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Os 5 assuntos que vão movimentar os mercados nesta quarta-feira

Mercados internacionais operam em queda generalizada após pedido de impeachment de Trump e atentos às negociações comerciais sino-americanas

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 0,73%, aos 103.875 pontos, em meio ao anúncio da abertura do processo de impeachment na Câmara dos Representantes contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a postergação para a próxima semana da votação da reforma da Previdência pelo Senado brasileiro.

Hoje, os mercados internacionais operam em queda generalizada, não só diante da incerteza política nos EUA, como também pelos aparentes retrocessos nas negociações comerciais sino-americana, após Trump declarar, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que não aceitará um “mau acordo” com a China.

Também na ONU, o presidente Jair Bolsonaro rompeu o histórico de moderação da diplomacia brasileira e fez um discurso carregado de apelo ideológico, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. Para a Folha de S.Paulo, em tom agressivo, Bolsonaro atacou críticos na ONU, como socialistas, ONGs e a mídia, citando ainda falácias ambientais e compromissos ambientais.

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Ainda no Brasil, o Legislativo adiou a votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, deixando a sua apreciação para a próxima semana. Em meio a questionamentos de senadores sobre a operação da PF, o presidente do Senado Davi Alcolumbre já fala em votação em 2º turno no dia 15 e não mais dia 10. Além disso, o Congresso Nacional derrubou 18 dos 33 vetos do presidente Bolsonaro ao projeto de lei de abuso de autoridade.

Já o Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje se anula ou não mais uma condenação na Lava-Jato. O caso a ser analisado é o de um ex-gerente da Petrobras que apresentou os mesmos argumentos que levaram à anulação da condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da estatal.

Entre os indicadores, destaque para a divulgação dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês de agosto. No exterior, dirigentes do Federal Reserve discursam.

Confira os destaques desta quarta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Os futuros de Nova York operam com viés de baixa, após a decisão da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, abrir um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. Mesmo que o processo prospere na Câmara, terá que ter o aval do Senado, que conta com maioria de Republicanos.

A denúncia está relacionada à ligação telefônica entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, feita em 25 de julho. Na sexta-feira, a mídia norte-americana noticiou que Trump pediu várias vezes a Zelensky que investigasse se o Democrata Joe Biden havia usado seu cargo de vice-presidente indevidamente.

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Na Ásia, os mercados fecharam em queda, na esteira das preocupações politicas norte-americanas e piora nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos. Além da declaração de Trump, sobre não aceitar “mau acordo”, o ministro das relações exteriores, Wang Yi, disse esperar que os EUA “removam todas as restrições irracionais” no comércio entre os países. Houve um certo movimento de alívio durante a manhã e o S&P futuro chegou a subir momentaneamente com notícia de que a China prepara o aumento da compra de carne de porco dos americanos. Contudo, o ânimo durou pouco e o índice voltou a registrar baixa.

Na Europa, as bolsas também operam em queda nesta manhã, diante da ameaça de impeachment do presidente americano.

Os mercados europeus refletem ainda as incertezas relacionadas à saída do Reino Unidos da União Europeia, após a derrota do primeiro-ministro Boris Johnson, quando a Corte Britânica julgou ilegal a suspensão do Parlamento semanas antes do Brexit.

Entre as commodities, o petróleo operam em queda diante da percepção de que um acordo comercial entre EUA e China pode estar mais distante, trazendo riscos de uma recessão mundial. Os futuros do minério também operam em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h27 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,20%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,34%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,14%

*DAX (Alemanha), -1,09%
*FTSE (Reino Unido), -0,91%
*CAC-40 (França), -1,43%
*FTSE MIB (Itália), -1,55%

*Hang Seng (Hong Kong), -1,28% (fechado)
*Xangai (China), -1,00% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,36% (fechado)

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*Petróleo WTI, -1,38%, a US$ 56,50 o barril
*Petróleo Brent, -1,60%, a US$ 62,09 o barril
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 1,65%, cotados a 624,50 iuanes, equivalentes a US$ 87,68 (nas últimas 24 horas).

