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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Índices futuros dos EUA caem após alta da véspera; mercado reage à elevação da CSLL de bancos para zerar PIS e Cofins de diesel e gás de cozinha

SÃO PAULO – A sessão é de queda para os índices futuros dos EUA após a forte alta dos índices à vista na véspera, ao mesmo tempo em que as bolsas europeias têm leves ganhos e a China tem baixa após alerta do regulador do país.

Por aqui, os investidores seguem acompanhando a temporada de resultados (após o fechamento, Via Varejo divulgará seus números), ao mesmo tempo em que repercutem o noticiário de que o presidente da República editou um decreto e uma medida provisória para reduzir a zero as alíquotas do PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização e a importação do óleo diesel, por dois meses, e do gás de cozinha, sem um prazo definido.

Parte da compensação pela redução dos tributos, estimada pelo governo em R$ 3,67 bilhões para este ano, virá do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) de instituições financeiras como os bancos, também segundo o comunicado. Na véspera, as ações de bancos já tinham caído com a notícia. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais 

Os índices futuros americanos têm baixas nesta terça-feira (2), e as bolsas europeias e asiáticas têm desempenhos variados entre si, apesar do tom positivo do dia anterior.

Na segunda-feira (1), o índice S&P 500 teve alta de mais de 2% pela primeira vez desde junho, atingindo a marca de 2,38%. O índice Dow Jones subiu 1,95%, e o Nasdaq ultrapassou a marca de 3%. Os bons desempenhos no início desta semana contrastam com os da semana anterior, em que os três índices tiveram contração.

Todos os principais setores tiveram altas na segunda, com destaque para setores que sensíveis a ciclos econômicos, como energia e finanças, em meio a otimismo quanto a vacinas e à retomada da economia.

O mercado também reagiu à queda nas taxas de juros de títulos do Tesouro americano com vencimento em entre dez e 30 anos, que vinham apresentando fortes altas, mas recuam no início desta semana.

Juros mais altos podem levar uma parte dos investidores a migrar do mercado de ações para o de títulos, o que influencia na atividade das bolsas. O mercado de títulos é visto como mais seguro por ser garantido pelo governo, que tem poder de elevar impostos para cobrir gastos, caso necessário.

Além disso, a alta dos juros com vencimento mais longínquo pode dificultar a tomada de empréstimos por setores de forte crescimento, como o de tecnologia. E a alta da inflação poderia levar o Fed a alterar sua política, e elevar os juros referenciais de curto prazo.

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Na semana passada, os títulos do Tesouro com vencimento em dez anos chegaram a subir a 1,6%. Nesta segunda, mantiveram-se na faixa de 1,4256%. Nas negociações de overnight após o fechamento na segunda, os índices futuros americanos passaram, no entanto, a recuar, tendência que mantêm nesta terça.

As bolsas asiáticas tiveram desempenho variado entre si na terça. O índice Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 1,03%, na reabertura após permanecer fechado por conta do feriado do Dia da Independência, na segunda. Já as bolsas da China continental, de Hong Kong e do Japão recuaram.

Já as bolsas da China continental, de Hong Kong e do Japão recuaram. Os investidores também repercutem as falas de Guo Shuqing, diretor da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China, que apontou que “bolhas” estão se formando em mercados internacionais.

O índice Eurostoxx, que reúne 600 companhias listadas em bolsas, de todos os principais setores e de 17 países europeus, teve alta na segunda de 1,8%, com destaque para os setores de viagem e lazer, que avançaram 3,2%, liderando o avanço.

Mas, nesta terça, o mesmo índice tem perdas de 1,07%, apesar de empresas de telecomunicação subirem 0,4%.

Investidores devem acompanhar a divulgação de dados sobre desemprego na Alemanha e de inflação na Zona do Euro. Também devem continuar a observar a divulgação de resultados de empresas, como HelloFresh, Man Group, Travis Perkins, Taylor Wimpey e Hotel Chocolat.

