Os ganhos com a alta das commodities já estão próximos da saturação?

Metais, gêneros agrícolas e energéticos vêm batendo recordes de cotação; maioria ainda aposta na compra

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SÃO PAULO – A disparada dos preços das commodities neste início de 2006 segue alheia a alertas de eventual irracionalidade por parte dos mercados. Metais como o alumínio, cobre, prata e ouro vêm batendo históricos de cotação. Tendência compartilhada por gêneros agrícolas e pelo petróleo.

De fato, a preocupação de que os mercados de commodities estejam se aproximando dos valores máximos no atual ciclo sensibiliza pouquíssimos investidores. A maioria prefere mirar em lacunas de suprimento, baixos estoques mundiais e demanda fortalecida por centros de forte crescimento econômico, como a China.

Analisando especificamente o caso do petróleo, essas condições gerais são ainda complementadas por tensões geopolíticas – tal qual a política nuclear do Irã – e por perspectivas de outra temporada de furacões atingindo a região do Golfo do México.

Hora da virada?

Se as respostas implicando contrapartida à inflação das commodities costumam exigir certo tempo, alguns analistas avaliam que é chegada a hora: os níveis de preço atuais são insustentáveis.

A lógica de que cotações recordes acabam por barrar a demanda no médio prazo, por conta de um melhor planejamento e da busca de alternativas mais plausíveis, pode já estar próxima da prática.

Na última sexta-feira, a Agência Internacional de Energia rebaixou sua projeção para o crescimento da demanda por óleo bruto neste ano em 220 mil barris por dia, para 1,25 milhão de barris diários. Como justificativa, a impressão de que os altos preços estão desencorajando a demanda. O investidor comprado em commodities, entretanto, ainda parece bastante encorajado.