Otimista com o setor de celulose, banco eleva recomendação para Klabin

Analistas do Goldman Sachs acreditam que os preços da commodity vão continuar elevados por mais algum tempo

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SÃO PAULO – Mantendo sua visão positiva ao setor de papel e celulose, o Goldman Sachs reiterou sua recomendação de compra aos papéis da Fibria (FIBR3) e da Suzano (SUZB5), e elevou seu rating para as ações da Klabin (KLBN4) de venda para neutro. Prevendo um ambiente mais favorável ao segmento nos próximos meses, o banco também revelou suas novas estimativas para os resultados das produtoras brasileiras de papel e celulose.

De acordo com os analistas Marcelo Aguiar, Pedro Grimaldi e Tais Correa, os preços recentes das ações de produtoras de celulose do Brasil sugerem que os investidores esperam que se repita o mesmo movimento visto em 1995 ou 2000, quando os preços da celulose caíram 59% e 45%, respectivamente. “Em nossa visão, isso é improvável por uma série de razões”, destacaram os analistas.

A equipe do banco ressaltou que a demanda chinesa pela commodity é cada vez mais importante para os mercados globais de celulose. Além disso, o Goldman Sachs destacou que as adições de oferta do produto são limitadas, além de os mercados de papel norte-americano e europeu estarem apresentando uma recuperação gradual dos níveis baixos.

“Nós permanecemos confiantes de que os preços da celulose se manterão elevados por mais tempo devido à oferta limitada da commodity e ao crescimento na indústria de papel na China”, avaliaram os analistas do banco.

Fibria e Suzano
Para as duas maiores produtoras de papel e celulose do País, os analistas se mostraram otimistas. De acordo com eles, as demonstrações de resultados de ambas as empresas continuarão sendo “muito boas” nos próximos dois trimestres, quando eles esperam que as margens operacionais subam significativamente.

Além disso, a equipe do Goldman Sachs lembrou que a Fibria atualmente está praticando um preço no mercado europeu de US$ 770 por tonelada, “perto de níveis que provocariam uma remoção de capacidade do mercado”. Por conta destes catalisadores, bem como os resultados obtidos nos três primeiros meses deste ano, o banco revisou suas estimativas para os próximos resultados da Fibria e da Suzano.

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Confira as novas estimativas do Goldman Sachs:

Fibria Suzano
2010 2011 2012 2010 2011 2012
Receita líquida – – – R$ 4,78 bilhões R$ 5,67 bilhões R$ 6,02 bilhões
Lucro por ação R$ 0,53 R$ 2,72 R$ 4,66 R$ 2,80 R$ 3,10 R$ 3,50

Apesar das boas perspectivas, o Goldman Sachs rebaixou os preços-alvo para Fibria e Suzano, que passaram para R$ 45,40 e R$ 20,80 por papel, respectivamente, em 12 meses. “Nossos targets tiveram uma queda significante, principalmente para refletir um prêmio por risco mais elevado às ações e um aumento na aversão ao risco”, disseram os analistas.

Mesmo assim, a Fibria permanece como a top pick do Goldman no setor, sendo que tanto as ações FIBR3 como os papéis SUZB5 estão no portfólio do banco com as recomendações de empresas na América Latina.

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Klabin
Para a Klabin, os analistas também demonstraram otimismo, tendo elevado sua recomendação de venda para neutro. Mas, assim como para Fibria e Suzano, os analistas rebaixaram o preço-alvo dos papéis, que foi de R$ 6,30 para R$ 6,00 cada, em 12 meses. As estimativas do banco para os próximos resultados da Klabin também foram modificadas, a fim de incorporar o desempenho da empresa nos três primeiros meses deste ano e as novas expectativas para os preços do papel.

Klabin
  2010 2011 2012
Receita líquida R$ 3,73 bilhões R$ 4,47 bilhões R$ 4,77 bilhões
Lucro por ação R$ 0,35 R$ 0,58 R$ 0,77

“No atual ambiente, a ação possui um apelo defensivo com exposição ao mercado doméstico de papel e ao preço do papel, que tende a ser menos volátil que os preços da celulose”, concluíram os analistas do Goldman Sachs.

Riscos
Apesar das boas perspectivas, o banco lembra que há riscos ao setor. Entre eles está uma menor demanda pela celulose, preços menores tanto para a celulose como para o papel, a valorização do real e o impacto potencial do ciclo de aperto monetário na demanda chinesa por papel.

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“Os próximos dois a três meses devem continuar sendo desafiadores para as ações das produtoras de celulose, uma vez que é um período sazonalmente fraco para a demanda por celulose no hemisfério norte e para os aumentos nos estoques globais”, completaram os analistas.


Editor de Minhas Finanças do InfoMoney, cobre temas como consumo, tecnologia, negócios e investimentos.