FIQUE DE OLHO

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Avaliação do governo e dados de emprego se destacam às vésperas de manifestações pró-Bolsonaro; no exterior, Theresa May renuncia

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou ontem em queda de 0,48%, refletindo preocupações com o exterior diante da piora do clima das negociações entre comerciais entre Estados Unidos e China. Hoje, os investidores devem se guiar pelo cenário local, com a divulgação dos números do emprego de abril, as expectativas quanto às manifestações pró-governo do presidente Jair Bolsonaro no domingo e aos dados da pesquisa de avaliação do governo da XP/Ipespe.

Segundo levantamento realizado uma semana após os protestos contra contingenciamento de gastos na educação, o governo Jair Bolsonaro teve, pela primeira vez desde o início do mandato, uma avaliação negativa numericamente superior às opiniões positivas. O grupo que classifica a atuação do governo como ruim ou péssima chegou a 36%, enquanto os que avaliam como ótimo ou bom atingiu 34%.

Em relação às manifestações programadas para este domingo, o presidente afirmou que não deve participar e criticou a inclusão de pautas contra o Congresso e o Judiciário. Já o Instituto Brasil 200, movimento de empresários, que estava reticente em aderir aos atos, decidiu apoiar publicamente as manifestações programadas para o domingo.

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No exterior, o destaque é o anúncio agora pela manhã da renúncia da primeira-ministra britânica, Theresa May, ao cargo de líder do Reino Unido em 7 de junho. May tentou, por três ocasiões, mas os legisladores do Reino Unido se recusaram a votar favoravelmente ao acordo do Brexit, gerando conflitos à sua liderança dentro de seu próprio partido.

1. Bolsas Internacionais

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem que prevê um fim rápido à atual guerra comercial com a China, embora nenhuma negociação de alto escalão tenha sido programada entre os dois países desde a última rodada que terminou em Washington há duas semanas. Trump disse ainda que se encontrará com o presidente da China, Xi Jinping, quando eles comparecerem à reunião do G-20 no próximo mês no Japão.

Ambos os lados se culparam pelo fracasso nas negociações, que visava acabar com as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Isso tem levado investidores a avaliar que a guerra deverá atingir consumidores e desacelerar o crescimento global. Segundo a CNBC, economistas e estrategistas do Nomura, Goldman Sachs e Bank of America alertaram que a guerra comercial está deteriorando o cenário.

Na Ásia, a bolsa de Xangai fechou com leve alta. “A China está preparada para abrigar e apoiar seus empreendimentos privados em vez de ceder às pressões financeiras aplicadas pelos EUA”, comentaram à CNBC os analistas da ANZ Research, projetando que podem “levar anos, até que os dois lados encontrem um ponto em comum suficiente”.

No Japão, a bolsa encerrou em baixa. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Japão registrou crescimento de 0,9% em abril, na comparação com igual mês do ano passado, em linha com a projeção do mercado.

Na Europa, os mercados operam em alta, apesar dos temores da guerra comercial e as eleições para o parlamento da União Europeia, que chegam a seu segundo dia. A votação segue até domingo e deverá influenciar a política feita em Bruxelas nos próximos cinco anos, mas também em certo ponto até a existência da própria União Europeia.

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A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que renunciará ao cargo de líder do Reino Unido em 7 de junho. Em três ocasiões, os legisladores do Reino Unido se recusaram a votar a favor do tão criticado acordo Brexit, gerando desafetos à sua liderança de dentro do próprio partido. Sem um acordo de retirada para o Brexit, a perspectiva é de que o Reino Unido sofra uma saída desordenada da União Européia. A data oficial de saída da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte da União Europeia é 31 de outubro de 2019.

Nos indicadores, as vendas no varejo do Reino Unido ficaram estáveis em abril ante o mês anterior, ante uma previsão de recuo de 0,2% do mercado. Na comparação anual, as vendas no varejo tiveram crescimento de 5,2%. A expectativa dos economistas, nesse caso, era de alta menor, de 4,7%.

