Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

Confira os principais eventos da semana nos mercados

Publicidade

SÃO PAULO – O dia é de tensão por conta do aumento do risco político na zona do euro após o plebiscito da Catalunha e com o atentado em Las Vegas. Contudo, os principais índices mundiais têm um dia de relativa calmaria, repercutindo principalmente os dados da China – vale destacar que os mercados do gigante asiático ficarão fechados nesta semana. Por aqui, atenção para o prosseguimento da denúncia contra Michel Temer, para o Datafolha, além de dados econômicos como IPCA e produção industrial. Confira os destaques desta segunda e da semana:

1. Bolsas mundiais

Apesar da tensão na Espanha após a votação da independência da Catalunha e um novo ataque nos EUA, a maior parte das bolsas europeias sobem, liderados pelas mineradoras, após o PMI de serviços e de manufaturas surpreender positivamente na China. O PMI de manufatura subiu subiu para 52,4 na passagem de agosto para setembro, enquanto a estimativa do mercado era de 51,6.

Por outro lado, o euro registra baixa, após o Governo da Catalunha informar que 90% dos eleitores votaram “sim” pela independência da região e 7,8% votaram “não”. Entretanto, o presidente do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, declarou que “não houve um referendo” e que todos os espanhóis constataram que o Estado de Direito se mantém “forte e vigente”. Além de não reconhecer a consulta, responsabilizou o governo autonômico catalão, promotor da iniciativa, de ter agido contra a convivência democrática.

Os olhos também se voltam para o novo ataque nos EUA, onde pelo menos 50 pessoas que assistiam a um show de música country foram mortas e cerca de 200 ficaram feridas em um ataque a tiros registrado na noite desse domingo (horário local, madrugada de segunda-feira em Brasília) em Las Vegas.

Às 8h20 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,11%

*FTSE (Reino Unido) +0,55%

*DAX (Alemanha) +0,28% 

*Ibex 35 (Espanha) -1,3%

*Nikkei (Japão) +0,22% (fechado)

*Petróleo WTI -1,84%, a US$ 50,72 o barril

*Petróleo brent -1,62%, a US$ 55,87 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,45%, a 445 iuanes

2. Datafolha

O grande destaque deste começo de semana fica para os números da pesquisa Datafolha, que apontou para alguns dados curiosos. Lula segue na liderança em todos os cenários para 2018 – e com pelo menos 35% das intenções de voto no primeiro turno. A pesquisa ainda mostra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e a ex-senadora Marina Silva (Rede) empatados em segundo lugar, levando em conta a margem de erro. Ele oscila entre 16% e 17%, enquanto a ex-senadora aparece com 13% e 14% nos cenários em que disputa com o petista. No segundo turno, Lula ganharia de quase todos com quem disputaria, ficando em situação de empate técnico apenas com o juiz Sérgio Moro, que condenou o petista em primeira instância a nove anos e meio de prisão.

Se por um lado, Lula está na liderança para 2018, por outro a maioria dos pesquisados quer vê-lo preso. Dos entrevistados, 54% avaliam que os fatos revelados pela Lava Jato são suficientes para justificar a prisão do petista. 40%; por outro lado, afirmam não haver motivos para a detenção do ex-presidente, enquanto 5% não opinaram. Já no caso do prosseguimento da denúncia contra Temer, 89% são favoráveis a que a Câmara autorize a abertura de processo contra ele por organização criminosa e obstrução de justiça, enquanto apenas 7% são contra.  O Datafolha também fez uma pesquisa sobre a popularidade do presidente. A gestão Temer atingiu a maior reprovação já registrada pelo Datafolha desde o início da redemocratização no país. Consideram o governo Temer ruim ou péssimo 73% dos brasileiros. Com isso, o presidente superou a pior taxa de Dilma Rousseff (PT), 71% em agosto de 2015. Apenas 5% avaliam o governo como ótimo e bom. Os que consideram o governo regular somam 20%, enquanto 2% não sabe/não opinou. 

Contudo, aponta a pesquisa, apesar dos péssimos números, há também algum alívio para o governo, aponta a Folha. Percebe-se um recuo no grupo que pede a saída de Temer da Presidência. Ainda que majoritário, caiu de 65%, em junho, para 59%. Já os que defendem sua permanência passaram de 30% para 37%. 

