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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Ações de empresas de tecnologia e fala de Trump renovando tensões com China dominam o mercado na volta do feriado: os destaques da sessão

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com fundo preto, gesticulando durante comício
(Shutterstock)

As bolsas mundiais não encontram um tom único nesta terça-feira, com os índices das bolsas europeias operando em baixa, enquanto na Ásia o mercado ficou no positivo. Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street sinalizam um dia positivo na volta do feriado, com os futuros do Dow Jones e do S&P 500 em alta, enquanto o do Nasdaq tem queda mais expressiva – com isso, as ações de tecnologia seguem em foco.

Tensões entre os Estados Unidos a China continuam no radar, depois que o presidente Donald Trump prometeu reduzir drasticamente os laços econômicos entre os dois países. Também geram expectativas os dados da economia da zona do euro, que serão divulgados hoje.

Por aqui, também na volta do feriado, continuam no radar do mercado as sinalizações do governo a respeito do controle fiscal do país. No final de semana, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), que é relator da PEC do pacto federativo e do Orçamento para 2021, sinalizou que a PEC pode incluir pontos que foram atenuados na reforma administrativa, atingindo os salários mais altos do funcionalismo.

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Ele disse ainda que a aplicação mínima de recursos em saúde e educação prevista hoje na Constituição será extinta no seu relatório. Os investidores também ficarão atentos à alta dos preços dos alimentos, que deve elevar a inflação no país.

No noticiário corporativo, o destaque é a negociação da Oi com outras teles para a venda de ativos. Na noite de ontem, a empresa informou que aceitou proposta vinculante apresentada em conjunto pela companhia e as empresas Telefônica Brasil, TIM e Claro para a compra da operação de telefonia móvel da Oi (UPI Ativos Móveis) e de suas subsidiárias. A proposta prevê a compra dos UPI Ativos Móveis por R$ 16,5 bilhões.

1. Bolsas mundiais

As bolsas mundiais operam em direções opostas nesta terça-feira, com os índices europeus operando em território negativo, enquanto a bolsas asiáticas fecharam em alta. Em Wall Street, os futuros do Dow Jones sobem 0,03%, enquanto os futuros do S&P 500 perdem 0,55%. Já os futuros do Nasdaq caem 2,22%.

Na Europa, o Euro Stoxx perde 1,07%. O FTSE 100, de Londres, cai 0,38%, enquanto o CAC, de Paris, recua 1,35%, e o DAX, da Alemanha, recua 0,91%. O FTSE MIB, da bolsa de Milão, perde 1,74%.

Tensões entre os Estados Unidos a China continuam no radar, depois que o presidente Donald Trump prometeu reduzir drasticamente os laços econômicos entre os dois países. Nesta segunda-feira, ele sugeriu que os países não perderiam dinheiro se deixassem de fazer negócios. Além disso, também ameaçou punir quaisquer empresas americanas que criem empregos no exterior e proibir aquelas que fazem negócios na China de ganhar contratos federais.

Na Ásia, os mercados fecharam em alta, depois que o Japão divulgou dados revisados do PIB do segundo trimestre. O índice Nikkei 225, do Japão, subiu 0,80%. Os dados revisados para o trimestre de abril a junho mostraram que a economia encolheu 28,1%. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam redução de 28,6%.

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A informação é pior que as estimativas preliminares divulgadas em meados de agosto, que mostravam retração de 27,8% em uma base anualizada.

Na China, o Shangai SE avançou 0,72%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,14%. O índice Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,74%.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h11 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,55%
*Nasdaq Futuro (EUA), -2,22%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,03%

Europa

*Dax (Alemanha), -0,88%
*FTSE 100 (Reino Unido), -0,36%
*CAC 40 (França), -1,30%
*FTSE MIB (Itália), -1,69%

Ásia

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*Nikkei 225 (Japão), +0,80% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,14% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,72% (fechado)

Commodities e bitcoin

*Petróleo WTI, -3,75%, a US$ 38,28 o barril
*Petróleo Brent, -1,74%, a US$ 41,28 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,63%, cotados a 844.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 123,47(nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,83535

*Bitcoin, US$ 10.039,34 -1,05%

2. Agenda

O Boletim Focus divulgou as expectativas para o mercado para os principais indicadores econômicos. A expectativa para o PIB passou de queda em 2020 de 5,28% para baixa de 5,31%, enquanto o IPCA foi de 1,77% para 1,78%. A projeção para o dólar foi mantida em R$ 5,25.