*Bitcoin, US$ 8.426,22, -13,59%
R$ 37.504, -9,15% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, o IPC medido pela Fipe fechou a terceira quadrissemana de setembro com inflação de 0,03%, desacelerando frente à segunda quadrissemana, que apontou inflação de 0,13%. Na primeira, o IPC foi positivo em 0,29%.

Já a FGV informa, às 8h00, o índice nacional de custos da construção (INCC-M) de setembro e, às 9h00, a sondagem da indústria da construção. O IBGE publica às 9h00, o índice de preços ao produtor da indústria da transformação.

O Banco Central divulga, às 10h30, o estoque e a variação mensal de crédito no sistema financeiro e a taxa de inadimplência da pessoa física, além do fluxo cambial às 14h30.

Às 15h00, o Ministério da Economia publica o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto.

Nos Estados Unidos, saem, às 11h00, os números de vendas de moradias. Já 11:30, será publicado o relatório semanal de petróleo.

São aguardados ainda discursos dos presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, às 9h00; do Fed de Cleveland, Esther George, às 11h00; e do Fed de Dallas, Robert Kaplan, às 20h00.

3. Bolsonaro

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Em discurso de pouco mais de meia hora na ONU, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas indiretas à França e Alemanha e diretas a Cuba e Venezuela. Segundo o presidente, “há um espírito colonialista” de países que questionam o compromisso do país com o meio ambiente e chamou de “falácia” a tese de que a Amazônia “é patrimônio da humanidade”.

O presidente afirmou que o Brasil esteve “à beira do socialismo”, criticando Cuba, por conta das condições de “trabalho escravo” do Programa Mais Médicos, e a Venezuela, citando números de refugiados que ingressaram no País. Sobre a Amazônia, sustentou que há nações que o criticam pois têm interesse nas riquezas minerais da região.

O discurso gerou reações. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse ao Estadão que não assistiu à fala, mas afirmou também que sua atuação não se trata de interesse econômico na floresta, mas de pensar no futuro da região que é “um bem comum”.

Já a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, afirmou que “não concordaria totalmente” com as falas de Bolsonaro. “Estamos preocupados é com a parceria que tínhamos com o Brasil em torno da Amazônia”, afirmou em entrevista ao Valor.

Durante um evento em São Paulo, o governador do estado, João Doria (PSDB), também criticou o discurso de Bolsonaro na ONU. Para ele, a fala foi “inadequada e inoportuna” e faltaram “bom senso e humildade” ao presidente.

Enquanto isso, o deputado e aliado de Bolsonaro, Marco Feliciano (Podemos-SP), elogiou o discurso do presidente, classificando como um “histórico pronunciamento”.

O Estadão destaca ainda que, para observadores das relações exteriores, o foco no confronto pode causar prejuízos futuros para setores exportadores e para acordos comerciais.

Em entrevista ao SBT, Bolsonaro comentou que não clima para conversar com Macron. Segundo o presidente, o líder francês tentou impor sua agenda, sem sucesso.

“Quando apareceram as queimadas na Amazônia, que estão abaixo da média dos últimos 15 anos, ele foi para a agressão, me chamou de mentiroso, dizendo que a soberania brasileira tinha de ser discutida no tocante à Amazônia. Não tem clima para conversar com ele”, disse Bolsonaro.

O presidente negou ainda que seu discurso na ONU tenha sido agressivo. Ele foi, na sua avaliação, “verdadeiro”.

4. Congresso e STF

Em resposta à operação da Polícia Federal realizada contra o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), na semana passada, líderes da Casa decidiram cancelar a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta terça-feira, que votaria a nova versão do relatório da reforma da Previdência e liberaria a proposta para ser votada em plenário.

