Ouro é o melhor investimento no mês e no trimestre

Além do ouro, o Ibovespa também se destacou em setembro. Todas as outras aplicações tiveram variação abaixo da inflação

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SÃO PAULO – Em meio ao cenário de incertezas, o ouro voltou a se destacar e liderou o ranking de investimentos no mês e também no trimestre. Logo em seguida, a maior valorização foi apresentada pela bolsa – juntas, as aplicações foram as únicas entre as compiladas que apresentarem ganho real. Já o dólar relatou leve baixa, em mês de anúncio de estímulo do Federal Reserve enquanto a renda fixa teve altas menores do que a da inflação, no mês seguinte à adoção da Selic mais baixa da história.

Ouro

Considerado um “porto seguro” em momentos de incerteza sobre a situação financeira, o metal encabeça a melhor rentabilidade e melhor investimento pelo segundo mês seguido. No trimestre, a commodity brilha e lidera o ranking de investimentos, registrando o maior rendimento no período em dois anos. O metal precioso se valorizou 4,55% no mês e 12,24% no trimestre, para R$ 116,00 o grama do lote na BM&F.

“Não é preciso se concretizar nenhuma tragédia do mercado para os investidores evitarem opções arriscadas. Apenas o sentimento do cenário crítico já impulsa a procura por ativos mais defensivos”, diz Mauricio Gaioti, da OM. “Como o ouro tem bastante liquidez e tem apresentado forte retorno, o ativo se destaca não só por ser defensivo mas também por ter rentabilidade atraente”, avalia.

Além do panorama deteriorado da economia global, o mês das noivas na Índia, em outubro, contribui para acelerar o avanço da commodity, conforme diz Gaioti. A indústria de casamentos no país movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano e apresenta crescimento anual de 25% a 30%.

Ibovespa

A principal referência do mercado acionário do País avançou 3,7% no mês, puxada pelo forte desempenho de ações de siderurgia e da B2W Varejo (BTOW3) que neutralizaram o impacto negativo do setor elétrico na Bolsa. O termômetro da bolsa paulista fechou o trimestre aos 59.175 pontos e oscilou em uma faixa de 58.864 a 60.239 pontos. No saldo trimestral, o índice saltou 8,87% e, no acumulado do ano, segue com ganhos 4,27%. 

Veja a rentabilidade dos investimentos em setembro:

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Investimento Setembro Real* Agosto Real*
Ibovespa +3,70% +2,70% +1,72% +0,29%
Ouro +4,55% +3,55% +4,67% +3,19%
Dólar PTAX -0,32% -1,28% -0,62% -2,02%
CDB **** +0,58% -0,39% +0,59% -0,83%
CDI*** +0,51% -0,46% +0,69% –0,73%
Poupança +0,46% -0,51% +0,47% -0,95%
IGP-M +0,97%    – +1,43%  –

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,97% em setembro de 2012
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +1,43% em agosto de 2012
*** Taxa Efetiva Andima
**** CDB Líquido (acima de R$ 100 mil)

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar cedeu 0,32% em setembro, para R$ 2,0372 a Ptax. No resultado trimestral, a divisa tem variação positiva de 0,94%. A expectativa dos investidores é que a moeda norte-americana perca força, com a adoção da nova rodada de estímulos do Fed (Federal Reserve), o QE3, devido à enxurra de liquidez que ingressará nos mercados.

Para conter um possível repique do real, o governo sinalizou que poderá adotar medidas para garatir um patamar considerado forte para a moeda brasileira, que não prejudique o lucro com exportações.

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Renda Fixa

 No mês após a adoção da menor Selic, para 7,5%, contribuiu para continuar a minguar a rentabilidade da renda fixa. Adicionalmente, o IGP-M, apesar de ter arrefecido, subiu 0,97% no mês. O DI teve acréscimo de 0,51%, o CDB de 0,58% e a poupança variação de 0,4551%. Quando descontada a inflação, os investimentos têm variação negativa de 0,46%, 0,39% e 0,51%, respectivamente, no período.

Panorama mundial ainda é uma incógnita

 O mês foi marcado por incertezas, com os governos de países da Europa, Estados Unidos e Ásia ainda tentando socorrer suas economias. Nos EUA, o Fed informou que comprará  em média US$ 40 bilhões em títulos segurados por hipotecas no país por mês, à taxa que varia na faixa de 0% e 0,25% ao ano. Junto com o outro programa em andamento, o Operation Twist, o Fed aumentará o seu portfólio de títulos de dívida em US$ 85 bilhões por mês.

Na Ásia, além do aprofundamento da tensão entre Japão e China sobre a questão territorial, o desempenho de ambas economias contnua a gerar cautela no mercado. O Japão divulgou que ampliou em 10 trilhões de ienes, US$ 127 bilhões de dólares, o programa de compra de ativos e empréstimo, para 80 trilhões de ienes.

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Já a China tem mostrado desaceleração contínua de seu crescimento. A produção de aço no país caiu 2% no mês e o PIB deverá dar continuidade a um crescimento na casa de um dígito. Segundo uma fonte ligada ao governo, o PIB chinês deverá crescer cerca de 7,7% neste ano.

Na Europa, a preocupação principal recai sobre a Espanha, à espera de um resgate do BCE (Banco Central Europeu) e ameaçada de ter seu grau de investimento rebaixado pela agência Moody’s. A França declarou que precisa de € 37 bilhões em economias no orçamento para cumprir a meta de déficit de 3% do PIB, além de não ter mostrado crescimento.

O país, contudo, se comprometeu a  recuperar € 30 bilhões  para os cofres públicos, com a meta de estreitar o déficit para 3,0% da produção nacional do ano que vem em relação aos 4,5% este ano –o aperto fiscal mais duro da França em 30 anos. A Grécia, por sua vez ,informou que uma extensão do pacote de resgate custaria aos cofres da autoridade monetária da Europa cerca de €15 bilhões.