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O ouro e a prata avançaram para máximas históricas depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ameaçou o Federal Reserve com um possível indiciamento criminal, reacendendo preocupações sobre a independência do banco central, enquanto protestos no Irã sustentaram a demanda por ativos de proteção.
O ouro subiu em direção a US$ 4.600 por onça, enquanto a prata se aproximou de US$ 85, após o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmar que o possível indiciamento “deve ser visto no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo” para influenciar as decisões de juros da instituição. O dólar se enfraqueceu e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos dos EUA avançaram levemente após suas declarações. Os ataques recorrentes do governo Trump ao Fed no ano passado foram um dos principais fatores que pressionaram o dólar e favoreceram o ouro.
No Irã, protestos com mortes ampliaram o apelo dos metais preciosos como proteção, diante da possibilidade de queda da República Islâmica. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que avalia opções em relação ao Irã, ao mesmo tempo em que voltou a ameaçar tomar a Groenlândia e questionou o valor da aliança da Otan, pouco mais de uma semana depois de capturar o líder venezuelano Nicolás Maduro.
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Os metais preciosos estão no centro de uma forte reprecificação, impulsionada por uma combinação de fatores que turbinou a demanda. Entre os vetores estão a queda dos juros nos EUA, o aumento das tensões geopolíticas, a menor confiança no dólar e o desafio à autoridade do Fed, que vêm sustentando ouro e prata. Mais de uma dúzia de gestores disseram ter optado por não realizar lucros excessivos no ouro, mantendo convicção em seu apelo de longo prazo.
“É um lembrete do número de incertezas que os mercados estão administrando — geopolítica, o debate sobre crescimento e juros e, agora, um novo lembrete, guiado por manchetes, de um prêmio de risco institucional”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Markets, em Cingapura.
Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA deve divulgar na quarta-feira a próxima decisão sobre as tarifas de Trump. Um julgamento contrário às tarifas enfraqueceria sua principal política econômica e representaria sua maior derrota judicial desde o retorno à Casa Branca.
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A prata saltou quase 6%, para um recorde de US$ 84,6090 por onça. O metal branco acumulou alta de quase 150% no ano passado, quando um histórico aperto em posições vendidas atingiu o mercado em outubro. O mercado à vista dominante de Londres segue com oferta restrita, já que temores tarifários impedem o fluxo de metal a partir de armazéns cheios nos EUA.
“Vemos o déficit no mercado de prata continuar ao longo de 2026, principalmente por causa do aumento da demanda de investimento”, afirmou a BMI, unidade da Fitch Solutions, em relatório divulgado na segunda-feira, acrescentando que a demanda industrial também apertou o mercado físico em grau sem precedentes.
Operadores também aguardam os resultados da investigação da Seção 232, que pode levar à imposição de tarifas dos EUA sobre prata, platina e paládio. O relatório é esperado para janeiro.
Os dados de emprego dos EUA divulgados na semana passada mantiveram as expectativas de novos cortes de juros, o que sustenta os metais preciosos, que não pagam rendimento. O mercado já precifica pelo menos dois cortes neste ano, após o Fed ter feito três reduções consecutivas no segundo semestre.
“Indicadores mais fracos do mercado de trabalho dos EUA intensificaram as expectativas de que o Fed mude para cortes de juros mais cedo e de forma mais agressiva do que o previsto”, escreveu Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da corretora Phillip Nova, em Cingapura. Segundo ela, essa mudança “corrói os juros reais e eleva o custo de oportunidade de manter ativos que não rendem juros, como o ouro”.
O ouro chegou a subir até 2% e era negociado com alta de 1,6%, a US$ 4.584,44 por onça, às 15h31 em Cingapura. O Bloomberg Dollar Spot Index recuava 0,2%. Paládio e platina avançavam mais de 3%.
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