%. A commodity costuma ser mais demandada em períodos de instabilidade econômica. Outro destaque do período foi o Ibovespa – o melhor investimento do mês passado -, que, assim como o metal precioso, registrou alta 1,72%, seu segundo mês seguido no azul.

Com a Selic na mínima histórica, as aplicações em renda fixa tiveram suas rentabilidades corroídas pela inflação – e continuam tendo, cada vez mais, suas atratividades reduzidas conforme o Banco Central continue com o ciclo de cortes na taxa básica de juro, agora em 7,5% ao ano. O dólar Ptax, por sua vez, subiu durante boa parte do mês, mas fechou em baixa de 0,72% – o único investimento com rentabilidade nominal negativa em agosto. Os CDBs (Certificados de Depositório Bancário), CDI (Certificado de Deposito Interbancário) e poupança também tiveram rentabilidade negativa.

Ouro lidera a rentabilidade


Com alta de 4,67% no mês, cotado a R$ 110,95 o grama, investir em ouro ganhou impulso com o aumento da aversão ao risco no cenário internacional. A cautela com relação à recuperação da economia global continuará a calibrar a corrida pelo metal, segundo diz Mauricio Gaioti, da OM D.T.V.M.

“O ouro, ativo historicamente bastante líquido, continuará a se valorizar nos próximos meses, devido ao aumento do medo em relação à crise financeira”, disse Gaioti. No ano, o metal já sobe 16,79%. Gaioti acrescenta que, apesar da alta, o ativo ainda tem espaço para apreciação.

Ele adiciona que o rali poderá ser intensificado com a proximidade da eleição presidencial dos Estados Unidos, em novembro. O gerente de negócios da Reserva Metais, Edson Magalhães, acrescenta que a temporada de casamentos indianos, em outubro, poderá corroborar com uma elevação ainda mais expressiva do metal.

Ibovespa

O Ibovespa, principal referência do mercado acionário do País, se destacou como a segunda maior rentabilidade do mês, entre as aplicações avaliadas. O índice fechou em alta de 1,72%, aos 57.061 pontos,depois de oscilar na faixa de 55.239 até 60.208 pontos. O giro somou R$ 115,8 bilhões, acima dos R$ 101,2 bilhões dos últimos 21 meses. No saldo anual, porém, o benchmark relata alta de apenas 0,54%.

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A alta do índice foi sustenta, principalmente, por ações atreladas à demanda doméstica, dos setores de varejo, alimentação e construção civil.

Dólar

A divisa norte-americana, apesar de ter subido em vários pregões, fechou em baixa, com investidores devolvendo seus lucros, após as declarações de Bernanke nesta sexta-feira. A taxa Ptax cedeu 0,62%, para R$ 2,0372. No acumulado do ano, contudo, a Ptax avança 7,98%. Essa taxa serve como balizadora para a liquidação de diversos contratos cambiais. O dólar comercial caiu 0,90%, cotado a R$ 2,0301 na compra e R$ 2,0306 na venda.

Renda fixa sem ganho real

Todas as aplicações de renda fixa avaliadas registraram rentabilidade inferior à da inflação, em mês marcado por corte na Selic. A taxa básica de juros caiu para sua mínima histórica, a 7,5% ao ano, conforme amplamente aguardado pelo mercado.

Enquanto o IGP-M (Índice Geral de Preço do Mercado) avançou 1,43% em agosto, o CDB galgou 0,59%, a caderneta de poupança subiu 0,4675% e o DI rendeu 0,689%.

Veja a rentabilidade dos investimentos em agosto:

Investimento Agosto Real* Julho  Real*
Ibovespa +1,72% +0,29% +3,21% +1,85%
Ouro +4,67% +3,19% +2,56% +1,20%
Dólar PTAX -0,62% -2,02% +1,41% +0,07%
CDB **** +0,59% -0,83% +0,62% -0,71%
CDI*** +0,69% -0,73% +0,52% -0,81%
Poupança +0,47% -0,95% +0,50% -0,83%
IGP-M +1,43%    – +1,34%  –

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +1,43% em agosto de 2012
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +1,34% em julho de 2012
*** Taxa Efetiva Andima
**** CDB Líquido (acima de R$ 100 mil)

Piora no cenário global

Entre os principais eventos do mês, estiveram o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, realizado nesta sexta-feira (31). O líder da autoridade monetária norte-americana não apresentou grandes novidades, mas não descartou adotar uma nova rodada de compra de títulos. Bernanke garantiu ainda que está pronto para agir conforme for necessário.

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Segundo o presidente do Fed, a economia do país está longe do satisfatório, sendo que o desemprego é uma grave preocupação. “Levando em conta as incertezas e os limites das ferramentas, o Federal Reserva irá providenciar políticas adicionais de acomodação conforme for necessário para promover a forte recuperação econômica e a melhora sustentável no mercado de trabalho, em um contexto de estabilidade de preços”, resumiu.

Na Europa, a piora do panorama na Alemanha colaborou para aumentar a cautela dos investidores. O país reportou no mês acréscimo no desemprego e queda no consumo. Na Ásia, o Japão registrou retração na produção industrial e também queda no varejo.

“Alguns dos principais pilares que sustentam a economia, como Japão e Alemanha, estão demonstrando fraqueza, o que pressionará ainda mais a desconfiança do mercado com a recuperação financeira”, avaliou Gaioti, da OM D.T.V.M.

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PIB cresce 0,4%

No cenário interno, o radar das atenções dos investidores esteve na divulgação do PIB (Produto Interno Bruto), que cresceu 0,4% no segundo trimestre comparado ao primeiro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diminuiu a previsão de crescimento da economia para 2013 de 5,5% para 4,5%, ressaltando que, ainda assim, a estimativa é arrojada ao se levar em consideração a crise internacional.