Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

Confira os principais eventos da semana nos mercados

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SÃO PAULO – Após uma semana curta, mas marcada por muitas surpresas para os investidores, a segunda-feira (11) começa impactada por uma série de eventos do fim de semana no Brasil e no mundo, além de toda a agenda recheada de drivers na política e economia. Na política, a prisão de Joesley Batista e uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer devem agitar os últimos dias de Rodrigo Janot à frente da PGR, enquanto as reformas política e da Previdência voltam a chamar atenção no parlamento. Um novo embate entre Lula e Sérgio Moro também será visto com o depoimento do petista ao juiz em Curitiba. No exterior, o mundo ainda acompanha atento aos desdobramentos do furacão Irma, que após efeitos devastadores começa a perder força.

Confira os principais eventos da semana:

  1. 1. Bolsas mundiais

    O mundo continua a monitorar os efeitos devastadores do furacão Irma pela costa dos Estados Unidos, depois de atingir países da América Central na semana passada. No mercado, o dia é de alta para as bolsas europeias e asiáticas, com o mercado dissipando o cenário de maior aversão a riscos provocado sobretudo pelas recentes tensões envolvendo a Coreia do Norte.

Às 8h10 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +1,15%

*FTSE (Reino Unido) +0,55%

*DAX (Alemanha) +1,12% 

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*Hang Seng (Hong Kong) +1,04 (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,37% (fechado)

*Nikkei (Japão) +1,41% (fechado)

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*Petróleo WTI +0,72%, a US$ 47,82 o barril

*Petróleo brent -0,24%, a US$ 53,65 o barril

*Minério de ferro spot (à vista) no porto de Qingdao, na China, +0,68%, a US$ 78,39 a tonelada

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*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -2,20%, a 534 iuanes

2. Agenda de indicadores

Em uma semana mais tranquila na agenda, o primeiro destaque fica com a Ata da última reunião do Copom, na terça-feira (12), às 8h (horário de Brasília). Após o Banco Central reduzir novamente a Selic em 100 pontos-base, para 8,25% ao ano, analistas tentam confirmar os próximos passos da autoridade, que já deixou claro o início da redução do ritmo de cortes a partir do próximo encontro, em outubro.

Ainda no Brasil, será divulgado o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), na quinta-feira (14), às 8h30. Considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), a projeção dos analistas consultados pela Bloomberg mostra uma queda do índice para 0,10% na comparação mensal. Por outro lado, a Rosenberg destaca que “com a indústria e o comércio crescendo na comparação interanual e queda menor dos serviços, esperamos continuidade da melhora do índice” no acumulado de 12 meses.

Na agenda internacional, atenção especial para dados de inflação nos Estados Unidos, com o PPI na quarta-feira às 9h30 e o CPI na quinta no mesmo horário. A inflação tem sido o principal ponto de análise do Federal Reserve para decidir sobre sua política de alta de juros. Dados recentes reforçaram que a autoridade não deve conseguir elevar as taxas novamente este ano, como estava previsto.

A China é outro ponto de atenção, com dados de atividade, como produção industrial, vendas no varejo. Este tipo de indicador costuma ter impacto em empresas ligadas à commodities, principalmente a Vale e siderúrgicas, que têm grande exposição ao cenário chinês por conta do minério de ferro.

3. Radar político

Os desdobramentos das reviravoltas no acordo de delação premiada firmado com executivos do grupo J&F voltam a movimentar a semana na política, com Joesley Batista e Ricardo Saud cumprindo prisão temporária, por determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que recusou o pedido de prisão do ex-procurador Marcelo Miller, feito pelo procurador-geral Rodrigo Janot. Enquanto se especula sobre o risco de anulação de provas obtidas, movimento patrocinado por parcela do mundo político — dentre ela, a própria defesa do presidente Michel Temer –, outros se esforçam em separar a omissão de informações por parte dos executivos ou qualquer erro de conduta de Miller da validade das provas.

A última semana de Janot no cargo também deverá contar com a apresentação de uma nova denúncia contra o peemedebista, após denúncias contra membros do PMDB da Câmara e Senado. Outros partidos, PT e PP, também foram denunciados por formação de organização criminosa. As expectativas são de que a nova peça contra o presidente tenha efeitos limitados, por mais que conte com diversas delações, dentre elas do corretor de valores Lúcio Funaro. Também pode preocupar o governo a prisão de Geddel Vieira Lima, ocorrida na última sexta-feira. Aliado próximo a Temer, o ex-ministro é visto como figura instável, que pode abrir a boca.

