Brasil no radar

Otimismo dos estrangeiros no Brasil ainda parece desconexo da realidade, diz Verde Asset

Gestora teve bom desempenho no mês de maio apostando na alta do dólar, baixa de petróleo e ativos de renda fixa na Europa

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SÃO PAULO – Em meio ao cenário global complexo, o Brasil continua diante de perspectivas difíceis do lado fiscal, e com pouca chance de melhora no crescimento. Esta é a avaliação da equipe de gestão da Verde Asset, comandada por Luis Stuhlberger, que reiterou um cenário negativo para o País. 

 Em relatório para comendar o desempenho do fundo no mês de maio, a equipe ainda destaca que o “otimismo exagerado dos investidores estrangeiros se reduziu um pouco em maio, mas ainda parece desconexo da realidade de médio prazo”.

Na última semana, Stuhlberger deu entrevista para a revista Veja e afirmou que a economia do Brasil vai sendo sucateada. “Como um transatlântico afundando lentamente”, diz. Stuhlberger vê aumento de impostos no Brasil e que não ficará restrito a esse ano, “mas também no próximo, no próximo e no próximo”. 

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Já no relatório, a Verde destacou o bom desempenho em maio, com ganhos de 3,86% ante 0,98% do CDI, com destaque para as posições de moedas. No acumulado de 2015, os ganhos são de 15,01% versus 4,80%. 

O dólar voltou a se recuperar contra todas as moedas, destacou a equipe da gestora, à medida que fica claro que a pujança da economia americana não foi estruturalmente abalada pelo inverno rigoroso ou pelo colapso do investimento em exploração de petróleo. E os dados, diz a Verde, indicam que o Federal Reserve poderá subir os juros a partir de setembro, e entrar num passo bastante gradual de aperto das condições monetárias que deve durar alguns anos.

“Esse processo beneficia o dólar estruturalmente, e nossas posições contra o real e contra o yen refletem parte dessa expectativa. Em maio funcionaram bastante bem, assim como a posição vendida em petróleo que implementamos recentemente”.

O segmento de renda fixa também teve um bom desempenho, fruto principalmente de uma visão que os juros longos na Europa subiriam, “uma vez que estavam em patamares nunca dantes vistos”, afirma a equipe de gestão. A análise foi feita com base numa possível correção de um preço distorcido do que propriamente um otimismo quanto às condições econômicas da zona do euro, afirma a gestora. 

“Os mercados parecem em busca de novos níveis de equilíbrio dos preços na Europa, tanto para juros como para ações, como para o euro. Esse processo, bastante volátil, deve durar pelo menos mais alguns meses e pode criar novas oportunidades, como essa nos juros longos que beneficiou o fundo nos últimos dois meses”, afirma a equipe.