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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Dados de venda do varejo, notícias sobre extensão do auxílio emergencial, CPI da Covid e mais destaques desta terça-feira

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SÃO PAULO – Os dados de vendas no varejo a serem apresentados nesta terça-feira (8) pelo IBGE podem dar mais fôlego ao Ibovespa na sessão, após o índice renovar novamente máxima histórica de fechamento na véspera, também em meio às declarações do presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) de se opor à prorrogação do auxílio emergencial, ainda que a extensão do programa siga no radar dos investidores. As notícias são de que o governo deve estender o auxílio emergencial por mais dois meses até setembro sob o custo total de R$ 18 bilhões, dos quais algo entre R$ 12 bi serão financiados via crédito extraordinário e o restante pela sobra dos R$ 44 bi já aprovados para o programa meses atrás.

No exterior, a sessão é de estabilidade para os índices futuros americanos, enquanto as bolsas da Europa têm leves ganhos repercutindo indicadores econômicos no geral melhores do que o esperado na região. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Nesta terça, os índices futuros americanos ficam estáveis, após os índices Dow e S&P 500 iniciarem a semana com quedas. As bolsas asiáticas fecharam em queda, apesar de dados melhores do que o esperado em relação ao PIB do Japão. As bolsas europeias operam em território positivo, à espera de dados sobre crescimento do PIB e emprego na Zona do Euro.

Na segunda, o Dow caiu 0,36%, o equivalente a 126 pontos, em sua pior performance desde 19 de maio. O S&P 500 caiu 0,08%.

O Nasdaq Composto subiu 0,5%, impulsionado por ações da biofarmacêutica Biogen, que subiram 38% após a FDA, órgão do governo dos Estados Unidos responsável pela regulação de alimentos e medicamentos, aprovar um novo medicamento da empresa contra o Alzheimer.

Além disso, “ações-meme” continuaram a subir na segunda, afetadas por movimentos de compra coordenada de papéis organizados por meio das redes sociais. Os papéis da AMC Entertainment subiram 14,8%, e as de BlackBerry e GameStop também tiveram altas de dois dígitos. A Securities and Exchange Commission (algo equivalente a Comissão de Valores Mobiliários) dos Estados Unidos prometeu proteger investidores individuais.

Na sexta, foram divulgados dados indicando queda de 6,1% para 5,8% da taxa de desemprego em maio nos Estados Unidos, apesar de terem sido criados menos empregos do que o esperado. Os mercados vêm reagindo positivamente aos dados, no aguardo de mais informações sobre inflação, a serem divulgadas ainda nesta semana.

Na quinta será divulgado o índice de preços ao consumidor relativo a maio medido pelo CPI. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperam uma alta de 4,7% em maio em comparação com um ano antes. Em abril, o CPI cresceu 4,2% em uma base de comparação anual, o ritmo mais rápido desde 2008.

Além disso, investidores também aguardam a reunião do Fomc (Comitê Federal do Mercado Aberto) do Fed, marcada para entre 15 e 16 de junho, à espera de sinais de autoridades sobre inflação e política monetária. Comentários recentes de autoridades indicam que o Fed pode estar se preparando para reduzir sua política de compra de ativos.

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As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em quedas na terça-feira. Em destaque, está a divulgação de dados revisados sobre o PIB do primeiro trimestre no Japão, que indicaram que a economia encolheu 3,9% no período, uma melhora frente à estimativa inicial de contração de 5,1%, e à previsão mediana de economistas, de retração de 4,8%.

No Japão, o índice Nikkei recuou 0,19%, enquanto que o Topix subiu 0,1%. Na China continental, o Shanghai composto recuou 0,54%, enquanto que o componente Shenzhen caiu 0,98%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 0,1%. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 0,13%.

As bolsas europeias têm desempenhos positivos. Investidores aguardam a divulgação de dados sobre crescimento na Zona do Euro e dados sobre emprego relativos ao primeiro trimestre, com foco na alta da inflação.

O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, sobe 0,6%.

