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SÃO PAULO – “Estamos confiantes em relação ao setor de autopeças, que tem apresentado melhores resultados”. A frase de Victor Penna, analista do BB Investimentos, dá corpo ao relatório do banco divulgado nesta terça-feira (6), no qual o analista recomenda compra aos ativos da Marcopolo (POMO4) e da Randon (RAPT4), com preços-alvo de R$ 12,00 e R$ 13,00 por ação, respectivamente. Os novos valores representam um upside de 27,12% e 25%, nessa ordem.
De acordo com Penna, o crescimento do setor vem se apoiando nas linhas de crédito do BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Além disso, o setor também cresce à medida que o País cresce e investe em infraestrutura, somando com a própria defasagem no qual se encontra, com frotas envelhecidas e necessidade de melhorias no transporte”, comentou o analista.
Outro fator-chave destacado pelo BB para o desempenho do setor de autopeças foi a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), o que contribuiu para que a recuperação no setor fosse mais rápida, tendo se iniciado em meados do ano passado, segundo análise de Penna.
Marcopolo
Apesar de o banco mencionar a forte queda nas vendas da Marcopolo em 2009, devido à crise financeira, o analista avalia que a companhia foi beneficiada pela decisão da ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres), em novembro do ano passado, de que nenhum ônibus com idade de uso superior a uma década poderá ser utilizado pelas concessionárias, o que impactou positivamente a demanda da Marcopolo.
Prorrogação de concessões, eleições federais e estaduais, lançamento de novas linhas de ônibus rodoviários, bem como favoráveis condições de financiamento são aspectos que também deverão afetar positivamente o desempenho da Marcopolo neste ano, de acordo com o banco.
“A Marcopolo ainda se beneficiará nos próximos quatro anos com as necessidades de investimentos em transporte público de qualidade e implementação de sistemas mais eficientes de transporte, especialmente com eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente”, disse Penna.
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Já os riscos para a empresa incluem, na avaliação de Penna, uma desaceleração da economia, elevação do preço das commodities – o que pressionaria as margens – valorização cambial e concentração das exportações em mercados emergentes.
Randon
Também mencionando a performance pior da empresa em 2009 na comparação com o ano anterior, o analista do BB mencionou, porém, que o cenário para este ano é “bastante positivo”. Penna espera um incremento nas vendas da empresa, estimulado pelo mercado interno, principalmente pelos setores de infraestrutura, construção civil e transporte de combustíveis.
“Além disso, a empresa também poderá contar com fortes investimentos do governo nas áreas de saneamento e nas obras direcionadas aos eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, disse o analista. O BB espera ainda que a Randon amplie seu processo de internacionalização através de aquisições. “Segundo a Randon, os R$ 200 milhões que deverão ser investidos em 2010 não serão direcionados para novos projetos, mas sim destinados à América Latina e África, que são mercados que estão se mostrando cada vez mais fortes”, explica o analista.
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No caso da Randon, os riscos são semelhantes aos da Marcopolo: desaceleração econômica e elevação das commodities. Ademais, Penna cita como potenciais riscos a manutenção de uma demanda externa fraca, redução da produção agrícola e elevação nas taxas de juro.