Entre as commodities, os preço do petróleo se recuperam hoje, entretanto devem caminhar para sua maior perda semanal no ano, diante dos aumentos nos estoques e a possibilidade de desaceleração econômica global. Já o preço do minério opera em alta, mas em menor patamar em comparação aos últimos dias, quando o mercado refletia a possibilidade de novo rompimento de barragem da Vale.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 06h57 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,53%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,52%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,51%
*DAX (Alemanha), +0,80%
*FTSE (Reino Unido), +0,71%
*CAC-40 (França), +0,88%
*FTSE MIB (Itália), +1,38%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,32% (fechado)
*Xangai (China), +0,02% (Fechado)
*Nikkei (Japão), -0,16% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,28%, a US$ 58,65 o barril
*Petróleo Brent, +1,27%, a US$ 68,62 o barril
*Bitcoin, US$ 7.888,43, +3,56%
R$ 31.980, +1,49% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,27%, a 732,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h00, a FGV divulga o IPC-S Capitais referente à terceira quadrissemana de maio e a Sondagem do Comércio de maio. Às 9h00, o IBGE publica o IPCA-15. Às 14h00, serão conhecidos os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados de abril.

Nos Estados Unidos, às 9h30, o departamento do comércio publica as encomendas de bens duráveis com e sem automóveis de abril.

3. Noticiário Político

Em sua transmissão pelo Facebook, o presidente Jair Bolsonaro pediu ontem que o Senado aprove o texto da Medida Provisória 870 que reduziu o número de ministérios sem alterações. Segundo Bolsonaro, era preciso “tocar o barco” e manter o texto aprovado pela Câmara. O Senado seria a última chance do ministro da Justiça, Sérgio Moro, reverter a votação da Câmara que lhe tirou o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o jornal Valor Econômico, mesmo com o risco de a MP perder sua validade, alguns senadores da base aliada ainda vão tentar devolver o Coaf a Moro. Entretanto, com a modificação, o texto teria que voltar à Câmara e teria grandes chances de caducar, já que vende em 3 de junho. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, disse que trabalharia no retorno do Coaf à Justiça, o que foi defendido pelo PSL.

Bolsonaro afirmou ontem ainda que o governo irá anunciar hoje, no Recife, o plano estratégico para o Nordeste. Segundo o presidente, apesar de ser uma questão “antiga”, também será anunciado durante a viagem o 13º salário do programa Bolsa Família. Ele afirmou que a medida irá levar aproximadamente mais R$ 2,2 bilhões em dezembro de “extra” para a região Nordeste.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro tem, pela primeira vez desde o início do mandato, uma avaliação negativa numericamente superior às opiniões positivas, segundo edição especial da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 20 e 21 de maio, com 1.000 entrevistas telefônicas com eleitores de todas as regiões do País.

Segundo o levantamento, o grupo de entrevistados que classifica a atuação do governo como ruim ou péssima chegou a 36%, uma alta de 5 pontos percentuais em comparação com o resultado observado na primeira semana de maio. Já o nível de ótimo ou bom oscilou 1 p.p. para baixo no mesmo intervalo, passando a 34%. Apesar do viés negativo, o saldo de avaliação está dentro da margem de erro da pesquisa, de 3,2 p.p. para cima ou para baixo.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem estar confiante na aprovação da Reforma da Previdência, entre “60 e 90 dias”. Guedes afirmou que o Brasil tem instituições “vigorosas” e que os poderes no Brasil são “realmente independentes”. O ministro disse que a eleição de Bolsonaro visava a mudança do sistema em vigor há anos, em uma direção mais conservadora na política e liberal na economia.

Em relação ao protestos previstos para este domingo, Bolsonaro criticou a inclusão de pautas contra o Congresso e o Judiciário nas manifestações a favor de seu governo. “Quem defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional está na manifestação errada”, afirmou ele, segundo a Rádio BandNews, de acordo com o Estadão.