A cúpula do Senado considerou a ação como “abuso de autoridade” e decidiu reagir. Em uma reunião com líderes até mesmo da oposição e a presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), ficou acertado que a matéria será votada pelo colegiado na próxima terça-feira (1º de outubro) e pelo plenário da Casa, na quarta-feira, 2.

“O calendário será mantido. Os líderes se comprometeram a votar o segundo turno da proposta em plenário até o dia 10 de outubro, como estava acordado anteriormente”, afirmou Simone Tebet.

Já o Congresso Nacional derrubou vetos presidenciais referentes a 18 pontos da Lei de Abuso de Autoridade ontem à noite. Em sessão conjunta, deputados e senadores mantiveram 15 vetos referentes à lei. O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei com 33 vetos no início de setembro.

Com a derrubada dos vetos, passa a ser considerado crime decretar medida de privação de liberdade em desconformidade com a lei; deixar de relaxar prisão manifestamente ilegal; deixar de deferir habeas corpus quando manifestamente cabível; e negar o acesso aos autos do processo ao interessado, seu advogado ou defensor também se caracteriza abuso de autoridade.

Dentre os vetos mantidos está o que vedava o uso de algemas quando não havia resistência à prisão. Induzir a pessoa a praticar crime com intenção de capturá-la em flagrante foi outro item vetado por Bolsonaro e mantido no Congresso. A execução de mandado de busca e apreensão em imóvel alheio, mobilizando pessoal e armamento de forma ostensiva, também foi deixado de fora da lei.

O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, convocou outra sessão do Congresso para hoje, às 16h, quando serão apreciados os vetos pendentes, como o que proíbe a cobrança do despacho de bagagens por empresas aéreas e aquele que prevê a elaboração de lista tríplice para a escolha de novos conselheiros, diretores e presidentes de agências reguladoras.

O Congresso também precisa votar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020 e vários Projetos de Lei do Congresso Nacional (PLN) referentes à autorização de crédito suplementar para órgãos do Executivo e do Judiciário.

O plenário Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar hoje à tarde se anula ou não mais uma condenação na Lava-Jato, desta vez relacionado a um ex-gerente da Petrobras que apresentou os mesmos argumentos que levaram à anulação da condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da estatal.

Bendine teve sua condenação na Lava Jato anulada no fim de agosto pela Segunda Turma do STF. Por 3 votos a 1, os ministros entenderam que ele teve seu direito à ampla defesa violado por, na primeira instância, ter sido obrigado a apresentar suas alegações finais ao mesmo tempo que outros réus delatores. Foi a primeira vez que a Corte anulou uma sentença do ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública.

Após o julgamento que anulou a condenação de Bendine, a força-tarefa da Lava-Jato no Paraná disse ter “imensa preocupação” com o precedente aberto pelo Supremo e o seu reflexo nos demais casos da operação. A expectativa é de que o julgamento possa interferir no processo do ex-presidente Lula.

5. Noticiário Corporativo

A Vale informou que o Tribunal Superior inglês decidiu que a mineradora pode prosseguir com a execução da sentença arbitral de US$ 2 bilhões, obtida contra a BSG Resources Limited na Inglaterra. A sentença arbitral favorável a Vale foi proferida em 4 de abril de 2019, depois que o Tribunal Arbitral Internacional de Londres concluiu que a BSGR fraudou a Vale em relação a investimento em projeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné.

O jornal Valor Econômico traz que o leque de opções para Oi é limitado por obstáculos que dificultam a venda das operações móveis, contratação de financiamento e até mesmo aquisição por parte da empresa dos EUA AT&T, de acordo com fontes do governo que acompanha o processo. Já a Coluna do Broadcast diz que a operadora poderá ser fatiada e ter, ao final, suas operações de telefonia fixa, móvel e infraestrutura nas mãos das três teles que já atuam no Brasil. Segundo a publicação, a ideia teria o consenso da Anatel e poderia ser colocada em prática em 2020, quando a Oi poderia ficar sem caixa, caso não levante novos recursos ou venda ativos.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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