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SÃO PAULO – Diante da manutenção das incertezas no cenário internacional, com agravamento dos conflitos no Oriente Médio, deterioração da situação político-econômica na Argentina e fraca recuperação da economia norte-americana, não é de se surpreender que os melhores investimentos no mês de abril tenham sido respectivamente o ouro e o dólar.
Também contribui para este desempenho a decisão do Banco Central de manter os juros em 18,50% ao ano, assim como as incertezas quanto à eleição presidencial, em que a liderança de Lula nas pesquisas contribui para as incertezas quanto à manutenção da atual política econômica.
Ouro e dólar sobem em abril
O agravamento dos conflitos no Oriente Médio acabou beneficiando o desempenho do ouro, contribuindo para o aumento da procura do metal, que acabou liderando o ranking das aplicações de abril. No mês de abril, a cotação do ouro registrou alta de 2,87%, já descontada a inflação no período. Por inflação entenda-se a variação do IGP-M em abril, que ficou em 0,56%.
Logo em seguida, ficaram as aplicações em dólar, que também registraram boa rentabilidade em abril. Com a diminuição da rolagem de títulos cambiais, muitos investidores foram obrigados a comprar dólares, impulsionando sua cotação, que encerrou o mês de abril com alta real de 1,11%.
Fundos DI e Renda Fixa ganham com manutenção dos juros
A decisão do Banco Central de não promover novos cortes nos juros, mantendo a taxa de juros em 18,50% ao ano, acabou beneficiando as aplicações em renda fixa, com destaque para os fundos DI e os fundos de Renda Fixa.
Apesar dos dados finais para o mês de abril ainda não terem sido divulgados pela Anbid (Associação de Bancos de Investimento), nos últimos 30 dias até o dia 26 de abril, o rendimento médio destas aplicações ficou em 1,40% e 1,31%, respectivamente. Depois de descontada a inflação este rendimento cai para 0,84% e 0,75%, respectivamente.
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Por sua vez, quem apostou na solidez da caderneta de poupança, mais uma vez saiu perdendo, uma vez que a rentabilidade de abril, em termos reais, ficou em apenas 0,18%, enquanto as aplicações em CDB (Certificado de Depósito Bancário) renderam em média 0,83% no período.
Bolsa foi a pior aplicação
Quem investiu em ações no mês de abril teve perdas reais da ordem de 1,82% devido ao fraco desempenho da Bovespa. A bolsa acabou sendo prejudicada pela manutenção dos juros, atraso na votação da prorrogação da CPMF e avanço das candidaturas de oposição nas pesquisas eleitorais para a sucessão presidencial. O crescimento de Lula, Garotinho e Ciro Gomes deixa os investidores preocupados, com relação à continuidade da política econômica do atual governo.
Além disso, como o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, que reúne cinqüenta e sete ações, é composto principalmente por empresas de telecomunicações, a bolsa foi bastante prejudicada com o fraco desempenho dos papéis desse setor em abril. A divulgação de resultados ruins, assim como perspectivas negativas para o futuro, não só por empresas brasileiras, mas também por grandes operadoras internacionais acabou prejudicando o desempenho do setor, que ficou entre as maiores quedas da bolsa em abril.
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Além disso, a manutenção dos juros nos patamares atuais acaba incentivando os investidores a manter suas aplicações em renda fixa, uma vez que se trata de aplicações de baixo risco e alto retorno, o que prejudica os investimentos em ações, de risco bem mais elevado.