O ouro se aproximou de US$ 5.000 a onça, com riscos geopolíticos e novas ameaças à independência do Federal Reserve dando suporte a um rali recorde.
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O metal precioso subiu para um recorde acima de US$ 4.967 na sexta-feira e caminhava para um ganho semanal de quase 8%, apoiado por um dólar mais fraco. A prata avançou para uma máxima histórica pouco abaixo de US$ 100 a onça, e a platina também atingiu um pico, com um indicador-chave da moeda dos EUA a caminho da pior semana em sete meses — o que torna os metais preciosos mais baratos para a maioria dos compradores.
“O ouro passa por uma reprecificação sustentada à medida que surgem fissuras na ordem internacional baseada em regras do pós-Segunda Guerra Mundial”, disse Yuxuan Tang, chefe de estratégia macro na Ásia do J.P. Morgan Private Bank. “Os investidores veem cada vez mais o ouro como uma proteção confiável contra esses riscos de mudança de regime, difíceis de quantificar.”
Após o melhor desempenho anual desde 1979, o ouro estendeu um rali acelerado e acumulou mais 15% no início deste ano. Novos ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Federal Reserve, assim como a intervenção militar na Venezuela e ameaças de anexação da Groenlândia, deram impulso ao chamado “trade de desvalorização”, no qual investidores reduzem exposição a títulos soberanos e moedas em favor de refúgios alternativos como o ouro.
“A oferta de ouro simplesmente não é suficiente para diversificar as tensões políticas e de mercado nos EUA, o que torna os tetos de preços bastante frágeis”, disse Ahmad Assiri, estrategista do grupo Pepperstone Ltd. O Goldman Sachs elevou sua projeção para o preço do ouro no fim do ano para US$ 5.400 a onça, ante a estimativa anterior de US$ 4.900, citando a intensificação da demanda de investidores privados e bancos centrais.
O banco central da Polônia, que lidera o ranking mundial de compras reportadas de ouro, aprovou nesta semana planos para adquirir mais 150 toneladas, enquanto se prepara para maior instabilidade geopolítica. Enquanto isso, as posições da Índia em Treasuries dos EUA caíram ao menor nível em cinco anos, à medida que o ouro e outras alternativas ganham espaço, juntando-se a um movimento mais amplo de algumas grandes economias para reduzir exposição ao maior mercado de títulos do mundo.
Os investidores agora aguardam a indicação de Trump para o próximo presidente do Fed, depois que o presidente dos EUA disse ter concluído as entrevistas com candidatos, reiterando que já tem um nome em mente. Um líder mais dovish aumentaria as apostas em novos cortes de juros neste ano — algo positivo para o ouro, que não rende juros — após três reduções consecutivas.
Os mercados também acompanham de perto o desfecho das conversas entre o presidente russo, Vladimir Putin, e enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, sobre uma proposta de plano de paz para encerrar a guerra na Ucrânia.
A prata, embalada pelo rali do ouro, mais do que triplicou no último ano. O metal branco também foi impulsionado por um histórico short squeeze e por uma onda de compras de varejo que deixou bancos e refinarias correndo para atender a uma demanda sem precedentes.
A confusão em torno de uma atualização da política chinesa sobre licenças de exportação ampliou a percepção de escassez, enquanto o mercado segue extremamente volátil, mesmo após os EUA evitarem impor tarifas generalizadas de importação sobre minerais críticos, incluindo prata e platina.
Os preços elevados e as oscilações intensas da prata também significam que os bancos não podem assumir os mesmos riscos de antes, disse Robert Gottlieb, ex-trader de metais preciosos. Isso faz com que as instituições “precisem reduzir significativamente as posições, levando a mais volatilidade e spreads mais amplos”, afirmou.
O ouro subiu 0,2%, para US$ 4.946,34 a onça, às 16h07 em Cingapura. A prata avançou 2,5%, para US$ 98,62. A platina recuou levemente, após ter atingido mais cedo um recorde acima de US$ 2.690, e o paládio também caiu. O Bloomberg Dollar Spot Index caminhava para uma queda semanal de 0,8%.
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