Ainda no front político, um dos grandes destaques será o novo depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá prestar ao juiz federal Sérgio Moro, na quarta-feira (13), no âmbito da ação penal que investiga se o petista recebeu propinas da construtora Odebrecht. O depoimento ocorre dias após a fala do ex-ministro e figura próxima Antonio Palocci, que disse que o líder petista firmou um “pacto de sangue” com Emílio Odebrecht, que consistiria em propinas e outras vantagens indevidas.

4. Agenda política

Do lado das articulações do governo e agenda legislativa, destaque para as tentativas de se avançar com as articulações pela reforma da Previdência, embora se saiba que ainda não há o mínimo de votos necessários para a PEC ser aprovada em primeiro turno no plenário da Câmara. Ainda nesta casa, destaque para a possível retomada da análise da PEC 77/03, relatada pelo deputado Vicente Candido (PT-SP), que altera o sistema para eleição de deputados e vereadores e cria um fundo público para o financiamento das eleições. Até o início da votação, os deputados vão tentar fechar um acordo para analisar pelo menos o texto básico da proposta, com eventuais destaques para depois

Também está na pauta outra proposta da reforma política: a PEC 282/16, relatada pela deputada Shéridan (PSDB-RR), que altera as regras sobre coligações partidárias nas eleições proporcionais e cria uma cláusula de desempenho para acesso a recursos do Fundo Partidário e ao horário gratuito de rádio e TV. Há acordo para que a votação da PEC 282, cujo texto-base já foi aprovado em primeiro turno, só ocorra após a conclusão da análise sobre sistema eleitoral e financiamento de campanhas (PEC 77). A decisão sobre o sistema eleitoral terá prioridade porque influencia diretamente as regras sobre coligações: por exemplo, se for aprovado o chamado “distritão”, que é a eleição pelo sistema majoritário de deputados e vereadores em 2018 e 2020, o sistema de coligações não afeta a distribuição das cadeiras. Por outro lado, se as mudanças forem rejeitadas e ficar mantido o sistema proporcional atual, as regras para as coligações são determinantes para o resultado. 

Caso não haja acordo, ou após vencidas as PECs, os deputados podem analisar a Medida Provisória 783/17, que permite o parcelamento de dívidas com a União, tanto de pessoas físicas quanto pessoas jurídicas, concedendo descontos e possibilitando o uso de prejuízo fiscal e de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para pagar os débitos. Segundo o projeto de lei de conversão do deputado Newton Cardoso Jr (PMDB-MG), os descontos, que no texto original giravam em torno de 25% a 90%, passam a ser de 85% a 99% quanto a multas, juros de mora, encargos legais e honorários advocatícios. O governo estendeu o prazo original da MP para adesão ao programa por meio de outra medida provisória (798/17), que passa de 31 de agosto para 29 de setembro, e tem negociado um texto alternativo com menos benefícios aos devedores.

No Senado, o plenário deve votar, em segundo turno, a PEC 77/15, do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que estabelece prestação de contas simplificada para municípios de pequeno porte. A medida favorece a adoção de regras mais simples para a celebração de convênios e transferências de créditos da União e estados. Atualmente, os pequenos e grandes municípios seguem os mesmos critérios de prestação de contas, o que acaba prejudicando as administrações municipais de menor porte, que sofrem com a elevada burocracia. A expectativa é de que a medida simplificará o funcionamento de mais de 60% dos municípios brasileiros, assim considerados aqueles com até 15 mil habitantes.

Também no campo da reforma política, os senadores podem discutir o PLS 206/17, do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que institui o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, permite a propaganda eleitoral paga no rádio e na televisão, e restringe o horário eleitoral gratuito aos canais de rádio e de televisão de responsabilidade do poder público. De acordo com o projeto, será transferido para um fundo eleitoral o montante relativo à desoneração fiscal concedida a rádios e TVs privadas para a transmissão da propaganda partidária e do horário eleitoral. O fundo proposto por Caiado pode chegar a R$ 2 bilhões. O fundo também receberá o dinheiro de multas e penalidades aplicadas aos partidos com base no Código Eleitoral. O valor será corrigido a cada eleição pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

5. Radar corporativo

Do lado das empresas, a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud coloca em risco o acordo de delação de executivos do grupo J&F e o acordo de leniência firmado com o poder público, o que pode prejudicar os planos de venda de ativos da companhia. Também merece atenção o avanço nas negociações de compra da Moy Park pela Pilgrim’s Pride. Do lado das recomendações, as ações do Bradesco foram elevadas de avaliação “neutra” para “compra” pelo Goldman Sachs. A Natura, por sua vez, informou que substituirá o CEO da Body Shop até o final do ano. Por fim, a Braskem acertou parceria para distribuir polietileno na China, a Liquigás fez um acordo com o Cade em caso de cartel de GLP e a Petrobras fechou uma parceria com a Shell para troca de experiências.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.