Investidores na Europa repercutem a divulgação de dados revisados sobre o PIB na Zona do Euro e dados sobre emprego relativos ao primeiro trimestre. O emprego na Zona do Euro teve queda de 1,8% no primeiro trimestre na comparação anual, frente a projeção de economistas de queda de 2,1%, e ao patamar anterior, de queda de 1,9%. O PIB recuou 1,3% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, frente à projeção de queda de 1,8%, e ao patamar anterior, de queda de 1,8%.

Já na Alemanha, o índice de percepção econômica medido pela ZEW decepcionou as expectativas, indo 79,8 pontos ante projeção de 86 pontos. A produção industrial de abri do país também veio abaixo do esperado, em baixa de 1% ante alta esperada de 0,5%.

Veja o desempenho dos principais índices às 7h40 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,24%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,03%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,41%
Europa
*FTSE (Reino Unido) +0,18%
*Dax (Alemanha), -0,17%
*CAC 40 (França), +0,06%
*FTSE MIB (Itália), -0,31%
Ásia
*Nikkei (Japão), -0,19% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -0,02% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,13% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,54% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,809%, a US$ 68,68 o barril
*Petróleo Brent, -0,8% a US$ 70,92 o barril
*Bitcoin -10,42%, a US$ 32.735,91
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 0,73%, cotados a 1149 iuanes, equivalente hoje a US$ 179,65 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,40

2. Agenda

Os preços das principais commodities pesaram e o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou a alta a 3,40% em maio, depois de subir 2,22% em abril, de acordo com os dados informados nesta terça-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado do mês, entretanto, ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 3,63%, mas o índice passou a acumular em 12 meses avanço de 36,53%.

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Às 9h serão divulgados dados sobre venda no varejo relativos a abril no Brasil, com expectativa de alta de 0,1% na comparação com março e de 19,8% na comparação com abril de 2020, segundo dados do consenso Refinitiv.

No radar político, a partir das 9h, presta novamente depoimento à CPI da Covid o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Às 11h, o presidente do BC, Roberto Campos Netos, participa de webinar do JPMorgan sobre “panorama da política monetária em 2021”. À tarde será a vez de ouvir Paulo Guedes, titular da Economia, com participação prevista para começar às 15h30 no Bradesco BBI London Conference.

Às 9h30 será divulgada a balança comercial relativa a abril nos Estados Unidos. Às 17h30, atenção para os dados preliminares de estoque de petróleo semanal apresentados pelo API.

Às 22h30 serão divulgados dados sobre inflação relativa a maio na China, medida pelos índices IPC e IPP.

3. Vacina da Pfizer e Copa América no Brasil

Na segunda (7), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.664, queda de 9% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.119 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 62.591, queda de 5% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 39.712 casos. Chegou a 49.584.110 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 23,42% da população. A segunda dose foi aplicada em 23.026.663 pessoas, ou 10,87% da população.

No domingo, reportagem do jornal Folha de S. Paulo mostrou que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) recusou vacinas da Pfizer em 2020 oferecidas por metade do preço pago por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia, consideradas caras em agosto pelo então ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello.

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Segundo a reportagem, 70 milhões de doses poderiam ter sido entregues a partir de dezembro por US$ 10 cada, o suficiente para imunizar 35 milhões de brasileiros com duas doses. O vice-presidente da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) contabilizou 53 e-mails enviados pela Pfizer ao governo a partir de agosto cobrando resposta sobre a oferta de 70 milhões de doses.

À CPI, Pazuello classificou a proposta da Pfizer como “agressiva”. Como a negociação demorou a avançar, as primeiras doses das vacinas da Pfizer chegaram ao país apenas em abril de 2021. A reportagem destaca que a imunização antecipada teria evitado mortes.

Além disso, questionado na segunda sobre a perspectiva de realização da Copa América no Brasil, Mike Ryan, a principal autoridade de emergências da OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmou: “Aconselharíamos que qualquer país que vá realizar tal reunião em massa, especialmente no contexto da transmissão comunitária, seja extremamente cauteloso em garantir que haja um gerenciamento de risco adequado (…) Se essa gestão de risco não pode ser garantida, então certamente os países deveriam reconsiderar suas decisões de hospedar ou realizar qualquer reunião em massa.”

