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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Futuros de NY viram para o negativo após Trump dizer que acordo com China pode ficar para depois da eleição; no Brasil, atenção para o PIB do 3º trimestre

(Shutterstock)

Os mercados futuros de Nova York nesta manhã passaram a operar de forma negativa após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que seria melhor esperar até depois das eleições de 2020 para fechar um acordo comercial com a China.

“De certa forma, gosto da ideia de esperar até depois da eleição para o acordo com a China, mas eles querem fazer um acordo agora e veremos se o acordo será ou não certo”, disse Trump a repórteres em Londres.

Quando perguntado se ele tinha um prazo de acordo, ele acrescentou: “Não tenho prazo, não … De certa forma, acho que é melhor esperar até depois da eleição, se você quiser saber a verdade”.

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Washington e Pequim impuseram tarifas sobre bilhões de dólares em bens uns dos outros desde o início de 2018, atingindo os mercados financeiros e azedando os negócios e o sentimento do consumidor.

Com a agenda no exterior esvaziada, o principal indicador do dia é a divulgação do PIB brasileiro do terceiro trimestre às 9h, com expectativa de acordo com economistas consultados pela Bloomberg de alta de 0,4% na base trimestral, enquanto os investidores devem seguir acompanhando os desdobramentos do anúncio americano de retomada da cobrança de sobretaxas sobre aço e alumínio, num duro golpe ao governo brasileiro.

Confira os destaques desta terça-feira:

1. Bolsas mundiais

Além de praticamente encerrar as possibilidade de fechamento do acordo comercial com a China este ano e anunciar tarifas contra o aço brasileiro e argentino, o governo americano ameaça taxar em até 100% um montante de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em importações da França e considera ainda impor taxas ou restrições a serviços do país europeu.

O Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês) afirmou, em comunicado, que o motivo é o Imposto sobre Serviços Digitais do país europeu.

Segundo o presidente americano, Donald Trump, seu país vai tarifar os vinhos da França e “todo o resto” em razão do Imposto sobre Serviços Digitais do país europeu.

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Trump também voltou a acusar a União Europeia de tratar os EUA “de forma muito injusta” no que diz respeito ao comércio. Segundo a Bloomberg, o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, disse que a União Europeia retaliará os EUA

Enquanto isso, uma lista de entidades americanas “não confiáveis” deverá ser publicada em breve por Pequim, segundo a Bloomberg, citando a mídia estatal chinesa Global Times.

Em um tuíte, o Global Times, apoiado pelo Partido Comunista, disse que a lista estava sendo acelerada em resposta a um projeto patrocinado pelo senador republicano Marco Rubio, exigindo medidas contra autoridades chinesas envolvidas em supostos abusos contra muçulmanos uigures na região oeste de Xinjiang.

Pequim ameaça publicar essa lista de empresas desde maio, quando os EUA impuseram restrições à Huawei, diz a Bloomberg.

O editor-chefe do Global Times, Hu Xijin, acrescentou que as autoridades americanas podem enfrentar restrições de visto e os portadores de passaporte dos EUA podem ser proibidos de entrar na província, completa a Bloomberg.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h45 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,32%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,42%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,34%

*DAX (Alemanha), +0,40%
*FTSE (Reino Unido), -1,12%
*CAC-40 (França), -0,48%
*FTSE MIB (Itália), +0,42%

*Hang Seng (Hong Kong), -0,20% (fechado)
*Xangai (China), +0,31 (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,64% (fechado)

*Petróleo WTI, +0,13%, a US$ 56,03 o barril
*Petróleo Brent, -0,05%, a US$ 60,90 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com alta de 1,72%, cotados a 651,50 iuanes, equivalentes a US$ 92,48 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0442 (+0,11%)

*Bitcoin, US$ 7.246,89, -0,74%

2. Aço

O anúncio do presidente Donald Trump de que pretende impor tarifas à importação de aço do Brasil e da Argentina pegou de surpresa não apenas integrantes do governo brasileiro, mas também parte dos diplomatas americanos que têm participado das reuniões de negociação comercial entre os dois países.

