Ouro cai quase 10% com guerra, mas bancos mantêm otimismo para o ano

Demanda de bancos centrais, expectativa de cortes de juros pelo Fed e fuga do dólar sustentam perspectiva positiva para o metal no longo prazo

Bloomberg

Gold has fallen nearly 10% since the Middle East war began in February.
Gold has fallen nearly 10% since the Middle East war began in February.

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O ouro deve se recuperar no longo prazo mesmo após os recuos provocados pela guerra no Oriente Médio, segundo bancos como ANZ Banking Group e Goldman Sachs.

A demanda resistente dos bancos centrais, a incerteza geopolítica persistente, as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve e a diversificação para longe de ativos denominados em dólar são os fatores citados por analistas como razões para o otimismo estrutural com o metal.

O ouro acumula queda de quase 10% desde o recorde de janeiro, quando superou US$ 5.500 por onça, após o início do conflito no Oriente Médio em fevereiro. A alta dos rendimentos dos Treasuries, a valorização do dólar e a volatilidade associada ao conflito levaram parte dos investidores a elevar posições em caixa.

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Ainda assim, os analistas esperam uma recuperação dos preços “à medida que a combinação macroeconômica de crescimento e inflação se deteriore, abrindo caminho para que os bancos centrais retomem os cortes de juros”, escreveram os analistas do ANZ Soni Kumari e Daniel Hynes em nota divulgada na sexta-feira. O banco manteve sua projeção de US$ 5.800 por onça até o fim do ano.

As compras de bancos centrais também devem seguir como um dos principais vetores de sustentação, com aquisições oficiais estimadas em cerca de 850 toneladas em 2026, segundo o ANZ.

A avaliação otimista do banco segue chamadas semelhantes do Goldman Sachs e do RBC Capital Markets no início de março. O Goldman manteve sua projeção de US$ 5.400 por onça, citando compras contínuas de bancos centrais e expectativa de 50 pontos-base em cortes de juros pelo Fed ao longo do ano.

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O metal ainda enfrenta “riscos táticos de queda” no curto prazo caso as perturbações no Estreito de Ormuz persistam, escreveram os analistas do Goldman Sachs Lina Thomas e Daan Struyven em nota de 31 de março. O banco ressaltou, no entanto, que um conflito prolongado poderia acelerar a diversificação dos investidores para fora dos ativos ocidentais tradicionais, o que sustentaria os preços no longo prazo.

O ouro à vista era negociado a US$ 4.795 por onça às 10h22.

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