Publicidade
SÃO PAULO – A semana começa com tensão política após a prisão de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente Michel Temer, às vésperas do julgamento da chama Dilma-Temer no TSE. Jornais destacam o receio do Planalto com a delação, enquanto o governo prepara ofensiva para se defender. Mas não é só aqui que o noticiário é movimentado. Nesta semana, nos EUA, atenção para o depoimento do ex-diretor do FBI, James Comey, no Senado e para as eleições no Reino Unido, ambos na quinta-feira. Confira os destaques desta semana:
- 1. Bolsas mundiais
O dia é de leves quedas para as principais bolsas mundiais, com a queda do preço do minério de ferro pressionando os índices europeus. Vale destacar que o mercado alemão não abre hoje devido a um feriado nacional. - Além disso, os investidores ficam de olho nas repercussões do novo ataque no Reino Unido. Segundo a primeira-ministra britânica Theresa May, o nível de ameaça de terrorismo do Reino Unido continuará como “severo” após militantes deixarem 7 mortos e 48 feridos em Londres, descrevendo o ocorrido como um ataque contra o mundo livre. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do atentado. Medidas de segurança adicionais foram postas em prática, incluindo em diversas pontes no centro de Londres, disse May. Três agressores portando facas atropelaram pedestres com um veículo na London Bridge e apunhalaram outras pessoas nas redondezas no último sábado.
- Na Ásia, os mercados acionários da China recuaram nesta segunda-feira, com a desaceleração do ritmo de ofertas iniciais de ações falhando em compensar as amplas perdas nos setores de saúde e financeiro. A Comissão Reguladora de Títulos da China aprovou na sexta-feira apenas quatro ofertas públicas iniciais para levantar até 1,5 bilhão de iuanes (220,48 milhões de dólares), contra 7 ofertas antes. Entre os indicadores, a
atividade do setor de serviços da China expandiu no ritmo mais rápido em quatro meses em maio graças ao aumento nas novas encomendas, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit. O PMI de serviços do Caixin/Markit subiu a 52,8 em maio de 51,5 em abril, interrompendo quatro meses de queda com a leitura mais alta desde janeiro.
- Voltando ao mercado de commodities, o petróleo oscila após subir mais cedo e recuperar parte da perda de sexta com atritos entre países produtores do Oriente Médio. Quatro países árabes cortaram maioria de seus laços diplomáticos com o Qatar; Arábia Saudita citou apoio do Qatar a grupos terroristas para desestabilizar a região; Qatar disse que acusações não têm base.
-
Às 8h07, este era o desempenho dos principais índices:
*CAC-40 (França) -0,60%
-
*FTSE (Reino Unido) -0,27%
*Hang Seng (Hong Kong) -0,24% (fechado)
*Xangai (China) (fechado) -0,45% (fechado)
-
*Nikkei (Japão) -0,03% (fechado)
*Petróleo WTI -0,50%, a US$ 47,42 o barril
*Petróleo brent -0,66%, a US$ 49,62 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian +1,87%, a 435 iuanes
*Minério spot negociado em Qingdao, na China -3,27%, a US$ 55,90 a tonelada
2. Noticiário político da semana
A agenda político da semana é bastante movimentada. O TSE definiu quatro sessões plenárias exclusivas – nos dias 6, 7 e 8 de junho – destinadas ao julgamento da ação que pede a cassação da chapa presidencial Dilma Rousseff e Michel Temer, eleita em 2014, por suposto abuso de poder político e econômico. Inicialmente, expectativa era de que defesa de Temer pediria vistas, para adiar o julgamento. Mais recentemente, noticiário tem apontado que a defesa do presidente poderia usar tática semelhante à de Dilma, tentando contestar a adição de delações da Lava Jato aos autos, abandonando a tese de separação de contas – e Temer estaria otimista com a estratégia. O julgamento do TSE tem sido citado por alguns líderes do PSDB como deadline para uma decisão do partido sobre permanência na base aliada. Vale ressaltar que, ontem, o Estadão informou que ministros do PSDB disseram a Temer que o partido permanece na base. Por outro lado, um fator de tensão que foi adicionado a esse cenário foi a prisão no sábado do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, ex- assessor especial do presidente, que está sendo investigado por suposto recebimento de propina, após delação premiada de Joesley Batista, da JBS. Como ofensiva, a defesa de Temer acusa Janot de tentar constranger o TSE a decidir contra o presidente, dizem jornais. Não bastasse a tensão com este julgamento, está marcado para o mesmo dia 6 de junho na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado a votação da proposta de reforma trabalhista. O relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) é favorável à aprovação da matéria, sem fazer alterações no texto recebido da Câmara dos deputados, mas recomenda seis vetos ao presidente Michel Temer. 3. Lava Jato e eleições no PT
