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SÃO PAULO – Se você abriu essa matéria procurando por sete motivos para manter-se otimista com a bolsa nessa reta final de 2012, feche-a agora. Há razões para surpresas tanto positivas quanto negativas, o que se torna uma grande oportunidade para o investidor no longo prazo. O anúncio do Quantive Easing III pelo Federal Reserve chamou a atenção do mercado, já que para muitos, essa deveria ser a última grande referência de 2012.
Ledo engano: há outros sete fatores que chamam a atenção do mercado nacional e internacional e que podem mudar todo o panorama para os investimentos de uma hora para a outra. Além disso, eventos extremos inesperados ocorrem de tempos em tempos. Em sã consciência, que investidor pensou que algumas das principais companhias elétricas despencariam 30% em uma única sessão?
1) Espanha: resgate ou não, eis a questão
A principal preocupação do mercado por agora tem sido a Espanha, que tem mostrado resistência em pedir ajuda oficial ao BCE (Banco Central Europeu). A autoridade monetária europeia pode adquirir títulos de dívida europeus – mas apenas se o país pedir oficialmente por isso se concordar em “obedecer” uma série de metas.
“A Espanha tem chamado a atenção nos últimos três meses, e muita coisa ainda pode mudar”, afirma Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora. Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, tem mostrado relutância em pedir ajuda para não perder influência – e o custo de financiamento tem se elevado, voltando para o patamar de 6%, enquanto a economia continua desacelerando.
Essa situação tem posto dúvidas nos investidores sobre a possibilidade da situação do país. É capaz esse tipo de política ser carregada até a dívida espanhola se tornar insustentável e uma moratória precisar ser declarada? De acordo com Martins, “tudo é possível quando se trata de Europa”.
2) Grécia ainda pode sair da zona do euro?
O grande motivo de stress do mercado durante o ano foi a Grécia. Faltando três meses para o final de 2012, a situação parece continuar em aberto. O país passou por um período de duas eleições gerais, que travaram as reformas econômicas, além de meses de negociações internas. Com isso, o programa de privatizações – que inclui até a casa do embaixador grego no Reino Unido – está atrasado, trazendo a perspectiva de que o déficit do país não será reduzido.
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Além disso, está se aproximando a decisão da Troika, entidade formada por BCE, FMI (Fundo Monetário Internacional) e Comissão Europeia, sobre o terceiro pacote de ajuda previsto no programa de resgate para o país. Tudo isso pode desembocar em uma possível exclusão do país da zona do euro. “Isso é um outro assunto que fica em pauta, tem que ficar de olho”, afirma Martins.
A saída já foi especulada por bastante tempo, principalmente quando o partido Syriza – de extrema-esquerda – esteve próximo de formar governo. “E é possível que a Grécia saia ainda esse ano, mesmo que com o passar do tempo essa possibilidade ficou mais remota “, afirma. E por isso acaba sendo bastante importante observar o noticiário de lá: quem pode garantir que Angela Merkel, chanceler alemã, não venha a perder paciência?
3) Economias principais da Europa podem desacelerar
A Alemanha não está fora do radar de preocupações para Martins. Nem França, nem Reino Unido – as três principais economias da Europa. “Uma desaceleração dessas economias é possível e seria a surpresa do ano”, afirma o analista. Isso refletiria uma piora substancial no panorama da crise europeia – atualmente restrita aos países da periferia da zona do euro.
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Por muito tempo, a crise esteve circunscrita entre os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). “Já está bem precificada a crise neste países, mas e se atingir os outros?”, questiona o analista. Por muito tempo especulou-se que a França seria o primeiro grande a ser atingido pela crise, já que possui grande participação do Estado no PIB (Produto Interno Bruto), e o déficit também é volumoso.
Assim, o rendimento pago pelos títulos públicos franceses para atrair investidores precisa ser elevado – atualmente, o país paga 2,28% em seus títulos de 10 anos, enquanto a Alemanha paga 1,63% nos bunds de mesma duração. Uma dívida passa a ser considerada “insustentável” depois que passa do patamar de 7%. O banco central francês chegou a afirmar que acredita em uma recessão no terceiro trimestre, depois de crescimento zero por nove meses.
4) Novos estímulos da China: positivo ou negativo?
Uma referência positiva: a possibilidade de estímulos na China. Ou será que não? A possibilidade de novos estímulos por lá podem estar corroendo a economia mundial no longo prazo, acredita Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos. O gigante asiático precisaria de um balanceamento de longo prazo, para que venha a crescer sustentavelmente.