A Argentina desistiu de sediar o torneio previsto para ocorrer entre 13 de junho e 10 de julho quando a pandemia piorou no país, e a Colômbia foi descartada como possível sede devido a protestos que ocorrem no país por conta da atuação do governo quanto à pandemia.

O Brasil se apresentou como possível anfitrião, apesar das objeções de algumas autoridades que investigam a resposta do governo à pandemia.

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, está afastado temporariamente do cargo. Ele é investigado pela comissão de ética da entidade sobre uma acusação de assédio moral e sexual contra uma funcionária da entidade. Em entrevista à ESPN, Caboclo disse é inocente e tem “absoluta certeza” de que vai provar isso.

Caboclo afirmou também: “Os jogadores nunca falaram em boicotar a Copa América, em nenhum momento isso aconteceu. E eu nunca quis trocar o Tite, a comissão técnica”.

Reportagem da Folha de S. Paulo afirma, no entanto, que os jogadores consideraram boicotar o torneio quando Caboclo ainda estava no cargo. Mas, na segunda, os jogadores e a comissão técnica decidiram que irão jogar o torneio, com início em 13 de junho. O grupo deve, no entanto, divulgar um manifesto contra a realização do torneio no Brasil, em meio ao recrudescimento da pandemia.

Na segunda, o atual ministro da Saúde do Brasil, o cardiologista Marcelo Queiroga, afirmou que a vacinação dos jogadores que participarão da Copa América não será obrigatória. Ele destacou que os jogos da competição vão ocorrer sem a presença de público e em um ambiente sanitário “controlado”.

“Não é uma imposição a questão da vacina. Os que estiverem vacinados, melhor, mas não se fará um esforço maior para se vacinar esses atletas agora, até porque a vacina poderia até causar algum tipo de reação e isso poderia, de alguma forma, comprometer o ritmo competitivo dos jogadores”, disse.

Ele destacou que outros campeonatos têm ocorrido no país, como o Campeonato Brasileiro, a Libertadores e jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo, sem a exigência da imunização dos atletas.

O ministro avaliou que não há “prova cabal”, e “evidência” de que poderia haver um aumento no contágio em razão da competição. “Não há motivo para se vedar a Copa América no Brasil, motivo sanitário”, disse. Afirmou também que medidas sanitárias de controle serão intensificadas, como a realização de testes de RT-PCR para Covid-19 a cada dois dias.

A PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão) encaminhou na segunda um ofício para que procuradorias da República de Estados que vão sediar jogos da Copa América e outros também apurem eventuais práticas de violações a direitos à vida e à saúde, por parte de organizadores, transmissoras e patrocinadoras do evento.

A estimativa feita pelo MPF é que, pelo menos, 585 pessoas de diferentes países vão circular pelo Brasil entre equipe técnica, funcionários dos estádios, seguranças, jornalistas e torcedores, podendo haver intercâmbio de novas variantes de Covid-19.
O documento lembrou que as cidades sedes têm mais de 80% de ocupação de leitos de UTI devido ao agravamento da pandemia.

O procurador federal dos direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, quer que a unidade do MPF no Rio de Janeiro apure atos praticados pela CBF, pela Conmebol, por empresas patrocinadoras e pelos governos estadual e municipal. Em São Paulo, a proposta é que as investigações se iniciem pelas emissoras de televisão e respectivas patrocinadoras das transmissões. Ao MP do Distrito Federal, sugere-se a apuração em relação aos atos praticados pelos governos federal e distrital.

4.  Auxílio emergencial, reforma tributária e crise hídrica

O governo federal planeja estender por mais dois meses o auxílio emergencial de R$ 250, até setembro de 2021, segundo informações de bastidores divulgadas pela agência internacional de notícias Reuters. A extensão do programa será custeada por um crédito extraordinário de R$ 12 bilhões a ser enviado ao Congresso e outros R$ 7 bilhões que já estão disponíveis no orçamento autorizado para o programa.