Voltando ao noticiário sobre a Operação Lava Jato, o MPF (Ministério Público Federal) de Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, pediu na sexta à noite ao juiz Sérgio Moro a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros seis réus pelos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. O MPF quer que todos cumpram as respectivas penas em regime fechado e que Moro determine a apreensão de R$ 87.624.971,26, correspondente ao valor das propinas que teriam sido pagas nos contratos da OAS com a Petrobras. Ainda sobre notícias relacionadas ao PT, no sábado, a legenda elegeu a senadora Gleisi Hoffmann (PR) para presidir o partido pelos próximos dois anos. Gleisi obteve 367 dos 593 votos. A eleição foi realizada no 6° Congresso Nacional do partido com a participação de delegados de todo o país. Vale destacar que a senadora é acusada de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato e também foi citada por três delatores da Odebrecht. 4. Agenda de indicadores da semana e exterior
Na agenda de indicadores, no Brasil, o destaque fica para a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) – na terça-feira às 8h -, que nos últimos dias cortou a Selic em 100 pontos-base e indicou uma redução do ritmo daqui para frente. Segundo a Rosenberg, “a ata deve apenas detalhar as discussões sobre os impactos da incerteza sobre o cenário e as projeções de inflação”. Já na sexta-feira (9), será apresentado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio. A expectativa da Rosenberg é de uma variação de 0,47%, acima da taxa de 0,14% do mês anterior. No acumulado de 12 meses, a inflação deve passar de 4,1% para 3,8% – menor patamar em quase uma década. No exterior, a semana terá o PIB da zona do euro na quarta-feira (7) às 6h, e a decisão do BCE (Banco Central Europeu) no dia seguinte às 8h45. Segundo Pablo Spyer, diretor da mesa de operações da Mirae Asset, este será o principal evento da Europa e a expectativa é que a autoridade monetária mantenha a taxa de juros locais. Já os EUA divulgam bens duráveis e pedidos às fábricas nesta segunda, às 11h. Por fim, a China contará com uma bateria de indicadores, entre eles a balança comercial e investimento estrangeiro. Além disso, nos EUA, atenção para o depoimento do ex-diretor do FBI, James Comey, no Senado no próximo dia 8. Ele está no centro das denúncias sobre uma possível intervenção russa nas eleições americanas de 2016 e que tem levado muita gente a pedir o impeachment de Trump. Na Europa, o futuro da primeira-ministra britânica Theresa May será o destaque com as eleições parlamentares também na quinta-feira (8). Ela busca o endosso das urnas ao seu projeto de Brexit, vindo de confortável maioria dos Conservadores obtida nas eleições de 2015 por David Cameron. 5. Noticiário corporativo
Em destaque no radar corporativo, a Petrobras realizou na sexta-feira o pré-pagamento total de uma Nota de Crédito à Exportação com o Banco Itaú, de R$ 1 bilhão e prazo de vencimento em 2020, informou a petroleira em uma nota ao mercado. Já a Bloomberg informou que a JBS tem pago prêmios de até R$ 3,00 por arroba nas compras de gado de fazendeiros que estão mais cautelosos após os recentes escândalos envolvendo os donos da companhia, disse Hyberville Neto, analista da consultoria Scot, em entrevista para a agência. Na Embraer, o Conselho aprovou a recompra de até 3 milhões de ações em 1 ano. Por fim, a BR Properties confirmou na sexta-feira que está em “em tratativas com seus assessores” para uma possível oferta de ações, de acordo com fato relevante. A companhia disse, no entanto, que não há aprovação societária nem garantia de que a oferta acontecerá, nem de sua viabilidade. Não foram informados valores. (Com Reuters, Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)