Veja os principais indicadores às 7h30 (horário de Brasília):
Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,46%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,51%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,32%
Europa
*Dax (Alemanha), +0,2%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,52%
*CAC 40 (França), +0,24%
*FTSE MIB (Itália), +0,04%
Ásia
*Nikkei (Japão), -0,86% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), -1,21% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +1,03% (fechado)
*Shanghai SE (China), -1,21% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,02%, a US$ 60,61 o barril
*Petróleo Brent, -0,16%, a US$ 63,59 o barril
*Bitcoin, +3,85%, a US$ 49.104,29
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 1,49%, cotados a 1154,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 178,40 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,47

2. Agenda de indicadores

Às 5h foi divulgado o índice IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, com alta de 0,23% em fevereiro, frente a 0,86% no mês anterior. Às 5h55 foi divulgada a taxa de seguro-desemprego SA no Brasil. Às 9h será divulgado o índice PPI manufatura, relativo a janeiro no Brasil.

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Às 7h será divulgado o índice de inflação IPC, relativo a fevereiro na Zona do Euro.

Nesta terça, será divulgado o total de vendas de veículos nos Estados Unidos, medido pela Wards Intelligence, e relativo a fevereiro. Às 15h, Lael Bainard, membro do conselho de governadores do Fed, fala ao Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Às 16h, a presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, fala ao Clube de Nova York.

Às 22h45 são divulgados os índices Caixin PMI composto e de serviços, relativos à China, em fevereiro.

3. MP e decreto para zerar PIS e Cofins de diesel e gás de cozinha

Na noite da última segunda-feira, foi divulgado que o presidente da República editou um decreto e uma medida provisória para reduzir a zero as alíquotas do PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização e a importação do óleo diesel, por dois meses, e do gás de cozinha, sem um prazo definido.

As novas alíquotas do diesel e do GLP residencial entrarão em vigor imediatamente, por serem definidas em decreto, sem necessidade de aprovação pelo Congresso.

Parte da compensação pela redução dos tributos, estimada pelo governo em R$ 3,67 bilhões para este ano, virá do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) de instituições financeiras como os bancos, também segundo o comunicado.

A compensação, que envolve ainda a alteração das regras de IPI para a compra de veículos por pessoas com deficiência e o encerramento do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), se dará por meio de medida provisória e é justificada pela Secretaria-Geral da Presidência em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

As novas regras do IPI na aquisição de veículos por pessoas com deficiência também entrarão em vigor imediatamente. “Já o final do REIQ e o aumento da CSLL das instituições financeiras somente entrarão em vigor em 1º de julho de 2021”, diz o comunicado.

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Hoje, a alíquota é de 20%. A nova alíquota para os bancos sobe para 25% até o fim do ano. Neste caso, a MP terá que ser confirmada pelo Legislativo em até 120 dias. Antes mesmo da confirmação oficial, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reagiu contra a medida e disse que a alíquota sobre a renda das instituições no Brasil é a maior do mundo.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou na segunda, em entrevista à Record TV, que o novo valor do auxílio emergencial deverá ser de R$ 250 mensais, e será pago em quatro meses. Ele afirmou que a leitura da PEC Emergencial, que inclui o pagamento, deverá ser feita nesta terça, e a votação no Senado ocorrerá na quarta.

No Twitter, Lira reforçou a fala: “Agora na TV Record, anunciei que o governo vai entregar 140 milhões de vacinas para os meses de março, abril e maio. O assunto foi tratado ontem na reunião com o presidente Bolsonaro. Também ficou acertado o auxílio emergencial, que deve ser de R$ 250 até junho”.

O governo federal também estuda reeditar a medida provisória que autorizou empresas a reduzirem temporariamente a jornada de trabalho e os salários no início da pandemia, com o argumento de que a mudança poderia ajudar a impedir demissões.

4. Covid-19 no Brasil

A média móvel de mortes em 7 dias no Brasil atingiu, na segunda (1º), a marca de 1.223. É o terceiro recorde registrado em três dias consecutivos nessa métrica, e o quinto recorde em seis dias, além de uma alta de 16% em relação ao patamar de 14 dias antes. A média móvel de mortes está acima da marca de mil por dia há 40 dias.

Assim, o primeiro bimestre de 2021 registrou alta de 71% no número de mortes no primeiro bimestre em comparação com o imediatamente anterior. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de segunda, o avanço da pandemia em 24 h no país. Em apenas um dia foram registradas 818 mortes. A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 56.011, alta de 23% frente ao período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 40.479 casos.