A avaliação interna em Washington, até esse momento, era a de que todas as orientações dadas pela Casa Branca apontavam para a intenção de manter boas relações com o atual governo brasileiro.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro visitou Trump, em março, os times econômicos dos dois governos têm travado uma série de negociações. Apesar da boa vontade mútua, reiterada em público e nos bastidores por americanos, o governo brasileiro já teve parte das expectativas sobre a Casa Branca de Trump frustradas.

Primeiro, os americanos mostraram que o apoio à entrada do Brasil na OCDE não acontecerá imediatamente, já que os EUA não abrem mão de ditar o próprio ritmo de adesão de novos membros à organização.

Depois, o governo Trump seguiu relutante na reabertura do mercado doméstico para importações de carne bovina fresca do Brasil. Em ambos os casos, os integrantes do governo Bolsonaro contornaram a decepção com a narrativa de que as medidas estão em andamento.

O anúncio a respeito das tarifas do aço, no entanto, pegou o governo brasileiro desprevenido. O tuíte de Trump foi uma surpresa para diplomatas em Brasília e nos EUA.

Até agora, mesmo com percalços, o discurso público do governo brasileiro era de comemoração por uma “nova era” entre os dois países. Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve em Washington, onde se encontrou com o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross. Novamente, o tom da equipe brasileira ao final das reuniões foi positivo.

3. Bolsonaro

O porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, disse que o presidente Jair Bolsonaro não ligará para o líder dos EUA, Donald Trump, até que a medida anunciada seja esclarecida, incluindo os impactos que pode causar no setor de aço e alumínio do Brasil.

“Seria intempestivo, da parte do presidente Bolsonaro, ainda sem conhecer todos os dados, efetivar uma ligação, que claramente seria completada, em tempo inapropriado em face do desconhecimento profundo do tema”, afirmou. O porta-voz diz o governo trabalha no nível técnico, via Economia, para esclarecer os EUA sobre os problemas da medida anunciada.

Bolsonaro comentou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve fazer um telefonema para tratar do aumento de tarifas sobre aço e alumínio. “Paulo Guedes deve estar ligando lá”, afirmou. Bolsonaro não deixou claro para quem seria feita a ligação.

A declaração de Bolsonaro foi feita no começo da noite, quando o presidente retornou ao Palácio da Alvorada.

Pela manhã, Bolsonaro avisou que, “se for o caso”, conversará com o presidente Trump. “Tenho um canal aberto com ele”, disse, sobre Trump.

4. Congresso

O Congresso Nacional volta a se reunir hoje, às 11h, para concluir a votação de dois vetos do presidente da República a matérias aprovadas pelo Legislativo. Os parlamentares também devem votar 24 projetos que abrem créditos adicionais no Orçamento deste ano, no valor total de R$ 22,8 bilhões.

O primeiro item da pauta de votações é o veto parcial (Veto 35/2019) que barrou alguns pontos do PL 5.029/2019, uma minirreforma partidária e eleitoral. A matéria foi sancionada em setembro como Lei 13.877, de 2019. A norma teve 45 dispositivos barrados pelo presidente. Sete já foram derrubados pelo Congresso e um foi mantido.

Em seguida há o Veto 44/2019, que invalidou a preferência a mulheres marisqueiras no pagamento de indenizações em caso de desastres ambientais. A preferência na ordem de pagamento de indenização às marisqueiras estava prevista no PLC 47/2017, transformado na Lei 13.902, de 2019.

5. Noticiário Corporativo

A mineradora Vale informou a previsão de produção de 340 milhões a 355 milhões de toneladas de minério de ferro em 2020. Já os investimentos da Vale devem somar US$ 1,8 bilhão.

Já o jornal O Globo traz que o processo de privatização do Banco do Brasil já está sendo discutido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe. O primeiro passo seria convencer Bolsonaro. Em nota, o ministério negou e o BB não comentou.

A Petrobras iniciou nesta segunda-feira (2) a etapa de divulgação da oportunidade referente à venda de sua participação nos campos terrestres de Dó-Ré-Mi e Rabo Branco, localizados na Bacia de Sergipe-Alagoas.

O governo federal anuncia neste mês a reformulação do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que passa a ter como prioridade municípios com até 50 mil habitantes, diz o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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