Reportagem de bastidores do jornal Folha de S. Paulo também fala sobre a possibilidade de estender o auxílio até setembro, e estima um custo de R$ 18 bilhões. Segundo o jornal, o acerto é costurado entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Cidadania, João Roma, e as parcelas devem se manter entre R$ 150 e R$ 375. Ainda de acordo com o jornal, a extensão do auxílio é justificada por membros do governo sob o argumento de que governos estaduais pretendem acelerar a vacinação nos próximos meses.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a prorrogação do auxílio vai abrir um espaço no Orçamento de 2021 para o lançamento de um novo programa social em substituição ao Bolsa Família, com maior volume de recursos.
Segundo uma fonte ouvida pela Reuters cujo nome não foi revelado, a intenção é usar esses dois meses a mais para fazer uma ponte até a implementação do novo Bolsa Família, que o governo vem estudando. O valor dessa nova versão do programa ainda não foi definido.

Em declarações públicas, os presidentes do Congresso vêm deixando, no entanto, clara sua preocupação em estabelecer um programa social permanente que substitua ou amplie o Bolsa Família.

Na avaliação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), uma prorrogação do auxílio não seria “a melhor solução”. Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) defende que o pagamento do auxílio seja estendido por mais um ou dois meses, em adição à criação de um programa de renda permanente.

Em evento com investidores nesta segunda-feira, Lira afirmou que o Congresso precisa ter um “projeto viável” de criação desse programa que possa ser votado antes do recesso parlamentar, a partir de 17 de julho, ou mesmo antes do pagamento da última parcela do auxílio emergencial, de forma a possibilitar que entre em vigor ainda neste ano.

Segundo Pacheco, “o Brasil não poderá deixar de assistir os ‘herdeiros’ da crise econômica provocada pela pandemia”.
Além disso, o governo do presidente Jair Bolsonaro publicou na segunda medida que autoriza, “em caráter excepcional e temporário”, condições regulatórias diferenciadas para permitir o acionamento de usinas termelétricas sem contrato por um período de até seis meses, que ainda poderá ser prorrogado.

A iniciativa, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia no Diário Oficial da União de segunda, vem em meio a uma seca histórica que tem pressionado o nível dos reservatórios das hidrelétricas, principal fonte de geração no Brasil, e levantado preocupações sobre a oferta de energia.

E o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu retirar o sigilo da parte principal do inquérito que investiga a realização de manifestações antidemocráticas. Ele tem como foco atuação de aliados do presidente Jair Bolsonaro, após a Procuradoria-Geral da República ter pedido o arquivamento da apuração contra parlamentares bolsonaristas.

A Polícia Federal havia apresentado um relatório parcial das apurações em que defendeu, ainda no final de dezembro passado, o aprofundamento das investigações contra deputados que estariam envolvidos em suspeitas relacionadas à organização e ao financiamento dos atos considerados ilegais.

Entre os achados da PF, de acordo com o documento de 154 páginas, constam o envolvimento de pessoas ligadas ao presidente, inclusive assessores e parlamentares, com manifestantes que chegaram a pedir, em protestos de rua, o fechamento do STF, medida inconstitucional.

Apesar das informações obtidas pela PF, a Procuradoria-Geral da República disse em manifestação ao Supremo que a apuração dos policiais se desviou dos “eixos originais” da investigação.

Ainda em destaque, Arthur Lira cobrou do governo e da equipe econômica celeridade no envio dos textos sobre as mudanças no sistema de arrecadação tributária do País. Lira pretende, ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tramitar com ao menos quatro projetos sobre as alterações nos próximos meses nas duas Casas. Os senadores deverão ficar com as mudanças constitucionais e, os deputados, com projetos de lei.

“Para startar a CBS, essa semana ainda preciso que o governo se mobilize, principalmente o pessoal da Economia, com quem eu tenho conversado e tido um bom trânsito, com a elaboração e encaminhamento para a Câmara dos outros projetos. Para que a gente tenha uma leitura do plano. Um quadro definido. Vem isto, depois isto, depois isto. Ou como andar concomitantemente. Mas o primeiro passo, sem sombra de dúvida, será a CBS”, disse Lira em evento online promovido ontem pelo Bradesco BBI.