Até a segunda, 6.770.596 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 3,2% da população. A segunda dose foi aplicada em 2.012.921 pessoas, ou 0,95% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

O país vive o pior momento da pandemia. Hospitais do Maranhão operam no limite da capacidade, Santa Catarina tem recorde de ocupação de leitos, com fila de mais de 220 doentes esperando por uma vaga em UTI. Dos 17 hospitais de Porto Alegre, dez estão com 100% ou mais de ocupação em UTIs.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde, que reúne todos os 27 gestores da área, divulgou na segunda uma nota em que defende o estabelecimento de um toque de recolher nacional das 20h às 6h, a suspensão das aulas presenciais e o estabelecimento de um lockdown total onde houver ocupação de leitos acima de 85% e tendência de aumento de casos.

Na segunda, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou o trecho da medida provisória introduzido pelo Congresso que dava, em caso de omissão do Ministério da Saúde, autorização para estados e municípios adotarem medidas próprias a fim de imunizar suas populações.

A medida provisória tem, como foco principal, a adesão do governo federal ao Covax Facility, programa integrado por mais de 150 países e coordenado pela Organização Mundial de Saúde para estimular o desenvolvimento de vacinas contra a Covid e garantir a sua compra. Anteriormente, o governo já havia liberado R$ 2,5 bilhões para a adesão do Brasil ao consórcio.

O veto de Bolsonaro à maior atuação de municípios e estados sobre a vacinação ocorre em um momento em que a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) articula a criação de um consórcio para atuar na aquisição de imunizantes. A FNP reúne as 412 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes, mas qualquer município pode aderir ao consórcio para compra de vacinas que, na segunda-feira, dia do lançamento da iniciativa, já tinha 100 adesões. A previsão é que o consórcio seja constituído legalmente até 22 de março antes de iniciar as compras.

Bolsonaro também vetou o ponto da medida que dava prazo de cinco dias para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovasse o uso emergencial de vacinas contra a Covid. A medida era voltada apenas aos casos em que os imunizantes tivessem sido aprovados por ao menos uma de oito autoridades estrangeiras específicas. Agora, o Congresso poderá manter ou derrubar o veto presidencial.

Pelas regras em vigor, a Anvisa tem até dez dias para analisar os pedidos de uso emergencial de vacinas. Em fevereiro, o diretor da Anvisa, Antônio Barra Torres, chegou a pedir pessoalmente a Bolsonaro o veto desse trecho da Medida Provisória.

Na ocasião, Torres afirmou: “Não está escrito ‘analisará’, não está escrito que vai estudar o tema, não está escrito que vai verificar se há risco, se não há. Está escrito ‘concederá autorização’. Só nos é dada uma opção: é o sim. Só tem essa opção”.

5. Radar corporativo

No radar de resultados, a  petroleira PetroRio teve lucro líquido de R$ 675,8 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 13% ante igual período do ano anterior, em resultado sem IFRS-16.

A rede de farmácias Pague Menos, por sua vez, registrou lucro líquido ajustado de R$ 37,5 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 147,7% em relação a igual período de 2019. Em todo o ano passado, o lucro líquido totalizou R$ 96,0 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 6,9 milhões obtido em 2019. Depois do fechamento, serão divulgados os dados de Via Varejo, além de Ferbasa e Eternit.

Já o  Mercado Livre investirá R$ 10 bilhões no Brasil neste ano, montante equivalente ao já aportado na operação do País nos últimos quatro anos, informou o presidente de Commerce do Mercado Livre para a América Latina, Stelleo Tolda.

A empresa de soluções para comércio eletrônico Infracommerce pediu na segunda o registro para sua oferta inicial de ações. Com sede em São Paulo, a empresa tem entre os sócios os fundos de capital de risco Flybridge, e.Bricks, IGVentures. Ela atua na criação de estrutura de comércio digital para empresas de vários tamanhos, inclusive gigantes como Ambev, Nike, Motorola e Unilever, com operações também no México, Colômbia, Chile e Argentina.

A JBS vai captar até R$ 1,8 bilhão em debêntures simples para comprar bovinos de produtores rurais, segundo ata de reunião do conselho de administração da empresa, que aprovou a proposta. A emissão será feita em até duas séries, com prazos de sete e dez anos, respectivamente.

A Nestlé e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) firmaram uma parceria para o desenvolvimento das primeiras fazendas de pecuária leiteira com emissão líquida zero de carbono no Brasil, informou a companhia suíça na segunda. Segundo a Nestlé, o projeto integra o compromisso global da empresa de neutralizar as emissões de suas operações até 2050, incluindo as cadeias de oferta.

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