O Instituto Brasil 200, movimento de empresários liderado por Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, decidiu apoiar publicamente as manifestações programadas para o domingo. O grupo, que reúne nomes do empresariado como Luciano Hang (dono da Havan) e João Appolinário (Polishop) estava reticente em incentivar a adesão aos atos no início, mas mudou de posição, afirmou Gabriel Rocha Kanner, que é presidente do Brasil 200.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, se manifestou contrariamente às manifestações pró-governo Jair Bolsonaro, que classificou como “desnecessárias”. Doria afirmou que o País necessita de “paz, harmonia e entendimento” entre o povo e os poderes e que é preciso concentrar energia na aprovação da Reforma da Previdência.

4. Noticiário Econômico

O jornal Valor Econômico afirma que o projeto que, segundo o presidente Jair Bolsonaro, pode gerar mais caixa do que a Reforma da Previdência prevê a taxação da reavaliação de imóveis declarados no Imposto de Renda das pessoas físicas. Segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, essa taxação poderia ser de 3% a 4%. O Valor destacou, porém, citando fontes, que essa discussão é embrionária e que poderia gerar no máximo R$ 300 bilhões em ganhos ao longo de dez anos.

O Banco Central alterou as regras do recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, liberando recursos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). O recolhimento deixará de incidir sobre depósitos interfinanceiros feitos por Sociedades de Arrendamento Mercantil (SAM) em instituições financeiras de um mesmo conglomerado. A medida reduz o recolhimento em R$ 8,2 bilhões, equivalentes a cerca de 3,3% do total depositado atualmente no BC nessa modalidade de compulsório. A mudança entrará em vigor no dia 1º de julho, com efeitos financeiros a partir do dia 15 do mesmo mês.

O Estadão informa que oito programas e ações financiadas com subsídios federais entrarão na mira do pente-fino que será feito ainda este ano pelo governo federal, incluindo a Zona Franca de Manaus. A reavaliação dessas políticas, que custaram R$ 68,9 bilhões em 2018, será conduzida pelo Comitê de Monitoramento e Avaliação dos Subsídios (CMAS) e ajudará na estratégia da equipe econômica de reduzir as renúncias em um terço até o fim de 2022.

5. Noticiário corporativo

Controladora do grupo Casino, dono do GPA, a holding Rallye obteve ontem da Justiça francesa a aprovação de um plano de proteção contra credores. Segundo o jornal Valor Econômico, a medida, semelhante à recuperação judicial brasileira, deve durar seis meses. A reestruturação pode enfraquecer o chefe da companhia Jean-Charles Naouri. As dívidas da holding chegam a 2,9 bilhões de euros. A dívida do Casino, que está fora do plano, somava 2,7 bilhões ao fim de 2018.

O pedido foi feito após a Rallye ter suspendido a negociação de suas ações e as do Casino na bolsa de Paris. Embora não atinja o GPA, que controla as redes Extra, Pão de Açúcar, Assai e indiretamente a Via Varejo, o pedido de proteção gera preocupações quanto a possíveis decisões que possam envolver as operações brasileiras do grupo francês.

O Estadão destaca que a situação do Grupo Odebrecht, um dos pivôs da Operação Lava Jato, deve complicar a venda da Braskem, que está sendo negociada com a holandesa LyondellBasell. Segundo a publicação, as negociações, que podem trazer cerca de R$ 20 bilhões ao grupo, esfriaram na esteira de uma série de más notícias envolvendo a Braskem. O fator número um para a reticência da Lyondell em comprar a Braskem seria a incerteza gerada pelo projeto de extração de sal-gema em Alagoas.

O Ministério Público de Alagoas pediu bloqueio de R$ 6,7 bilhões da empresa. A Justiça Estadual contingenciou R$ 100 milhões e impediu a distribuição de R$ 2,7 bilhões aos acionistas da Braskem – o que tirou mais de R$ 1 bilhão da holding Odebrecht em momento de dificuldade de caixa. O Estadão diz que a Lyondell não quer se arriscar em comprar a Braskem enquanto essa conta não for definida. O caso seguiu para a Justiça Federal.

(Agência Estado e Agência Brasil)