Otimismo nos mercados é excessivo e pode ser rompido, diz consultoria

Analista da R&A enxerga liquidez atual como resultado das injeções dos governos; indicadores ainda patinam

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SÃO PAULO – Em meio ao desempenho favorável do mercado brasileiro nos últimos meses, há euforia e desconfiança. A equipe da consultoria Rosenberg & Associados, que figura entre as menos empolgadas com o atual momento, recomenda atenção a uma possível quebra do “equilíbrio instável”.

No relatório produzido pela analista Fernanda Feil, há o reconhecimento da importante redução na aversão ao risco, assim como do “contundente” fluxo positivo de recursos para o Brasil.

Em sua avaliação, o mercado passa atualmente por fase muito similar ao que vivenciou antes das desconfianças em relação ao Bear Stearns, banco de investimentos norte-americano que foi comprado pelo JPMorgan Chase após beirar a falência. Liquidez abundante, mas represada – define.

Exageros

A onda de otimismo atual surgiu entre a divulgação do plano de recuperação dos bancos nos EUA e a reunião de cúpula do G20, avalia Fernanda Feil: “esse otimismo é desconectado da realidade, uma vez que nenhum indicador da economia real reverteu definitivamente a trajetória de queda”, afirma.

Já que muito do vigor dos mercados globais antes da crise era decorrência da grande alavancagem baseada em operações com derivativos, a liquidez atual é resultado dos mais de US$ 14 trilhões disponibilizados por autoridades públicas ao redor do mundo, afirma a analista da R&A.

Instabilidade

Mesmo endossando o coro dos que veem o Brasil melhor posicionado nesta crise, Fernanda ressalta que o atual equilíbrio dos mercados é instável, com formação de preços precária e liquidez concentrada em ativos de curto prazo.”Pode, a qualquer momento, ser rompido”, completa.

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Na visão da consultoria, pode-se aproveitar a tendência de desvalorização internacional do dólar, assim como a tendência de que o fluxo positivo de divisas se mantenha. Contudo, a sugestão é que as operações sejam de curto prazo, baseadas em ativos de maior liquidez.