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SÃO PAULO – Em meio ao cenário de incertezas, o ouro voltou a se destacar e liderou o ranking de investimentos no mês e também no trimestre. Logo em seguida, a maior valorização foi apresentada pela bolsa – juntas, as aplicações foram as únicas entre as compiladas que apresentarem ganho real. Já o dólar relatou leve baixa, em mês de anúncio de estímulo do Federal Reserve enquanto a renda fixa teve altas menores do que a da inflação, no mês seguinte à adoção da Selic mais baixa da história.
Ouro
Considerado um “porto seguro” em momentos de incerteza sobre a situação financeira, o metal encabeça a melhor rentabilidade e melhor investimento pelo segundo mês seguido. No trimestre, a commodity brilha e lidera o ranking de investimentos, registrando o maior rendimento no período em dois anos. O metal precioso se valorizou 4,55% no mês e 12,24% no trimestre, para R$ 116,00 o grama do lote na BM&F.
“Não é preciso se concretizar nenhuma tragédia do mercado para os investidores evitarem opções arriscadas. Apenas o sentimento do cenário crítico já impulsa a procura por ativos mais defensivos”, diz Mauricio Gaioti, da OM. “Como o ouro tem bastante liquidez e tem apresentado forte retorno, o ativo se destaca não só por ser defensivo mas também por ter rentabilidade atraente”, avalia.
Além do panorama deteriorado da economia global, o mês das noivas na Índia, em outubro, contribui para acelerar o avanço da commodity, conforme diz Gaioti. A indústria de casamentos no país movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano e apresenta crescimento anual de 25% a 30%.
Ibovespa
A principal referência do mercado acionário do País avançou 3,7% no mês, puxada pelo forte desempenho de ações de siderurgia e da B2W Varejo (BTOW3) que neutralizaram o impacto negativo do setor elétrico na Bolsa. O termômetro da bolsa paulista fechou o trimestre aos 59.175 pontos e oscilou em uma faixa de 58.864 a 60.239 pontos. No saldo trimestral, o índice saltou 8,87% e, no acumulado do ano, segue com ganhos 4,27%.
Veja a rentabilidade dos investimentos em setembro:
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| Investimento | Setembro | Real* | Agosto | Real* |
| Ibovespa | +3,70% | +2,70% | +1,72% | +0,29% |
| Ouro | +4,55% | +3,55% | +4,67% | +3,19% |
| Dólar PTAX | -0,32% | -1,28% | -0,62% | -2,02% |
| CDB **** | +0,58% | -0,39% | +0,59% | -0,83% |
| CDI*** | +0,51% | -0,46% | +0,69% | –0,73% |
| Poupança | +0,46% | -0,51% | +0,47% | -0,95% |
| IGP-M | +0,97% | – | +1,43% | – |
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,97% em setembro de 2012
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +1,43% em agosto de 2012
*** Taxa Efetiva Andima
**** CDB Líquido (acima de R$ 100 mil)
Dólar
No mercado de câmbio, o dólar cedeu 0,32% em setembro, para R$ 2,0372 a Ptax. No resultado trimestral, a divisa tem variação positiva de 0,94%. A expectativa dos investidores é que a moeda norte-americana perca força, com a adoção da nova rodada de estímulos do Fed (Federal Reserve), o QE3, devido à enxurra de liquidez que ingressará nos mercados.
Para conter um possível repique do real, o governo sinalizou que poderá adotar medidas para garatir um patamar considerado forte para a moeda brasileira, que não prejudique o lucro com exportações.
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Renda Fixa
No mês após a adoção da menor Selic, para 7,5%, contribuiu para continuar a minguar a rentabilidade da renda fixa. Adicionalmente, o IGP-M, apesar de ter arrefecido, subiu 0,97% no mês. O DI teve acréscimo de 0,51%, o CDB de 0,58% e a poupança variação de 0,4551%. Quando descontada a inflação, os investimentos têm variação negativa de 0,46%, 0,39% e 0,51%, respectivamente, no período.
Panorama mundial ainda é uma incógnita
O mês foi marcado por incertezas, com os governos de países da Europa, Estados Unidos e Ásia ainda tentando socorrer suas economias. Nos EUA, o Fed informou que comprará em média US$ 40 bilhões em títulos segurados por hipotecas no país por mês, à taxa que varia na faixa de 0% e 0,25% ao ano. Junto com o outro programa em andamento, o Operation Twist, o Fed aumentará o seu portfólio de títulos de dívida em US$ 85 bilhões por mês.
Na Ásia, além do aprofundamento da tensão entre Japão e China sobre a questão territorial, o desempenho de ambas economias contnua a gerar cautela no mercado. O Japão divulgou que ampliou em 10 trilhões de ienes, US$ 127 bilhões de dólares, o programa de compra de ativos e empréstimo, para 80 trilhões de ienes.
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Já a China tem mostrado desaceleração contínua de seu crescimento. A produção de aço no país caiu 2% no mês e o PIB deverá dar continuidade a um crescimento na casa de um dígito. Segundo uma fonte ligada ao governo, o PIB chinês deverá crescer cerca de 7,7% neste ano.
Na Europa, a preocupação principal recai sobre a Espanha, à espera de um resgate do BCE (Banco Central Europeu) e ameaçada de ter seu grau de investimento rebaixado pela agência Moody’s. A França declarou que precisa de € 37 bilhões em economias no orçamento para cumprir a meta de déficit de 3% do PIB, além de não ter mostrado crescimento.
O país, contudo, se comprometeu a recuperar € 30 bilhões para os cofres públicos, com a meta de estreitar o déficit para 3,0% da produção nacional do ano que vem em relação aos 4,5% este ano –o aperto fiscal mais duro da França em 30 anos. A Grécia, por sua vez ,informou que uma extensão do pacote de resgate custaria aos cofres da autoridade monetária da Europa cerca de €15 bilhões.