Um dos projetos do governo é sobre a unificação de impostos e criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituindo os impostos PIS/Cofins. Outro trata da tributação do imposto de renda tanto das empresas como das pessoas físicas, inclusive com alterações nas aplicações de investimentos de renda fixa.

5. Radar corporativo

Em destaque, a administradora de shopping centers Iguatemi anunciou nesta segunda-feira que seu conselho de administração aprovou proposta de reorganização societária pela qual a empresa será incorporada por sua controladora, o Grupo Jereissati. A operação implica que a Iguatemi deixará de ter ações listadas no Novo Mercado da B3, segmento de mais alta governança corporativa, já que a nova empresa a ser formada terá units listadas no nível 1. Segundo comunicado conjunto ao mercado, apesar disso, a empresa terá direitos de acionistas e práticas de governança “similares” ao do Novo Mercado. O free float esperado da nova empresa a ser criada na reorganização, Iguatemi SA, será de 45%.

A companhia também anunciou que o conselho de administração aprovou início do processo de sucessão do atual presidente-executivo, Carlos Jereissati. Para o seu lugar, o nome da atual vice-presidente financeira, Cristina Betts, foi indicado para ocupar a função a partir de 1 de janeiro de 2022. Betts também será presidente da Iguatemi SA, caso a reorganização seja concluída.

A CVC, por sua vez, afirmou em fato relevante que estuda levantar recursos por meio de uma oferta pública primária de valores mobiliários. “[A empresa] avalia constantemente alternativas de captação de recursos junto aos mercados de renda fixa ou variável, sempre alinhada com seu planejamento estratégico e as atuais condições”, comunicou, informando que já entrou em contato com bancos de investimentos para realizar a operação.

Já o conselho de administração da BR Distribuidora aprovou nesta segunda-feira a proposta de criação de um novo plano de previdência da companhia, batizado de FlexPrev, que será administrado pela Petros. Segundo a distribuidora de combustíveis, o FlexPrev será um plano exclusivo na modalidade de contribuição definida. A companhia prevê oferecê-lo tanto para novas adesões quanto para migração voluntária de participantes ativos em planos atuais. A companhia disse que a introdução do novo plano de contribuição definida deverá reduzir o risco de natureza atuarial presente em seus planos atuais, cujo passivo atuarial é de R$ 1,7 bilhão.

Em comunicado, a Vale informou ter fechado até o momento acordos de indenização com mais de 10,3 mil atingidos pelo rompimento de uma de suas barragens em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, e por desocupações em consequência do desastre, com o pagamento de mais de 2 bilhões de reais, informou a mineradora nesta segunda-feira. Do total, foram fechados 1,4 mil acordos trabalhistas, envolvendo mais de 2,4 mil pessoas, e 3,6 mil acordos cíveis, contemplando 7,9 mil pessoas. A Vale não informou uma projeção de quantos ainda deverão ser indenizados ou do montante total que poderá ser pago no final. As pessoas que se sentirem atingidas de alguma forma podem acionar a empresa a qualquer momento.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, anunciou na segunda-feira a previsão de votação da MP da privatização da Eletrobras no Senado nesta semana ou na próxima. Lira relatou acordo selado com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para que os senadores tenham a liberdade de discutir e modificar o texto da medida provisória, caso considerem necessário, a tempo de devolvê-la para a Câmara. Segundo o presidente da Câmara, o andamento da MP está “dentro do script”.

A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell na área de distribuição de combustíveis e produção de açúcar e etanol, protocolou o prospecto de sua oferta inicial de ações, segundo registro disponibilizado pela CVM. A Raízen afirma no documento que pretende usar recursos da oferta para construir novas plantas para expandir a produção de e vendas de biocombustíveis, além de investir em eficiência e produtividade e na infraestrutura de armazenagem e logística para suportar o crescimento de volume de renováveis e açúcar.

Já a locadora de galpões e equipamentos industriais Tópico pediu registro para realizar uma oferta inicial pública de ações, segundo documento publicado na segunda pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Atuais acionistas da companhia, que tem como principal sócio o fundo de private equity SCG (Southern Cross Group), também venderão uma participação no negócio.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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