Hoje estreia o Radar InfoMoney, novo programa diário que vai resumir, em poucos minutos, os fatos mais relevantes do noticiário econômico e político do Brasil e do mundo e os seus impactos no comportamento das ações e de outros ativos financeiros. O programa será transmitido ao meio-dia em ponto, de segunda a sexta-feira, pelo canal do InfoMoney no YouTube.

Mais tarde, às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) vai revelar a balança comercial semanal.

3. Pacto Federativo

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Um dos destaques dos últimos dias foram as declarações do senador Marcio Bittar (MDB-AC), que é relator da PEC do pacto federativo e do Orçamento para 2021. Segundo ele, a aplicação mínima de recursos em saúde e educação prevista hoje na Constituição será extinta no relatório do senador a PEC do pacto federativo e também do Orçamento de 2021.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, ele disse que combinou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o presidente Jair Bolsonaro o fim da vinculação de recursos para as duas áreas. “É polêmico, mas tem que fazer”, declarou ao jornal.

O senador disse ainda que a PEC do pacto federativo vai incluir medidas que vão atingir o funcionalismo e os salários mais altos. Segundo Bittar, seu parecer vai explicitar o que pode ficar de fora do teto remuneratório do serviço público, com o objetivo de acabar com os supersalários que existem hoje. Além disso, a PEC permite que sejam acionados gatilhos automáticos de cortes de despesas.

Em pronunciamento no último 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro não deu ênfase para a agenda de reformas do governo. Ele deu mais ênfase ao tema da liberdade dos brasileiros. Nos próximos dias, o mercado deve acompanhar se Bolsonaro vai vetar ou sancionar um projeto aprovado pelo Congresso Nacional que perdoar quase R$ 1 bilhão de dívidas tributárias de igrejas.

4. Desgaste de Guedes e inflação

Os investidores continuam a acompanhar nesta semana a situação do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na noite da última sexta-feira, a Folha de S.Paulo informou que o ministro decidiu se afastar da tarefa de negociar as reformas estruturantes apresentadas por ele ao Congresso. O trabalho deve ser feito pela ala política do governo.

Antes disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, havia dito que deixaria de tratar deste tema diretamente com o ministro. Neste sábado, foi noticiado pelo Estado de S.Paulo que a briga entre Maia e Guedes tem como motivo uma discussão sobre os recursos de um fundo bilionário de desenvolvimento regional.

Segundo a reportagem, estados das regiões Norte e Nordeste pretendem usar uma parcela do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para alimentar um fundo de desenvolvimento regional. Para Guedes, esta seria uma tentativa de sangrar os cofres da União. A ida de Maia ao Recife, na semana passada, para falar de reforma tributária com secretários de Fazenda do Nordeste, teria sido interpretada pelo ministro como um gesto nesse sentido.

Outro destaque é o debate sobre a alta do preço dos alimentos no Brasil, que está sendo causado pela desvalorização do real frente ao dólar e pela forte demanda externa de alimentos, principalmente da China. Segundo O Estado de S.Paulo, os economistas já projetam inflação de 3,3% para este ano.

O assunto chamou atenção depois que Bolsonaro pediu patriotismo dos varejistas para tentar segurar a alta da cesta básica. O presidente também declarou que a recuperação econômica do Brasil não será rápida.

5. Radar corporativo

No noticiário corporativo, o destaque é a notícia de que a Oi aceitou proposta vinculante apresentada em conjunto pela companhia e as empresas Telefônica Brasil, TIM e Claro para a compra da operação de telefonia móvel da Oi (UPI Ativos Móveis) e de suas subsidiárias. A informação foi divulgada pela empresa ontem à noite. A proposta prevê a compra dos UPI Ativos Móveis por R$ 16,5 bilhões.

Além disso, a Vale disse que não chegou a um acordo com a New Century Resources Limited para adquirir a sua participação de 95% na Vale Nouvelle Caledonie (VNC). A AB InBev, fabricante da Budweiser e da Stella Artois, deu início a um processo para substituir o executivo chefe Carlos Brito, de acordo com o Financial Times.

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