Impacto da disparada

Os países que mais ganham e os que mais perdem com a alta do petróleo

Rússia, Noruega e Canadá seriam os maiores beneficiados, aponta o Credit, enquanto Índia, Coreia do Sul e China sofreriam mais 

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SÃO PAULO – Apesar da queda do petróleo na sessão desta terça-feira com a Arábia Saudita apontando que a produção deve ser totalmente retomada no final de setembro – após ataque às refinarias da Aramco afetar 10% da produção do país, ou 5% da produção mundial -, a commodity ainda registra alta de 7% no acumulado dos últimos dois dias (segundo o barril brent). 

Além disso, ainda há muita incerteza no radar sobre os preços do petróleo no curto prazo, uma vez que há um fator adicional de risco geopolítico em meio a possíveis temores de novos ataques.

Com um cenário de alta, ainda que no curto prazo, para a commodity, os estrategistas globais do Credit Suisse apontaram em relatório quais seriam os países mais beneficiados e quais seriam mais afetados pela alta do petróleo. 

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Os países exportadores líquidos de petróleo seriam os maiores beneficiados, o que é o caso de Rússia, Noruega e Canadá. 

Já os maiores prejudicados são a Índia, Coreia do Sul e China, que são os maiores importadores líquidos da commodity em proporção do PIB. 

No caso dos EUA, os estrategistas do banco suíço ressaltam que, como o país praticamente não importa petróleo, o impacto na economia deve ser nulo. 

A estimativa é que 10% de aumento no petróleo poderia reduzir o consumo de produtos não ligados ao petróleo em 0,3% nos EUA, sendo que uma maior produção de petróleo praticamente compensaria a redução no consumo. 

Confira abaixo quais países devem ser mais afetados negativa e positivamente pela alta dos preços do petróleo (considerando as exportações líquidas como porcentagem do PIB):

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Impacto para o Brasil

No caso do Brasil, mesmo sem grande participação da commodity nas exportações líquidas com relação ao PIB, as perspectivas são positivas para um futuro próximo. Na véspera, o “guru dos emergentes” Mark Mobius apontou que o País pode ser beneficiado com a alta dos preços do petróleo. 

“Acho que as pessoas estão começando a pensar bem, que deveríamos olhar para o Brasil, por exemplo, para sua oferta de petróleo, o México e outros países em termos de onde o petróleo pode vir”, disse o investidor. “Se você olhar para as reservas que o Brasil possui, verá que elas podem produzir bastante petróleo”, completou.

De acordo com a consultoria McKinsey, o Brasil tem potencial de aumentar sua produção de petróleo em 70% até 2035, desde que o país consiga criar um bom ambiente de investimento.

Já em entrevista  à rádio CBN nesta terça-feira,  o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, afirmou que a repercussão do ataque pode ser positiva para o Brasil, já que a percepção de risco é maior nos países com tensões geopolítica mais acirradas.

“A percepção de risco em relação ao Brasil é muito menor. O episódio pode aumentar o interesse pelo petróleo brasileiro, temos leilões importantes para acontecer”, disse, citando o leilão de excedentes da cessão onerosa, marcado para o dia 6 de novembro, e oportunidades em áreas do pré-sal.

Porém, uma das grandes questões fica para a reação da Petrobras (PETR3;PETR4) com relação ao reajuste dos preços do petróleo para o consumidor brasileiro.

Por enquanto, a companhia afirmou que irá esperar mais antes de tomar qualquer decisão.

Contudo, analistas consideram que este será um teste de fogo para a companhia – podendo ter impactos inclusive sobre a confiança dos investidores e, consequentemente, para a economia, caso a empresa adote políticas como segurar os preços por muito tempo em um cenário de alta da commodity. Veja mais sobre o assunto clicando aqui. 

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(Com Agência Estado)