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“No longo prazo, o balanceamento da economia chinesa é benéfica para quase todos. No curto, deve prejudicar os grandes exportares de commodities”, afirma o economista. Por isso, o pacote de medidas que recentemente foi anunciado por lá ajudou a impulsionar ações como a Vale (VALE3; VALE5). Mas há espaço para novas ações maciças por lá? Possivelmente.
“Até que existe espaço para elas, mas o mercado não deve olhar isso com bons olhos”, destaca Martins. Esses pacotes de ajuda seriam apenas paliativos, em um momento que o gigante asiático precisa fazer reformas estruturais. Mesmo assim, é provável que eles ajudem a bolsa brasileira a subir, justamente por atingir a mineradora. “Ela é a nossa principal ação, então isso afeta demais o Ibovespa”, diz o analista.
5) Eleição norte-americana, Romney pode ganhar?
Outra importante referência no mundo e que pode afetar a economia nacional é a eleição nos EUA. Caso Barack Obama, atual presidente e candidato democrata ganhe, possivelmente nada muda. A situação fica confusa se Mitt Romney, candidato republicano, for o vitorioso. Atualmente, existe praticamente um empate técnico, então é impossível saber quem ganhará a eleição por agora.
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O sistema eleitoral dos EUA também ajuda, já que a vitória depende do número de delegados eleitos para o colégio eleitoral. “Isso traz incerteza, não seria interessante uma mudança agora”, afirma Martins. O candidato a vice-presidente na chapa de Romney foi bastante crítico às políticas expancionistas do Fed – o QE3. Portanto, é possível que Ben Bernanke, presidente da autoridade monetária, venha a ser substituído no futuro.
A notícia em si traz nervosismo ao mercado, e colabora para que as ações continuem em patamares atrativos. “Lembro das incertezas econômicas no início do governo Lula”, diz Martins. A possibilidade de eleição do petista serviu para derrubar a bolsa nacional – que se recuperou nos anos seguintes, conforme os investidores entenderam que as mudanças propostas pelo presidente não eram tão grandes assim.
6) Guerra no oriente-médio é possível
Além do mais, existe a possibilidade de uma nova guerra atingir o mundo. O alvo da vez pode ser o Irã, que por conta do seu programa nuclear pode sofrer uma intervenção de Israel e EUA – o que potencialmente jogaria o preço do barril de petróleo para as alturas. “Isso realmente é uma possibilidade, que atingiria mais o setor petrolífero”, acredita Martins. A disparada do preço da commodity pode fortalecer a OGX Petróleo (OGXP3), HRT (HRTP3) e Queiroz Galvão (QGEP3).
Para a Petrobras (PETR3; PETR4), dúvida. “A Petrobras não consegue ser autossuficiente, então ela tem o custo de comprar um pouco mais de derivados”, acredita Martins. Por isso, a notícia impacta negativamente no curto prazo. “O importante é o preço do petróleo não disparar”, avalia Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos. Isso poderia fazer com que o prejuízo bilionário da estatal crescesse nos próximos trimestres, o que por sí só já é preocupante.
No longo prazo, é uma oportunidade, caso a Petrobras consiga voltar a ser autossuficiente na commodity. “O principal produto que ela extrai é o petróleo, e isso deve ser positivo para a empresa”, diz Martins. Quem deve sofrer são as companhias aéreas – Gol (GOLL4) e Latam (LATM11) – que possuem grande exposição ao combustível de aviação, que pode seguir a movimentação do petróleo e alcançar novas altas. Com isso, os custos destas empresas subiria, prejudicando os resultados.
7) …e as empresas brasileiras com tudo isso? Divulgação de resultados
A sétima e última referência é a temporada de resultados do terceiro trimestre, cujas divulgações se iniciam em outubro. E é a referência mais importante, certo? Afinal, ações listadas na bolsa de valores se movimentam de acordo com os seus balanços, certo? Errado, diz Martins. “Há diversas empresas que anunciaram prejuízo e mesmo assim estão em alta, como a própria Petrobras, que registrou seu primeiro trimestre no vermelho em pouco mais de uma década”, avalia o analista-chefe da Walpires Corretora.
“Eu não vejo esse fator com a mesma relevância que China e Europa, já que a temporada de resultados é um fato muitas vezes ignorado pelos investidores”, afirma Martins. Para ele, a queda de juros agressiva de 2012 reduziu o leque de possíveis investimentos para o brasileiro, fazendo com que o investidor seja “obrigado” a correr para bolsa – ou perder dinheiro com a inflação.
Mas não quer dizer que esses resultados não possuem importância alguma. “Fica preocupante se os resultados vierem ruins, já que os últimos balanços reportados não foram muito bons”, diz Martins, lembrando que isso sinalizaria que a forte queda da bolsa desde os patamares alcançados em janeiro e fevereiro não seria tão injusta assim.