De olho em 2018 e preocupados com a economia, empresários se reúnem e se articulam para influenciar eleições, destaca matéria do jornal O Estado de S. Paulo do último fim de semana. Uma das questões debatidas é sobre como a influência dos empresários poderia se materializar. A hipótese mais provável é o apoio a um candidato estabelecido e com chances claras de vitória – os dois preferidos são João Doria e Geraldo Alckmin, do PSDB. No “time” Doria, por exemplo, está Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, enquanto Rubens Ometto, da Cosan, segundo fontes ouvidas pelo jornal, é entusiasta de Alckmin.  

 3. Agenda política da semana

A semana de atividades do Congresso Nacional será decisiva para a conclusão das discussões sobre a reforma política. Após diversas tentativas de votação, o debate segue arrastado na Câmara dos Deputados e no Senado e corre o risco de ter poucas ou mesmo nenhuma medida aprovada para as próximas eleições. Para ter validade em 2018, as mudanças na legislação precisam ser sancionadas até sexta-feira (6). 

Na tarde desta segunda-feira (2), o plenário da Câmara volta a analisar o substitutivo aglutinativo ao Projeto de Lei 8.612/17, de relatoria do deputado Vicente Cândido (PT-SP). O texto propõe a criação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), com recursos públicos e de execução obrigatória. Parlamentares tentaram apreciar a medida na semana passada, mas por falta de consenso, o próprio relator pediu que a análise fosse adiada.

Em meio às votações da reforma política, o início dos trabalhos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em relação à denúncia contra o presidente e dois de seus ministros deverá movimentar a Câmara. Escolhido o relator, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), e notificado os denunciados, a comissão começa de fato a apreciar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), o único ponto ainda não totalmente pacificado na tramitação da denúncia é em relação à analise fatiada. Pacheco já rejeitou questão de ordem do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), que propunha a divisão da denúncia. No entanto, Molon anunciou que entrará com um novo requerimento pedindo o fatiamento. A definição sobre a questão deve ocorrer nesta segunda-feira (2).

O Planalto espera um placar de 42 a 44 votos a favor do presidente na CCJ, disse uma fonte do gabinete presidencial à Bloomberg sob condição de anonimato. A escolha do deputado tucano José Bonifácio de Andrada para relator da denúncia na CCJ foi vista com alívio pelo Planalto. Na primeira denúncia, Bonifácio votou a favor de Temer.  Por fim, mas não menos importante, está o desenrolar sobre o afastamento do senador Aécio Neves do Senado. A medida foi entendia pelos senadores como uma ingerência indevida, que abriria a possibilidade de ser revogada no plenário da casa legislativa — o que poderia gerar um impasse entre as instituições. 

4. Agenda econômica da semana
A agenda econômica desta semana é movimentada. No Brasil, atenção para o IPCA de setembro, a ser divulgado na próxima sexta-feira (6) às 9h pelo IBGE, que deve desacelerar
para 0,08% na comparação mensal e ficar ligeiramente abaixo de 2,5%, em 2,46%, em
12 meses, distanciando-se do piso da meta. Antes disso, na terça-feira, a produção industrial de agosto também ganha destaque, dando uma ideia sobre se a retomada da
economia vista no primeiro semestre está tendo continuidade. 

Na agenda internacional, os dados do PMI de serviços dominam a agenda dos investidores na quarta-feira (4), com os números do Markit para Alemanha (às 4h55), Zona do Euro (às 5h), Reino Unido (às 5h30) e EUA (às 10h45) em setembro chamando a atenção. Na mesma data, a maior economia do mundo divulga os estoques semanais de petróleo, às 11h30, o que tende a movimentar os preços da commodity no mercado internacional. Contudo, o grande destaque da maior economia do mundo fica com os números do ADP Employment, na mesma quarta-feira, às 9h15, e o relatório do emprego de setembro, sexta-feira, às 9h, que tendem a balizar as próximas posições do Fed na condução da política monetária. As expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg são que o indicador caia para 80 mil, cerca da metade registrada em agosto. A agenda norte-americana também conta com os discursos de importantes autoridades do Fed, como os diretores Kaplan, Powell, Dudley e Bullard.

5. Noticiário corporativo

No noticiário corporativo, destaque para a Braskem, cujos acionistas aprovaram  a compra de 63,66% capital da Cetrel. BTG Pactual aprovou a recompra de até 15,5 milhões de units BPAC11 e a Ambev aderiu ao Refis para parcelar R$ 3,5 bilhões. Em assembleia, a Suzano aprovou a conversão de ações PN em ON.

Por fim, no InfoTrade, destaque para recomendação de compra para as ações da B3 (BVMF3) – confira a análise completa.

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.